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por Carla Hilário Quevedo, em 26.05.03
Ramos de flores e bombons para bombainteligente@hotmail.com.

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publicado às 22:02

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.05.03
A atitude tranquila do Herman José é a de alguém protegido pelo humor que só a distância permite.

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publicado às 17:45

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.05.03
Acabo de passar pelo bordel mais conhecido de Portugal. Estou a falar do Palácio das Necessidades, claro.

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publicado às 17:38

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por Carla Hilário Quevedo, em 26.05.03
Correspondente da SRA, em Pequim



Para começar a semana em beleza, nada melhor do que uma crónica da Nani, directamente do epicentro da doença.



When the East meets the West



Com a SRA à solta e os restaurantes fechados ou vazios, as opções alimentares limitam-se à casa própria ou à casa alheia. Devido a alguma (há quem prefira a palavra notória) falta de jeito para o diálogo com os tachos, aceito sempre de bom grado a generosidade e o génio alheios.



Num desses dias felizes, depois de saborear os múltiplos pratos que alguns amigos chineses prepararam, tive o vídeo do casamento de um deles à sobremesa. Já estava preparada para algumas poses mais estudadas e para os efeitos especiais da montagem, mas como eu própria tinha assistido ao casamento não esperava outras revelações de maior.



Os primeiros minutos decorreram dentro das minhas previsões, mas eis senão quando a banda sonora do vídeo se torna, por fim, conhecida aos ouvidos ocidentais. Seria possível? Era. É. "Noite Feliz" (sim, essa mesmo, o Silent Night de Natal) a acompanhar a noiva vestida de branco a chegar ao local onde decorreu a festa. "Noite de Paz, O Senhor, Deus do Amor, lá, lá, lá, lá." "Mas isto é de Natal!", digo eu, de olhos arregalados, dedo indicador e reprovador em riste. "E depois? O que interessa é que soa bem..." foi a descontraída resposta que obtive dos meus anfitriões, que continuaram embalados e embevecidos a olhar para a noiva e a cantarolar o nascimento do Menino...



Uns minutos mais à frente, é chegado o momento em que os noivos brindam com um copo de vinho tinto, de braços romanticamente entrelaçados. Talvez seja importante referir que os casamentos chineses contratam muitas vezes um entertainer, uma espécie de apresentador que vai conduzindo o espectáculo e orientando os vários sketches dos noivos. Era, pois, a deixa do vinho. Como normalmente um copo de vinho é mais do que suficiente para entornar a lucidez de uma chinesa bem comportada, resolvi perguntar o que já durante o casamento me tinha intrigado. Ou seja, como tinha ela conseguido fazer frente ao poderoso líquido naquele dia. Sorriso malandro a fazer-me pressentir o pior: "Era Coca-Cola. Nos casamentos chineses brindamos quase sempre com Coca-Cola para os noivos não ficarem tontos. Ao longe parece vinho..."



Por mais que tentasse adoptar uma expressão favorável à multiculturalidade tinha na testa as palavras "grande aldrabice" escritas em letras maiúsculas, garrafais, vermelhas e a piscar. De repente, lembrei-me de uma semelhante história de adaptações, mas originada do lado ocidental do mundo, e conciliei-me com os chineses. Há uns anos, folheava eu o suplemento de domingo do vizinho El País, quando deparo com um artigo sobre a decoração inspirada no Oriente. Incluía a necessária fotografia com vários móveis e objectos ditos exóticos, todos convenientemente datados de uma qualquer dinastia, e um par de almofadas com os inextricáveis caracteres chineses. A legenda descrevia a cena e o ambiente nos habituais termos místicos e nebulosos. Referia-se em particular às almofadas como uma hábil, elegante e moderna forma de aproveitar os sacos onde, naqueles tempos muito antigos, se guardava e transportava o inspirador chá chinês. Mas os caracteres revelavam, infelizmente, um conteúdo bem diferente: era de sacos de batatas que se tratava. Segundo uma amiga chinesa, é sinal de muito mau gosto, com direito até a alguma perda de face, colocar um material tão reles, barato e de uso tão vulgar em exposição numa sala de estar.



Bem dizia Confúcio: "do not disobey the rites". (Analectos, 2.5)



Nani, no meio deles todos

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publicado às 17:36