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por Carla Hilário Quevedo, em 16.05.03
A Ana Vivendi voltou a mencionar o bomba e a deixar-me toda esborratada de lágrima ao canto do olho. Obrigada! Quando é que o Modus arranja uma morada de e-mail?

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publicado às 23:09

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.05.03
O colunista infame Pedro Lomba anda angustiado com os umbigos que nesta época de calores se revelam. Diz o Pedro: "Entendam-me: não são os umbigos a causa das minhas lamúrias; é a sua beleza falsa, é a sua beleza irrealizável que me provoca tremores. Se a moda continua, garanto-vos que me planto nas maternidades o tempo que for preciso. E o umbigo das próximas gerações será um umbigo fechado." Como se separa o umbigo da beleza do umbigo? Qual o significado de beleza falsa? E de beleza irrealizável? Um umbigo não é uma coisa do género "what you see is what you get" mesmo que disfarçado com um piercing? Um umbigo prometerá algo que não está à vista? Obviamente, o Pedro não gosta de umbigos. Também não gosta dos pés? Acha que têm dedos a mais ou dedos a menos?



Mas basta de perguntas. Se o Pedro quiser responder a alguma destas questões poderá fazê-lo para bombainteligente@hotmail.com. Como não resisto, vou impingir-lhe a etimologia da palavra. Áfalos quer dizer umbigo, em grego moderno. Ou seja, sem falo. (Esta foi a explicação etimológica mais curta da história. Estou a aperfeiçoar a técnica de não aborrecer as pessoas com coisas que não interessam nem ao Menino Jesus.)

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publicado às 22:38

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.05.03
Correspondente da SRA, em Pequim



A minha querida amiga Nani escreveu uma nova crónica sobre o que se passa nesse país do absurdo - a China. Imperdível!



A cidade proibida



O estatuto de persona non grata é um rótulo tramado. Mas é assim; ser de Pequim, vir de Pequim, morar em Pequim, ter passado em Pequim, gostar de Pequim, referir Pequim é o mesmo que dizer “bom dia, trago comigo a pneumonia atípica”. Ninguém nos recebe, ninguém nos quer. Dentro de Pequim também há segregações e os bairros menos afectados rejeitam os mais desgraçados. Para não falar do infeliz indíviduo que tussa, espirre ou ande com olheiras... ostracismo e primeiro lugar garantido numa fila de supermercado.



Dá-me vontade de rir quando me perguntam “porque é que não sais daí?” Mas para onde é que hei-de ir? Por acaso os meus queridos amigos em Portugal receber-me-iam de braços abertos no aeroporto? Ou arranjariam desculpas variadas durante os primeiros 15 dias para não me verem? Pois se até o amigo norte-coreano acabou com os voos para Pequim... E que eu saiba não têm voos para mais lado nenhum, por isso a coisa é mesmo grave. Claro que é sempre possível visitar Pyongyang mas primeiro há que passar por uma quarentenazinha de 10 dias num hotel a preceito preparado para a ocasião, com água corrente quente e fria mas só de manhã e a 100 dólares por noite e por nossa conta, claro está. Promoção a não perder.



Shanghai também não nos quer lá. Aterrar dá direito a 14 dias de quarentena, também pago pelo bolso dos próprios suspeitos.



Noutras províncias são ainda mais práticos: se vem de Pequim, não há hotel que o receba. O nosso simpático aeroporto tinha noutro dia uma tabuleta a indicar os únicos hotéis dispostos a arriscar e aceitar os perigosos Pequinenses.



Então e os maravilhosos arredores de Pequim? Admitindo que se conseguem furar os vários controlos mais ou menos oficiais e passar o teste implacável do termómetro, o novo objecto fetiche chinês, sobra a ira dos camponeses que reagem de forma muito mais eficaz à visão de uma matrícula de Pequim: à pedrada.



Em Portugal, a perspectiva é ainda mais aterradora. Aterrar na lusa pátria dá direito a cobertura mediática personalizada. Porque o nosso povo prefere sempre comover-se com o caso individual a ter de aturar análises aborrecidas sobre impactos económicos e políticos de pestes asiáticas em terras tão distantes quanto desconhecidas. And I don't want to be a SARS star.



Uma última palavrinha, em jeito de comentário às declarações de um médico do Hospital de S. João no Porto (onde U-M, repito UM suspeito fez as aberturas dos telejornais durante algum tempo) que dizia que em Portugal a situação nunca seria tão grave como na China porque as condições hospitalares são muito melhores. Que tal receber 3000 doentes de uma assentada ao abrigo de um projecto filantrópico de cooperação e desenvolvimento com a República Popular da China?



Nani, no meio deles todos.

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publicado às 12:52

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.05.03
Ontem saí de casa com o objectivo de arranjar tema para o blogue. O meu destino era a loja da Ana Salazar, na Av. de Roma, a qual planeava saquear legalmente. Os meus contactos com o mundo exterior são cada vez mais raros, o que me torna mais agressiva e intolerante com os outros; os estranhos. Daí que dê por quase como certo um conflito quando me aventuro fora dos meus domínios. Às vezes, engano-me. Foi o caso desta minha ida à loja da Ana Salazar. A roupa era gira, a empregada simpaticíssima e nada chata a tentar impingir a mercadoria, a falar bem, sem dizer frases idiotas, tudo com as palavras certas. Foi tão bom que decidi voltar, para levar o resto da loja e para ver se conseguia implicar com alguma coisa. Nada. Diacho! Lá vou ter de voltar à etimologia.

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publicado às 12:47