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por Carla Hilário Quevedo, em 01.06.03
No blogue Voz do Deserto pode ler-se: "Não conheço pessoalmente o Nelson de Matos nem qualquer dos gatos fedorentos. Mas o apagar de alguns postes por parte do primeiro no contexto da polémica suscita-me comichões éticas."



As comichões do Tiago são perfeitamente justificadas. Não que a experiência pessoal seja condição única para partilhar desse sentimento de desconforto, mas lá que ajuda, ajuda. Passo a explicar. Há uns tempos, o Possidónio Cachapa escreveu um post sobre mim intitulado "Bomba rancorosa" (em que se referiu de facto a mim e não ao blogue). Não sei por que razão o terá feito, uma vez que não conheço a pessoa e não tinha escrito nada contra o senhor (à excepção de umas provocaçõezitas de menor importância há já muito tempo). Na sequência desse post, escrevi a minha resposta aqui no bomba. Qual não é o meu espanto, quando passados uns dias, verifico que o rapaz tinha substituído o que escrevera por uma linhita a perguntar se eu ainda sentia rancor e que ele "já tinha esquecido". Bom, lá tive de apagar parte do texto que tinha publicado aqui e que se referia exclusivamente ao texto publicado no Prazer Inculto. Mesmo o post que ficou agora no bomba não faz sentido porque se refere a outro que já não existe. Uns dias mais tarde, já nem essa linha existia, mas, dessa vez, mesmo coxo, decidi manter o meu parágrafo inicial.



Há, de facto, aqui um problema. As polémicas e os conflitos fazem parte da vida. E também os há por escrito, claro. O facto de podermos aqui alterar o que escrevemos e de porventura nos arrependermos das nossas palavras deve-nos fazer pensar bem no que estamos a dizer. Porque aqui haverá uma resposta perante todos, que poderá ser tanto ou mais violenta do que a provocação inicial. Os posts apagados deixam o outro "a falar sozinho" à frente de toda a gente e quem venha de novo e queira perceber o que se passa tomará partido inevitavelmente de um falso agredido, ou seja, daquele cujo blogue está despido de palavras inflamadas.



Julgo que se trata de uma questão de responsabilidade e de coragem. Quem não tem nem uma nem outra não deve provocar guerras nem participar nelas, para depois não ter de abandonar o campo de batalha moribundo e fazer de conta que nada aconteceu.

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publicado às 10:40