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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 25.01.15

Brigitte Bardot

 

... várias pessoas têm queixas sobre o excesso de inacção nas suas vidas. Há dias, li alguém a dizer que a vida não era só "pensar e escrever" e que era preciso "passar à acção". Pensar e escrever é agir, mas percebo a ideia. Penso que só quem não faz ideia do que é uma vida com uma superabundância de acções tem esta concepção romantizada e falsa sobre o que não conhece. Não há nada mais estúpido do que uma vida sem reflexão. 

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publicado às 10:03

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 24.01.15

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Brigitte Bardot

 

... há dias percebi a minha função neste planeta: resolver problemas. Tornei-me competente em soluções. Assim mesmo, tão vago e incompreensível e maravilhoso quanto isto. É uma competência tão importante como saber falar chinês. Primeiro há que perceber se um problema é mesmo um problema, porque se é uma característica, então não se pode resolver. E se não se pode resolver, não é um problema. Ou nas palavras do sábio House, "se não é um sintoma, não é interessante". Só se pensa na cura quando há doença. Com a excepção inevitável de doenças incuráveis. Em suma, os meus dias são passados a agir. Sou uma intelectual esquisita, mas não estou sozinha. 

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publicado às 09:28

Cabide n.º 2

por Carla Hilário Quevedo, em 22.01.15

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Índice e horário 

Teatro da Trindade, 7 e 8 de Fevereiro

Sábado, 7 de Fevereiro

14h30
EDITORIAL
14h45 
O MEU CHARLIE É MAIOR DO QUE O TEU
Quem continuará a ser Charlie um mês após o ataque terrorista ao Charlie Hebdo?
Por João Miguel Tavares
15h45
E SE OS MUROS FALASSEM?
Entrevista de João Paulo Baltazar a Manuel Graça Dias. 
17h
PORTUGAL ENTRE QUATRO MUROS
Lei, ideologia, economia e ignorância.
Por António Macedo Vitorino
17h30
A CORTINA DE GORBACHEV
Três décadas depois de alcançar o poder (11 de Março de 1985), qual o papel que ainda reservamos ao histórico líder soviético? Debate entre Diogo Freitas do Amaral, autor do livro "Glória e Tragédia de Gorbachev", e Armando Marques Guedes. 
19h
A QUEDA DE UM MURO
Crónica sobre os limites da filosofia. Por Filipa Afonso
21h30
EXIBIÇÃO DO FILME "O VIGILANTE"
Vencedor da Palma de Ouro em 1974, "O Vigilante", de Francis Ford Coppola, é o filme escolhido por Pedro Mexia para responder à pergunta de capa da Cabide nº2. 

Domingo, 8 de Fevereiro

14h30 
CONFRONTO DE NOVOS MUROS 
Os recentes acontecimentos na Ucrânia como ponto de partida. Debate entre José Milhazes e Filipe Pathé Duarte.
15H15
PALAVRAS DE DIVISÃO
No mundo em que vivemos, o que significa muro? E muralha, cortina, fronteira, separação? Crónica de Carla Hilário Quevedo. 
15h45
CURIOSOS DA VIDA, ESPREITEMOS A TODOS OS MUROS
Há um pequeno poema de Bashô que diz: “Silêncio / uma rã mergulha / dentro de si”. E se cada um de nós se começasse seriamente a perguntar: “o que é a luz?”, “o que é a sombra?”, “o que está agora a iluminar-me ou a deixar-me?”, “que significado dou ao corte da penumbra?”.
Por José Tolentino Mendonça
17h00
A EUROPA CORTADA AO MEIO
Crónica de Rui Tavares.
17h45
MURO, FENDA, JANELA, PORTA, SIM, NÃO
Ensaio inédito de Gonçalo M. Tavares.

Preço da Cabide nº2: 5 euros (1 dia) e 8 euros (dois dias).

Locais de venda: Teatro da Trindade, Ticketline (www.ticketline.sapo.pt), Fnac, Worten, El Corte Inglés, C.C. Dolce Vita, Casino Lisboa, Galerias Campo Pequeno, Ag. Abreu, A.B.E.P., MMM Ticket e C.C. Mundicenter e U-Ticketline.

