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por Carla Hilário Quevedo, em 18.05.03
O Possidónio Cachapa (sim, eu faço um link sempre que falo de algum blogador) ataca-me no seu blogue. Bom, antes de mais quero dizer que não se trata de rancor, mas simplesmente de não gostar do que o rapaz escreve. Simples. A vaidade do Possidónio Cachapa é tanta que nem acredita que se possa não gostar do que escreve. Basta dar uma espreitadela ao seu blogue ou lermos o artigo repleto de banalidades publicado na última edição da Egoísta para percebermos que se trata de um caso único em que o nome do autor se adequa ao seu tipo de escrita.

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publicado às 18:50

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por Carla Hilário Quevedo, em 18.05.03
O Pedro Lomba, o nosso angustiado umbilical de serviço, respondeu às minhas questões. Seguem a carta do infame e a minha reacção.



Minha cara Charlotte



Vejo que temos um interesse em comum: os umbigos. A Xantipa também é uma personagem fascinante e eu bem sei que não goza de boa reputação no nosso mundo ("by the way", um rumor que dura dois mil anos é ainda um rumor?). Mas falemos de umbigos. O meu problema com os umbigos é o mesmo problema que possuo com toda a nudez humana pouco transcendente. A exibição dos umbigos é a exibição da nudez que não interessa ver. A beleza falsa, a beleza irrealizável. É a beleza dos tornozelos, das unhas, dos cotovelos, das sobrancelhas, das pestanas, das narinas, das virilhas, das orelhas (há alguma beleza num bom par de orelhas?), dos tornozelos, dos pés, dos dedos dos pés... Já pensou bem nos dedos dos pés? No dedo mindinho? No polegar? Digo-lhe: o ser humano devia ser obrigado a andar de meias nas praias. Quanto ao número de dedos, digo-lhe que me sinto perfeitamente satisfeito com os dez que tenho mas admito repensar a coisa.



É assim Charlotte. Os umbigos são perigosos. Tenho-os em má conta. Causam-me desconfiança. E não esqueça que, frequentemente, o umbigo encima uma generosa pança, o que piora as coisas. O meu post foi um manifesto anti-umbilical. Ou seja, um manifesto contra a estética do umbigo. Mas não me creia mal. Eu procuro ser construtivo.



Espero ter resolvido as suas dúvidas metódicas. Desconhecia a origem da palavra e agradeço-lhe a lição. Só não percebo porque é que áfalos é sem falo? Por que não "ao falo", isto é, perto do falo?




Antes de mais, sobre a Xantipa. Um rumor com dois mil anos é uma verdade! A Xantipa era uma mulher má como as cobras e não se fala mais nisso. Já vai sendo altura de começarmos a resolver os problemas da Antiguidade Clássica e de andarmos para a frente! Aproveito desde já para resolver outro: Homero não existiu.



Para o Pedro, há uma beleza má (inferior) e uma beleza boa (superior ou transcendente) na nudez humana. Ou seja, há partes que se devem esconder a todos o custo e outras aceitáveis que se podem mostrar ao mundo. Tudo porque é complicado definir o que é um umbigo bonito ou umas orelhas perfeitas. Discordo. E macacos me mordam (adoro esta expressão) mas tenho de voltar aos cabrões dos gregos. Nesta altura da discussão é importante definir a palavra beleza e nada mais útil do que a etimologia para nos ajudar nessa tarefa (bocejo). Omorfiá significa beleza, em grego moderno - a mesma forma. Se olharmos para as estátuas gregas, percebemos que o fundamental é a harmonia e a proporção. Não vemos um olho maior do que o outro, nem um braço mais curto e outro mais comprido. Tudo obedece a uma determinada escala e o umbigo, os pés, as orelhas etc. fazem parte deste conjunto harmónico. É por essa razão que a cara da Elizabeth Hurley é considerada perfeita.



Se os umbigos causam desconfiança ao Pedro tenho duas sugestões: análise e que passe a frequentar locais onde haja uma grande probabilidade de encontrar umbigos perfeitos.



Por último, a palavra áfalos. O prefixo a- em grego significa sem ou fora de (acéfalo, atípico, anormal). Assim, áfalos nunca poderia significar "ao falo" ou "perto do falo".

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publicado às 14:08