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Minhas senhoras, por favor

por Carla Hilário Quevedo, em 16.06.08

É certo que os tempos mudaram. Não há outro remédio se não mudarem. A evidência não devia ser motivo de sofrimento. Bastava descontrair e beber um dry martini enquanto se via os tempos a mudar como tem de ser. No entanto, algumas alterações de comportamento não deixam de suscitar perplexidade. Comigo é este gosto desagradável que agora meninas e senhoras parecem ter adquirido pelo futebol. Não consigo perceber, confesso. Sobretudo não entendo o gosto pelo fedor do estádio e a chinfrineira dos adeptos. Pode ser divertido assistir a competições decisivas ou finais, mas sempre na paz do lar e na companhia de família e amigos em que actos de hooliganismo doméstico são permitidos e até bem-vindos. Nesse caso, não será propriamente o gosto pelo jogo que nos motiva, mas a alegria da companhia e da festa. O futebol passa a ser um pretexto. Se pensarmos bem, em tempos aconteceu o contrário: os homens assistiam ao festival da Eurovisão como se lhes interessasse alguma coisa. Mas ir ao estádio? À Suíça? Minhas senhoras, estar lá sentada? Ou de pé, não sei. A gritar pelo Cristiano Ronaldo? Não, não estou preparada para esta mudança mas bebo o dry martini à mesma.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 13-06-08.

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publicado às 20:02