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Agora não dá

por Carla Hilário Quevedo, em 21.10.14

NY

David Sipress, The New Yorker

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publicado às 19:51

Prometo nunca me deixar

por Carla Hilário Quevedo, em 21.10.14

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Não é ficção nem maneira de dizer: Jennifer Hoes casou em 2003 com ela própria. Só agora, tantos anos depois, tive conhecimento desta cerimónia curiosa através de um breve documentário no site da Aeon Magazine. Jennifer casou de vestido de noiva, declarou que iria ficar com ela para sempre e só lhe faltou cantar “I married myself, I’m very happy together”, dos Sparks. A oficialização de amor próprio foi pública, claro, com convidados a desejar-lhe felicidades com ela mesma. Primeiro pensei que o acto de Jennifer era de rejeição aos homens mas parece que entretanto se apaixonou por outra pessoa. Estaremos perante um caso de adultério? E se quiser casar com esse rapaz? Jennifer deixou explícitas as condições para o divórcio num contrato que assinou mas que não pôde registar. Imagino a dor de alguém ter de se separar de si próprio. Não estou certa do que Jennifer quis com este auto-casamento, mas pelas fotografias era capaz de lhe chamar arte.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 17-10-14

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publicado às 19:46

Gorda és tu

por Carla Hilário Quevedo, em 20.10.14

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App PictureShow com filtro Quad e ruído TV Screen

 

Se a vida te dá uma polémica inflamada numa rede social, faz limonada. No caso de Jessica Athayde, que desfilou na Moda Lisboa em biquíni na qualidade de celebridade ou actriz e não modelo, os ânimos começaram a ficar exaltados a partir da publicação de uma foto do desfile numa página qualquer de Facebook, ou blogue associado, com um comentário desagradável. O post terá sido apagado, mas testemunhas do sucedido declararam-se indignadas com o palavreado escolhido para descrever uma rapariga sorridente em biquíni; qualquer coisa com “hidratos de carbono a mais”.

 

Não li mas pelo tom dos posts seguintes percebi que mais do que chamar “gorda”, o adjectivo mais temido pelas mulheres, as críticas de Jessica apontaram o pormenor de a actriz não estar na forma devida para estar na passarela. Duas breves considerações a este respeito. Primeiro, as críticas não são modelos, por isso vêem Jessica como a possibilidade de cada uma delas estar ali a desfilar; há uma comparação e por isso um clássico e invejoso, admito que inconsciente, “porquê ela e não eu?”. Em segundo lugar, Jessica tem um corpo normal e não de modelo e por isso não devia estar num sítio onde não pertence. Onde é que já ouvimos isto? São séculos a ouvir homens e mulheres a dizer qual é o local indicado para as mulheres. Só não disseram que a rapariga devia estar na cozinha, mas a ideia de inadequação é a mesma.

 

Talvez o mais inesperado aqui seja o facto de serem mulheres a criticar a forma física de Jessica Athayde. Inesperado somente para quem está desatento. Na primeira fila de inimigos das mulheres estão outras mulheres sob várias formas, como mães, sogras ou cunhadas. Outras mulheres também são de desconfiar. Tudo isto acontece por uma questão de biologia, passo a interpretação attenboroughiana dos géneros. As mulheres competem umas com as outras e essa competição, por vezes bastante cruel, é aproveitada e até fomentada pelo sexo oposto. São séculos de opressão em que as mulheres colaboram.

 

Os homens, por seu lado, ou gostam de mulheres ou não gostam. E gostar de mulheres não significa dizer: “Ó Jessica, não ligues que tu és muita boa!”. Não, isto é só uma tentativa de aproveitamento de uma guerra que não lhes pertence, aproveitando a fragilidade da vítima, confortada com vários “és um avião”, e das solidárias com a vítima. É, diria, assim permitida a interferência daqueles a quem na verdade as críticas da Jessica anseiam por agradar: os homens. Ao lançar a hipótese da gordura athaydiana, as críticas pretendem sondar o mercado masculino e perceber se afinal o desejo deles se coaduna com o desejo delas. Minhas senhoras, lamento informar, mas parece que não.

 

Para terminar, diria que tocámos num ponto sensível que tem estado presente nas nossas vidas desde o início dos tempos. As mulheres querem ser amadas sem serem julgadas pelo seu aspecto físico, sobretudo se for para dizer mal. Mas quando há mulheres a apontar defeitos de aparência, o alarme soa. É nessa altura que os homens devem ficar em silêncio. E é também nessa altura que a visada pode responder com a elegância da brevidade: “gorda és tu”.

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 18/19-10-14

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publicado às 18:59

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 19.10.14

Fading Gigolo (adorei).

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publicado às 19:06

Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 17.10.14

Martensen, 2001

Peter Martensen, The Flight, 2001

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publicado às 17:41

Poesia heterossexual

por Carla Hilário Quevedo, em 16.10.14

Ode to Spring

Frederick Seidel, 1936

 

I can only find words for.

And sometimes I can’t.

Here are these flowers that stand for.

I stand here on the sidewalk.

 

I can’t stand it, but yes of course I understand it.

Everything has to have meaning.

Things have to stand for something.

I can’t take the time. Even skin-deep is too deep.

 

I say to the flower stand man:

Beautiful flowers at your flower stand, man.

I’ll take a dozen of the lilies.

I’m standing as it were on my knees

 

Before a little man up on a raised

Runway altar where his flowers are arrayed

Along the outside of the shop.

I take my flames and pay inside.

 

I go off and have sexual intercourse.

The woman is the woman I love.

The room displays thirteen lilies.

I stand on the surface.

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publicado às 19:17

Ainda não foi desta

por Carla Hilário Quevedo, em 15.10.14

Kim Jong-un não esteve presente na cerimónia de dia 10, mas apareceu dias depois. Fica para a próxima!

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publicado às 21:13

Será que é hoje?

por Carla Hilário Quevedo, em 15.10.14

Hoje, dia 10 de Outubro, sugiro que estejamos atentos às notícias vindas da Coreia do Norte. É o aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores, que está no poder desde 1946. É hoje que fazem festas, cantorias, as paradas e todas essas coisas tão caras às ditaduras. Mas o importante é que desde inícios de Setembro que o nosso conhecido ditador Kim Jong un, que durante o Verão se fartou de executar, expulsar ou substituir aqueles de quem não gostava, não aparece em lado nenhum. A desculpa é ter estado doente. Mas é contra os costumes do país o Grande Líder estar ausente durante tanto tempo. Fala-se de golpe de Estado ou de destituição do Grande Líder neto por outro Grande Líder, que por sua vez é pai do pai do Grande Líder do qual vos falo agora. Voltando ao princípio. Se não aparece na festa, não é por estar doente. É por já ter sido Grande Líder. Agora deve haver outro. Seja quem for, não pode ser pior do que este. Bye, bye, Kim.  

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 10-10-14

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publicado às 21:10