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por Carla Hilário Quevedo, em 14.04.03
"Go home, humanshields!"



O Zé Diogo enviou-me um e-mail com a seguinte pergunta: Um escudo humano que não tenha morrido poderá afirmar que levou a sua missão a bom termo?



Obrigada, meu querido Zé Diogo, por tocares no assunto mais misterioso desta guerra. Quando se começou a falar dos escudos humanos, julguei que se tratava de uma nova espécie de mártires, de pessoas que iam morrer juntamente com os civis, ou melhor, que iam morrer em vez dos civis, ou que se tratava de um grupo de estrangeiros dissuasor de bombardeamentos em determinadas zonas. Como se zonas de civis + escudos humanos estivessem mais a salvo do que zonas só de civis...



Mas, com o passar dos tempos, a minha definição de escudo humano mudou. Um escudo humano é um gajo ou uma gaja sem nadinha para fazer, com espírito de turista, alma de pacifista, ex-hippie, adolescente ou com idade acima dos 50 anos e, sobretudo, alguém que está completamente enganado. Há uns dias, o maradona contou-me que viu na TVI (mais um canal de referência) uma reportagem em que um escudo humano de 18 anos dizia: "Mãe, não te preocupes comigo, porque as bombas dos americanos não erram o alvo e estamos todos no outro lado da cidade, a salvo."



A definição renovada de escudo humano é, assim, indissociável de acontecimentos como o acima descrito e das imagens inolvidáveis de crianças, mulheres e homens feridos nos hospitais ou sem vida entre os escombros. Onde estavam os escudos humanos que deveriam ter protegido aquelas pessoas?



Segundo a primeira e ingénua definição é óbvio que os escudos humanos falharam e não cumpriram a sua missão de proteger os civis das bombas e de morrerem por eles. Mas basta mudar de definição e temos uma resposta completamente diferente: não falharam porque não sabiam ao que iam e, então, o escudo humano torna-se a personagem trágica desta guerra e, por isso mesmo, anacrónica.

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publicado às 13:13

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por Carla Hilário Quevedo, em 14.04.03
A Causa Foi (Mais Uma Vez) Modificada



O blogue do Maradona tem outra imagem porque aquele fundo preto e aquelas letrinhas amarelas impediam as pessoas de lerem as maravilhas que o rapaz escreve. Gosto do fundo e o Maradona também devia gostar porque é de azul argentino (ou quase)! Com o template antigo, nunca saberia que o Maradona tinha ido à ModaLisboa e nunca lhe poderia dizer que foi porque não esteve na quinta-feira, no Frágil. Parece haver uma relação directa entre os dois eventos.

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publicado às 12:26