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À venda nas livrarias

por Carla Hilário Quevedo, em 22.05.15

As Mulheres que fizeram Roma.jpg

Da mãe de Rómulo e Remo, Reia Sílvia, à extraordinária Gala Placídia: 14 protagonistas da História de Roma e referências a muitas mais, como Pompeia Plotina, mulher de Trajano, Fúlvia, mulher de Marco António, ou a fantástica Zenóbia, que daria cabo dos ISIS da vida se ainda reinasse em Palmira. Enjoy

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publicado às 14:47

Obsessão antiga

por Carla Hilário Quevedo, em 21.05.15

Todos os dias lemos notícias ou vemos anúncios que nos informam dos nossos deveres para viver melhor. Na televisão temos o apelo diário ao consumo de cálcio. Nos jornais multiplicam-se os artigos sobre a necessidade de dormir bem. Katharine A. Craik é autora de um texto publicado no site History Today que nos informa que não é uma obsessão moderna. No século XVII já havia médicos a recomendar soníferos e métodos naturais para dormir as sete a nove horas na altura recomendadas. Fatias de pão embebidas em vinagre e atadas aos pés era um dos métodos revolucionários que felizmente foram substituídos por comprimidos e chás. Outra recomendação que não mudou foi a de dormir durante a noite e estar acordado durante o dia. O luar, a falta de cortinas e a luz das velas eram inimigos do descanso, tal como são hoje os ecrãs luminosos dos smartphones e dos tablets. Ainda havemos de descobrir que os comprimidos de cálcio são como as fatias de pão em vinagre.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 15-5-15

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publicado às 19:34

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 21.05.15

Lilla "Little Red" Crawford

 

... a palestra de ontem sobre Stephen Sondheim, no Museu Nacional da Música, tinha um tema demasiado ambicioso para a hora, hora e meia de exposição. Havia mais a dizer sobre as letras de cada canção que ouvimos (dez, oito de Sondheim) e também, claro, muito mais a contar sobre a vida de Sondheim. Parei aos 16 anos, quando "iniciou" a sua carreira. A minha ideia era tentar contrastar coisas tão inesperadas com uma vida de isolamento dos pais na infância e na adolescência e letras que revelam um profundo conhecimento da relação entre as pessoas, homens, mulheres. É alguém que sobrevive à família que não escolheu e, num certo sentido, à família que adoptou, os Hammerstein. É um caso (não há nenhuma intenção de generalizar da minha parte) de um filho que é melhor do que os dois pais. Ao contrário do que se possa pensar, Sondheim não é um génio solitário. E não é preciso conhecer a vida deste homem para sabermos isto. Basta ouvirmos atentamente (seguindo a letra) um tema como You Could Drive A Person Crazy, de Company (aproveito para deixar aqui os nomes das intérpretes das três amigas de Bobby que cantam a versão original de 1970: Susan Browning, Pamela Myers e Donna McKechnie). Obrigada aos que vieram. 

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publicado às 07:51

PUB

por Carla Hilário Quevedo, em 18.05.15

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publicado às 17:52

Já é tarde para falar do Daniel

por Carla Hilário Quevedo, em 18.05.15

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App CameraBag com filtro Mono

 

Esta semana fomos surpreendidos por um acto que não é original, que não aconteceu pela primeira vez e que também não será a última que acontecerá. Um rapaz de 17 anos matou outro de 14. Não deixa de ser chocante, porque afinal de contas são miúdos e a ideia que temos hoje dos miúdos é outra, mais esperançosa. É neste ponto que erramos: os miúdos são todos diferentes e o mais normal é nenhum saber o que é. Se existe alguma coisa rara neste caso é o número de vezes em que o conhecimento se torna definitivo tão cedo.

 

Numa notícia diziam que Daniel Neves matou Filipe Costa porque lhe queria roubar a roupa, os ténis e o telemóvel. Rita Costa, a mãe da vítima, que tinha contactado as autoridades porque o filho estava desaparecido desde que saíra de casa na segunda-feira para ir à Feira de Magos, cruzou-se com o homicida na rua e percebeu que levava vestido o blusão do filho. Os meios são pequenos e a vida tem destes acasos curiosos. Daniel foi interrogado pela polícia e acabou por confessar que tinha deixado Filipe a morrer numa arrecadação em Salvaterra de Magos depois de o atingir com uma barra de ferro. Parece que a confissão à PJ não será admitida como prova em tribunal, mas até agora não foi apresentada nenhuma razão para o homicídio. Como se num caso destes pudesse haver uma motivação que nos fizesse compreender este acto bárbaro.

 

Há dias apareceu na televisão a sugestão de que o assassino tinha interpretado um gesto da vítima como tentativa de assédio. Não sei o que significa isto, mas imagino que a defesa do homicida confesso esteja a trabalhar. Entretanto, nos próximos dias, seremos inundados com informações sobre o Daniel, que tinha alguns antecedentes criminais, como detenções por posse de droga. Estava referenciado pela Comissão de Protecção de Menores. Mas certamente os vizinhos dirão que nunca pensaram que fosse capaz de um acto assim, que até era bom rapaz, que tinha uma vida familiar conturbada, que não tinha culpa, coitado, etc. Uma série de desculpabilizações de estranhos serão repetidas na esperança de os próprios se poderem desculpar em público pelo que nunca imaginaram ser possível. Como se tivessem a obrigação de adivinhar...

 

A mãe do Daniel escreveu uma mensagem no Facebook que parece ter chocado muita gente. A mãe toma uma atitude de extraordinária coragem ao descrever a conduta do seu filho com lucidez, sem ceder ao estereótipo habitual da mãe que iliba o filho de qualquer horror. A frase que escreveu, “os pais não têm de pagar pelos erros dos filhos e vice-versa”, torna claro que não defende o acto indesculpável do filho. Outra frase impressionante é: “Preferia mil vezes que ele estivesse no lugar do Filipe”. Lembra Platão, que no Górgias argumenta que é melhor ser vítima da injustiça do que injusto.

 

Esta mensagem será incompreendida pelos que se apressam a sacrificar mães, pais, meio ambiente e escolas para sufocar a responsabilidade individual. Esta mãe afirmou que não tinha culpa por o filho ser assim: um assassino. Foi esta a descoberta que Daniel fez naquele dia sobre si. Agora sabe quem é.

 

Publicado na edição de hoje do i.

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publicado às 17:49

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 16.05.15

The Wind Rises (obra-prima). The Trip to Italy (já tinha gostado muito do primeiro e gostei deste também). Deux de la Vague (muito bom: não temos de estar mergulhados num caldeirão de estupidez). 

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publicado às 19:46

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 15.05.15

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Chloe Sevigny

 

... Michael Oakeshott escreveu em 1944, quando tinha 43 anos: "Perfection - not belonging to life at all. Not required by love, not required in ourselves". Por muito que achemos que sabemos certas coisas, há um momento em que somos surpreendidos por esse conhecimento que pensávamos que tínhamos e era verdade. A confirmação de uma impressão; neste caso, a de que a perfeição não é apenas impossível, mas irrelevante, nunca chega cedo na vida, porque a juventude acredita que é imortal. Só existe perfeição na morte ou em Cristo semper idem. Um busto em calcário é perfeito, porque não vive: não continua.

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publicado às 09:56