Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Um grito

"- The ways of the Creator are not our ways, Mr Deasy said. All history moves towards one great goal, the manifestation of God.

Stephen jerked his thumb towards the window, saying:

- That is God.

Hooray! Ay! Whrrwhee!

- What? Mr Deasy asked.

- A shout in the street, Stephen answered, shrugging his shoulders."

 

James Joyce, Ulysses, 2. 

 



publicado por Charlotte às 22:02 | partilhar

Um barulho

"God: noise in the street: very peripathetic." James Joyce, Ulysses, 9.



publicado por Charlotte às 20:56 | partilhar

Há, mas são verdes

Holland Cotter, crítico de arte do The New York Times, escreveu que se tivesse dinheiro nunca compraria a versão de 1895 de O Grito, de Edvard Munch, vendido num leilão da Sotheby’s de Nova Iorque por 91 milhões de euros, provavelmente a um milionário do Qatar. Para Holland Cotter, crítico de arte há 40 anos e Prémio Pulitzer, o mais importante é coleccionar experiências, por isso nunca faria uma colecção de objectos de arte. Faz lembrar a célebre fábula de Esopo, em que uma raposa vê um belo cacho de uvas numa vinha alta e diz que estão verdes para não admitir que não chega lá. Cotter nunca compraria O Grito porque não só não tem a fortuna para o fazer, como não vive de uma certa maneira, nem é uma certa pessoa. Comprar O Grito é parecido com comprar Mona Lisa. Pelo menos 99 % da população não é capaz de imaginar. Nos meus sonhos, comprava esta versão do quadro sem hesitar. É a melhor das quatro. Seria uma honra ter uma obra de arte que expõe tão intensamente a nossa eterna fragilidade.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 11-5-12



publicado por Charlotte às 19:46 | partilhar

Temos de falar

É na cena em que Eva (Tilda Swinton) fala com o filho Kevin (Ezra Miller) à entrada do mini-golfe que encontro a tese de Temos de Falar Sobre Kevin, um filme de Lynne Ramsay. Eva critica uma mulher obesa que ali se encontra e explica a Kevin que é obeso quem come demais. O filho sublinha a dureza da sua observação e Eva responde com um seco «olha quem fala». Ele riposta com o clássico «tenho a quem sair». A culpa de Eva em relação ao filho sociopata de pequenino é manifestada no seu comentário: há culpa em comer demais, tal como ela se sente culpada por não ter sido uma grávida e mãe feliz. Kevin, entretanto, tem um bode expiatório à mão para a sua crueldade criminosa: foi rejeitado pela mãe. A própria comunidade, pouco sensível para o destino do marido e da filha, aponta Eva como a responsável pelos crimes cometidos pelo filho. Como se a rejeição na infância fosse parecido com comer demais, com os efeitos bem à vista. A psicopatia de Kevin tem uma explicação misógina, que é aceite pela sociedade.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 11-5-12



publicado por Charlotte às 19:36 | partilhar

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
Os japoneses não existem (12)

Japanese Johnny Depp Lookalike Greets Johnny Depp in Tokyo



publicado por Charlotte às 17:33 | partilhar

Blockbomba

Sherlock Holmes: A Game of Shadows (muito fraco).



publicado por Charlotte às 17:31 | partilhar

Sábado, 12 de Maio de 2012
Eu hoje acordei assim...

Yvonne Strahovski aka Sarah Walker

 

... se há alguma coisa real que caracteriza esta vida é a ausência de justiça. A vida não é justa, e é por isso, por causa dessa falta que notamos em tudo nalgum momento, que actuamos no sentido de a obter e de a fazer, embora o menos possível pelas próprias mãos. Outro tema que me tem interessado muito é o do super-espião. Ficámos a saber que os serviços secretos portugueses eram uma espécie de clube do Bolinha - prometo não usar a expressão 'cabeleireiro de homens' - de gente que nunca sequer viu um filme de espiões, quanto mais ler um livro decente. Andavam para ali ainda não percebi bem a fazer quê, mas não era a salvaguardar os interesses dos cidadãos. A solução para isto? Contratem mais mulheres para cargos de poder nos serviços secretos. Não contratem mulheres: mais é suficiente. Pode não resultar, não sei, mas acaba com o monopólio de poder só de rapazes, que é cúmplice, íntimo e permite todo o tipo de crimes e abusos. As mulheres têm, em geral, um sentido da justiça mais apurado e são mais corajosas. Podem funcionar como um elemento dissuasor da corrupção. Pelo menos, até que elas próprias se tornem corruptas e o mundo acabe. Mas isso só acontecerá daqui a muito tempo. 



publicado por Charlotte às 07:52 | partilhar

Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Dos Antigos

Jan van Eyck, Madonna with the Child Reading, 1433



publicado por Charlotte às 17:08 | partilhar


Concentrate on now. Stephen Sondheim (Move On)
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