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Palavra do ano: maldade

por Carla Hilário Quevedo, em 20.12.11

Quando o Pedro Neves me enviou a lista das cem palavras mais repetidas em 2011 no universo dos blogues do Sapo, percebi que aquela sobre a qual gostaria de escrever se encontrava esborrachada entre a 'vibração' que nos faz tanta falta e um misterioso 'dawn'. A tristemente célebre 'austeridade' surgia num modesto 53.º lugar, talvez por termos acordado tarde para uma realidade à qual se estava mesmo a ver que não escaparíamos. A 'austeridade' não é, na verdade, uma palavra de 2011, mas de 2012, 2013 e muito provavelmente de parte de 2014, isto numa perspectiva astrológica optimista. resolvi desistir dela quando, ao percorrer a dita lista, entre uma série de nomes próprios, de ditadores a artistas famosos ou precocemente desaparecidos, encontrei duas palavras 'esquisitas' no conjunto. A primeira foi 'maldade', num respeitável 28.º lugar, e a segunda foi 'Sagitário', em 97.º. Como não conheço bem as características daqueles que nasceram entre 22 de Novembro e 21 de Dezembro, a não ser que devem ser mais narcisistas ou fascinantes aos olhos dos outros, fiquei fixada na 'maldade', ali tão bem posicionada no primeiro terço da lista. A preocupação com a maldade num universo por natureza hostil como é a internet, sobretudo os blogues, é uma óptima notícia nos dias que correm. Pode querer dizer que as pessoas reconhecem uma realidade que aparece desculpada com a doença ou com a 'personalidade' de cada um. Assumir desta forma clara a existência da maldade pode ser uma admissão de que todos somos capazes de a cometer. Os seres humanos são bons e maus, etc. Outra possibilidade é estarmos mais atentos às imagens de maldade, quer nas séries de ficção com maus que criam uma empatia incómoda com o espectador (os casos de Dexter e do par Luther e Alice Morgan), quer no contacto diário com imagens reais de guerras e violência nos telejornais. A 'maldade' está por todo o lado. A boa notícia é não haver maldade sem bondade no mundo. A única forma de reconhecermos o que não serve é conhecermos o seu contrário. Só que a bondade não é gira nem enérgica, por isso nunca teve bom marketing. Mas existe. Descansem os sagitários, os troikistas, os austeros e os outros.  

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publicado às 13:02