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Mujer

por Carla Hilário Quevedo, em 30.07.15

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si pudes tu con Dios hablar

preguntale si yo alguna vez

te he dejado de adorar

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publicado às 19:42

Uma leitora amável...

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.15

... enviou-me um link para esta entrevista no Observador ao pediatra Carlos González, que ataca precisamente a actividade de bater nos filhos para os "educar". A comparação que faz entre adultos e crianças é desconcertante (e divertida) e a ideia de deixar que as crianças entrem (e fiquem) na cama dos pais é demasiado "new age", mas no essencial o que diz sobre castigos a crianças vai ao encontro do que referi. Adultos autocontrolados que amam os seus filhos não batem em crianças (e espero que em adultos também não). Mais uma vitória para a inexperiência.  

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publicado às 18:49

A doença da palmada

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.15

Não há entrevista a pediatra (não vou mencionar nomes, porque são quase todos) que não inclua uma pergunta ou uma resposta ou ambas sobre castigos corporais a crianças. Estão muito bem a falar e de repente aparece a palavra ‘palmada’, como se fosse uma inevitabilidade numa conversa sobre a relação entre pais e filhos. A minha experiência neste assunto é idêntica à do Papa Francisco, mas não sou alheia ao mundo que me rodeia. Sempre que vejo uma mãe (é uma prerrogativa feminina) a dar uma palmada num filho vejo uma pessoa cansada, sem paciência e com pouca autoridade. Também me vem de imediato à memória familiares próximas que não precisavam de fazer grande coisa para tranquilizar a selvajaria infantil. Bastava um abrir de olhos acompanhado de um silêncio desconfortável para haver ordem onde antes reinava o caos. Gostava de um dia poder ler uma entrevista a um pediatra que mostrasse aos pais os benefícios de não baterem nos filhos. Há alguém?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 24-7-15

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publicado às 18:45

Ler na praia

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.15

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Há muitos nomes neste livro. O meu preferido é Justa Grata Honória. Encontram-no no último capítulo. Enjoy!

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publicado às 18:39

Pato bravo

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.15

Nunca vi ninguém falar bem de Donald Trump, nem sequer dos anos de juventude como empreendedor agressivo. Imagino que este tipo de pessoa, homem de negócios frio e egocêntrico, não seja dado a amabilidades. Ser autoritário tem no entanto dado bons resultados mediáticos e financeiros. Se não fosse a vaidade, talvez não tivesse tido sucesso. Mas é essa vaidade que provoca um desprezo quase unânime na pré-candidatura presidencial. A sua atitude violenta contra a imigração ilegal é própria de um energúmeno: «Construirei um muro na fronteira e não será caro: sou bom a construir paredes». A mais recente polémica envolve John McCain, ex-candidato presidencial republicano e herói da guerra do Vietname: «McCain não é um herói porque foi capturado e não gosto de quem se deixa capturar». A acusação foi mal recebida até pelos seus correligionários. Pormenor relevante: Trump ficou isento do serviço militar por um problema num pé. Nem se lembra de qual.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 24-7-15

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publicado às 18:23

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 27.07.15

Wild (hippie depressivo e muito angustiante). 

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publicado às 21:52

Emigrar para Kepler 452b

por Carla Hilário Quevedo, em 27.07.15

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 App PictureShow com filtro PopArt

 

Nunca me interessei muito pelos planetas e as estrelas, as galáxias e a vida que possa ou não haver fora deste planeta que habitamos. Não me emociono a ver as imagens recentes de um Plutão árido e recebo com indiferença novas descobertas sobre o espaço. Confesso que prefiro ruínas. Tenho mais curiosidade pelas probabilidades que o passado nos demonstra do que pelo aparente futuro, que afinal até estava ali há milhares de anos por descobrir.

 

O meu desinteresse pelo que existe a anos-luz do planeta Terra, ou até pela descoberta (penso que) importante da existência de água aqui ao lado, em Marte, foi interrompido por uma recente notícia da NASA. “Não é que descobriram um novo planeta parecido com o nosso?”, dizia-me uma amiga ao telefone. “A sério? E tem água?”, perguntei logo, como se percebesse alguma coisa do assunto. Algo me diz que água é vida ou então é uma informação tão divulgada que até o mais ignorante do espaço a repete sem pensar.

 

Os cientistas ainda não sabem se ali há água, mas já conhecem algumas características deste novo planeta, rudimentarmente chamado Kepler 452b. O nome mostra que a NASA não é sensível à literatura e que ganharia em contratar (certas) pessoas de Humanidades. O Kepler 452b foi descoberto pela sonda espacial Kepler, que desde 2009 passeia na Via Láctea à procura de planetas habitáveis. A Kepler já descobriu vários candidatos a “planetas parecidos com o nosso”, todos com nomes adaptados ao seu, mas só desta vez os cientistas parecem estar de acordo quanto a estarmos perante não tanto um “gémeo da Terra” mas um “primo”, que fica a 1400 anos-luz de distância. O Kepler 452b é 60% maior do que a Terra e a estrela em torno da qual orbita é mais ou menos do tamanho do nosso sol. Esta estrela tem seis biliões de anos de idade, que é um daqueles números muito difíceis de compreender. Parece que é 1,5 biliões de anos mais velho do que o nosso sol. Este primo mais velho pode ter água. E, segundo os cientistas da NASA, esta possibilidade apresenta-se como uma “oportunidade substancial” para a existência de vida extraterrestre, que é na verdade o que nos interessa. Para quê gastar milhares de milhões de dólares se não fosse para vermos se temos primos noutro sistema solar?

 

A possibilidade de haver vida fora deste planeta parece então estar mais perto de ser uma realidade numa atmosfera que se assemelhar à nossa. Noutro ambiente não seria possível falar das mesmas probabilidades, e talvez por isso o Kepler 452b me tenha suscitado curiosidade. Imaginemos que se descobre que o planeta tem água e que até é habitado por uns primos excêntricos de aspecto e cor a definir. A minha primeira pergunta é prática: como chegamos até lá? A pergunta dificilmente será respondida nas próximas duas gerações, mas será esta a preocupação principal depois de feito o reconhecimento.

 

Emigrar para Kepler 452b poderá ser uma realidade daqui a cem anos, quem sabe. É uma solução para o nosso planeta sobrelotado. Porém, emigrar para a Grécia Antiga continuará a ser uma impossibilidade. Talvez seja melhor assim.

 

Publicado na edição de hoje do i.

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publicado às 18:57