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por Carla Hilário Quevedo, em 14.05.03
O Mukankas diz que tem um problema com a palavra autoridade, sobretudo quando associada ao Pacheco Pereira. O facto de o Mukas (variações sobre o mesmo tema) não querer relacionar o termo com o JPP é tema para outra discussão, menos interessante a meu ver. Prefiro pegar na palavra autoridade e falar um bocadinho (o mais curto possível) sobre ela.



Auctoritas remete-nos para o verbo augeo, que significa fazer crescer, acrescentar, aumentar. O particípio de augeoautum – leva-nos a auctoritas ou, mais concretamente a auctor: “aquele que faz avançar, aquele que acrescenta, aquele que aumenta a confiança; fiador; abonador; professor; modelo; mestre; conselheiro; fonte; origem; causa.” A definição do dicionário esclarece-nos quanto à importância do autor: o autor é quem tem autoridade; é quem cria e acrescenta alguma coisa. Este conceito é extremamente interessante porque, de certa forma, recupera a ideia perdida da autoridade do autor (conceitos indissociáveis que o pós-modernismo insistiu em separar).



Seguindo a ideia de “aumento” no conceito de autoridade, a nossa síbila Maria Helena da Rocha Pereira, no segundo volume da obra Estudos de História da Cultura Clássica, diz que a auctoritas “é, portanto, algo que vem adicionar-se a uma situação já existente, e lhe confere mais peso”. E continua: “Esta noção permite-nos desde logo intuir que não se trata de uma norma com efeito vinculativo, de uma prerrogativa bem definida. É um valor intrínseco, que não se exerce pela persuasão e convicção, mas apenas e somente pelo peso da pessoa ou corporação que toma ou sanciona uma decisão.”



Julgo que é também por causa da ausência desse "carácter vinculativo" que temos tanta dificuldade em aceitar a autoridade. O reconhecimento de valor nos outros é uma prova de generosidade e desprovimento de mesquinhez. Nem todos estamos preparados para isso e nem todos fomos educados nesse sentido (para fora). O reconhecimento de autoridade tem inúmeras vantagens, sendo a que mais me interessa a competitividade. Mas o mono-diálogo já vai longo e prometi que seria breve. Prometo que o próximo post será sobre a Ana Salazar.

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publicado às 09:08