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por Carla Hilário Quevedo, em 15.06.03
Saí de casa com três problemas na mala. Felizmente, o segundo foi resolvido pelo João Miranda. Ufa... Estava mesmo a pedir a lacónica resposta "não é possível". Obrigada pelo desenvolvimento.



E o que é ser uma boa pessoa? Ando há anos a pensar nisto. Aceitam-se sugestões para bombainteligente@hotmail.com. Julgo que é uma pessoa que faz o bem e que é reconhecido por isso. Mas penso que é também alguém que elimina o mal; que o põe de lado quando o reconhece. No meio disto tudo há um exercício da verdade que é fundamental para se ser uma boa pessoa. Uma boa pessoa confunde-se, por vezes, com uma má pessoa. (Tudo isto precisa de leituras, de sugestões e de desenvolvimento. É um dos meus temas favoritos, ao qual voltarei.)



O poema de Giorgos Seferis que traduzi do grego é belíssimo (não tenho certezas quanto à tradução). Gostaria muito de traduzir um outro que se chama Negação, mas não sou capaz. Este é dedicado ao Modus Vivendi, que anda apaixonado por Ritsos.



Mais um bocadinho

veremos as amendoeiras a florescer

os mármores a brilhar ao sol

o mar a ondular



mais um bocadinho

para nos levantarmos um pouco mais alto.



(Giorgos Seferis, 1932)

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publicado às 20:00

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por Carla Hilário Quevedo, em 15.06.03
Leio no Abrupto algumas considerações sobre o que isto de ter um blogue. Leio, com redobrado interesse, os textos do Miguel, do Ricardo e do João acerca do mesmo tema: os blogues ou a blogosfera.



O que disseram fez-me pensar no que me levou a criar este blogue e para quê. É simples: o Macguffin tinha o seu Contra a Corrente e, entusiasmada, resolvi clicar no banner do blogspot para ver como era. Segui os passos, atribui o nome que o meu marido me andava a chamar (Truman não me parecia um nome tão interessante para blogue), escolhi o template, cujo autor tinha um nome grego e pronto, comecei a escrever. O "para quê" não estava definido, mas julgo que a primeira ideia foi "para me divertir". Depois veio o acolhimento supergentil da blogosfera; o reconhecimento de que o bomba existia. E assim, passei a saber que havia mais três ou quatro leitores dos meus posts e o objectivo multiplicou-se em divertir-me e dizer a verdade sem chatear as pessoas. E assim continuo.



O bomba inteligente é o meu diário selectivo; um diário que dialoga com outros, sobretudo com os que elegeu como aqueles que fazem parte da sua tribo (não é isso que fazemos na vida?). Mas é, sobretudo, um espaço em que faço o que quero, em que digo o que me apetece, tendo sempre consciência de que as minhas palavras podem provocar uma reacção menos agradável. É por isso que a blogosfera é tão estimulante: porque é um conjunto de vozes escritas que reagem quase em tempo de conversa, sendo essa conversa sempre pública; sempre escrita; sempre ouvidalida por quem queremos e por quem não queremos. Isto tem o seu preço, mas nem é assim tão alto como isso. Como acredito que quem diz a verdade não pode ser punido (não pode?), opto por essa via, porque é também o que sou, e julgo que é inevitável mostrarmos o que somos aqui na blogosfera (quanto mais não seja pela escolha das palavras, pela utilização da linguagem). E mostrar aquilo que sou não é revelar a minha vida privada (até traduzi o poema do Kavafis por essa razão).



Finalmente, o encanto da blogosfera é o de esta ser um espaço descomprometido de liberdade de expressão, em que a língua portuguesa é utilizada da maneira mais imaginativa que cada um souber. Não sabia como era e agora, como diz o outro (ou numa adaptação do que diz o outro), "estou maravilhada".

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publicado às 12:39