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O antipsicopata

por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.14
App CameraBag com filtro Helga

 

Qualquer pessoa perguntará a si própria alguma vez na vida se estará a "ser má". É esta capacidade de nos pormos em causa, de termos dúvidas acerca do nosso comportamento, justificadas ou não, que faz de nós pessoas comuns e não monstros; ou como se costuma dizer, psicopatas.

 

Até há pouco tempo, o psicopata era reconhecido entre a multidão de gente cheia de culpabilidade. Hoje em dia, vários estudos querem fazer-nos crer que os psicopatas fazem parte da nossa vida. Pode ser um membro do conselho de administração, um colega ou o chefe do departamento onde trabalha. Hannibal Lecter, Ted Bundy e outros monstros ficcionados inexistentes ou ficcionados de carne e osso são hoje alguém aparentemente comum, que não mata, só mói. Ou lidera. Há tempos, num programa de televisão, vi com surpresa que um dos maiores investigadores do tema, o neurocientista James Fallon, descobriu que ele próprio tinha as características de um psicopata: obcecado, distante, indiferente aos outros. Só não matava ninguém. Este "pormenor" permitia que vivesse numa espécie de anonimato entre os restantes membros da espécie.

 

A hipótese de estarmos a conviver com psicopatas não gerou alarme na sociedade, mas um artigo de Melissa Dahl na "New York Magazine" sobre o que pode ser uma nova patologia perturbou o meu sono. No lado oposto ao da psicopatia, mesmo da psicopatia anónima urbana, chamemos-lhe assim, está o monstro desesperado por ajudar o próximo. Abigail A. Marsh, do Departamento de Psicologia da Universidade de Georgetown, publicou os resultados de um estudo sobre "altruístas extraordinários" numa revista científica. O objecto de estudo é o "antipsicopata", como Marsh lhe chamou, alguém ultrapreocupado com o próximo, extraordinariamente empático e sempre pronto a ajudar o outro, ainda que tenha de pagar um custo elevado por isso. O exemplo perfeito é o dador de rins voluntário, disponível para dar um órgão seu a um estranho que dele precise (não a um familiar nem pessoa próxima, note-se).

 

Estas pessoas raras (são cerca de 1400 nos Estados Unidos) e, tal como acontece com a maioria dos psicopatas anónimos, não são imediatamente reconhecíveis a não ser por ressonâncias magnéticas. Uma das diferenças entre o psicopata e o seu (aparentemente) oposto é o tamanho da amígdala. A amígdala faz parte do cérebro e "regula" as emoções. Verificou-se que é maior nos altruístas extraordinários e mais pequena nos presidentes de conselhos de administração. Ambos, no entanto, parecem ter uma disfunção parecida, com fins diferentes. Como observou Fallon, o psicopata está viciado em fazer o mal e o dador espontâneo, que não se importa de passar por uma operação invasiva e por uma possível perda de qualidade de vida, está viciado em fazer o bem.

 

Marsh não aceita a descrição redutora porque o superaltruísta nem sequer se questiona quanto à necessidade de dar um rim a um estranho. Ou seja, o que pratica é um acto de altruísmo, portanto desinteressado. Não tem a percepção da sua generosidade anormal. Dá o rim e acha que é seu dever. Acrescentaria que se trata de uma forma de narcisismo que também consiste em fazer algum mal: a si próprio.

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 27/28-9-14

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publicado às 19:52

A propósito

por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.14

Epígrafe na biografia de Alexandre, de Robin Lane Fox

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publicado às 19:49

O túmulo perdido

por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.14

Há dois anos que decorrem as escavações em Anfípolis, a poucos quilómetros de Salónica, mas só em Agosto deste ano os rumores apontaram para uma possibilidade incrível: será neste túmulo datado de 325-300 a.C. que está sepultado Alexandre Magno? Recebi a probabilidade com cepticismo. Pelo que sabemos, que é pouco, Alexandre terá morrido envenenado ou de doença no seu regresso para a Macedónia. A tese que conheço melhor indica que terá sido sepultado em Alexandria, no Egipto, mas o local nunca foi encontrado. Há dias, duas cariátides, figuras femininas esculpidas em colunas de pedra, foram encontradas em Anfípolis. As figuras de 1,20 m estão na segunda entrada para um túmulo de grandes dimensões, digno de um grande general. Sabemos que o pai de Alexandre, Filipe da Macedónia, não está lá dentro. O seu túmulo foi encontrado na década de 70. Fica em Vergina, no norte da Grécia. Mas pode estar a mãe de Alexandre, Olímpia. Aguardemos com excitação. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 12-9-14

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publicado às 19:43

Deborah Devonshire (1920-2014)

por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.14
Lucian Freud, Woman in a White Shirt, 1961

 

Née Deborah Vivien Freeman-Mitord, "Debo" escreveu à sua irmã Diana, a 13 de Agosto de 1957, sobre a impressão que teve de Lucian Freud: "Lucian Freud came for the weekend, he seems very nice and not at all wicked, but I'm always wrong about that kind of thing." Em 1961, com o retrato já terminado, Deborah escreve à sua irmã Nancy: "Dear little Lu's likeness of me is nearly done. I think it's marvellous. (...) Lu was mixing up paint the other day, got excited & said 'look this is just the colour of your hair'. I looked, & saw a cow pat with silver in it". 

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publicado às 18:40

And I love myself

por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.14

(The world is a ghetto with guns and picket signs)

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publicado às 17:32

Bitch, don't kill my vibe

por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.14

I can feel your energy from two planets away

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publicado às 17:23