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publicado às 16:38

Voltaire faria o mesmo

por Carla Hilário Quevedo, em 20.01.15

Bernard Holtrop, conhecido por Willem, é um dos cartoonistas fundadores do Charlie Hebdo. Estava num comboio quando se deu o ataque que matou os seus colegas. Afirmou que nunca participou nas reuniões de redacção porque o aborreciam. Depois da manifestação de solidariedade, disse que os novos amigos de Charlie lhe "davam vómitos". Representantes de instituições, políticos e autoridades eclesiásticas eram os alvos habituais da revista. Não nos devemos alarmar com a expressão 'dar vómitos'. Na revista, as excrescências fisiológicas faziam parte do humor semanal. É, porém, compreensível que Willem a tenha usado para expressar a repugnância de ver pessoas que já tinham sido satirizadas nas primeiras filas da manifestação. As mensagens de simpatia da Rainha de Inglaterra, do Papa e de outros também não podem ser aceites. A sátira não é negociável, o humor é grande e a grosseria o seu profeta. É proibido aceitar a pena ou a piedade dos inimigos.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-1-15

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publicado às 23:22

Ficção e realidade

por Carla Hilário Quevedo, em 19.01.15

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“George Clooney casou-se este ano com Amal Amaluddin. Amal é uma advogada dos direitos humanos que trabalhou no caso Enron, foi conselheira junto de Kofi Annan sobre o conflito na Síria e foi escolhida para um comité de três pessoas das Nações Unidas que investiga crimes de guerra na Faixa de Gaza, por isso esta noite o seu marido vai receber o Prémio de Carreira Cecil B. DeMille”. Tina Fey disse esta óptima piada na cerimónia de entrega dos Golden Globes. O marido é George Clooney, mas apesar de o saberem, os mortais podem namorar a ideia falsa de que a felicidade é sempre possível entre duas pessoas tão diferentes. O marido de Amal ser Clooney não é irrelevante.

 

A piada de Tina Fey indica o absurdo hollywoodesco de dar prémios de carreira a quem pouco fez para mudar o mundo – isto se compararmos com um trabalho desenvolvido numa área relevante. Ou seja, entre Amal e George, o frívolo é o marido. Parece que de repente senti o aroma da culpa dos ricos... Não é minha intenção estragar a piada de Tina Fey com análises, mas não posso deixar de referir o aspecto que salta mais à vista: Amal tem todas as qualificações e não recebe nenhum prémio. Não tinha de o receber naquele contexto e a graça também está aí, mas foi por este aspecto que críticos da sua apresentação com Amy Poehler acusaram-na de ser feminista.

 

Imaginemos que Amal daqui a uns tempos tem dois filhos com Clooney, gémeos, claro, e quer perseguir uma carreira política. Talvez tenha mais sorte do que a primeira-ministra da Dinamarca, Birgitte Nyborg, da série televisiva Borgen, que está a ser exibida diariamente na RTP 2. Borgen, dos mesmo produtores de The Killing, é anterior à eleição de Helle Thorning-Schmidt, que conhecemos por uma selfie com Obama. A série foi quase premonitória da eleição. Mas espero que a relação com o marido não seja tão conturbada.

 

Birgitte Nyborg é uma primeira-ministra firme, justa e inteligente no exercício do poder. Acontece que o cargo é exigente e Birgitte nem sempre consegue chegar a casa a horas para jantar com a família. O poder também altera o seu comportamento – como acontece a qualquer primeiro-ministro, porque o poder consiste na gestão difícil entre forças opostas – e a relação conjugal vai ficando cada vez mais distanciada. Philip, o marido, não pode trabalhar por causa de conflitos de interesses se fosse director de uma empresa, por exemplo. Philip cansa-se, o que se percebe. Mas se fosse ao contrário, não haveria série, porque não há conflito numa história sobre uma mulher que abdica da carreira por causa do marido. No dia em que esta história for contada nos mesmos termos de Borgen, saberemos que chegámos à igualdade. Só me surpreende que Birgitte e Philip não tenham resolvido parte dos seus problemas com a contratação de uma baby sitter. Deve ser uma “questão cultural”.

 

Quanto a Amal, como disse, talvez tenha mais sorte. Que conflitos de interesses haverá no caso de Clooney? Se não pudesse aceitar o papel de terrorista nalgum filme, não duvidariam na hora de contratar um séquito para apoiar a vida que escolheram. Não são tema de série. Mais uma vitória para a América.

 

Publicado na edição de hoje do i

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publicado às 19:23

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 18.01.15

Nebraska (não). Maleficent (nim). Let Me In (sim, mas gostei mais da versão original sueca, mais subtil e aterradora). 

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publicado às 17:40