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por Carla Hilário Quevedo, em 30.09.03
A propósito do post em baixo lembro que a palavra xenofobia é grega (xenos = estranho ou estrangeiro + fovia = medo). Mas há mais palavras com xenos (lê-se ksenos), como por exemplo hotel... em grego, pois claro, que se diz xenodoxeío. Ou seja, o recipiente (doxeío) dos estrangeiros. Os gregos também inventaram a palavra xenofilia (amor ao estrangeiro) e xenokratia (poder estrangeiro) e também xenolatria (adoração de tudo o que é estrangeiro). Mas foi só para disfarçar.

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publicado às 22:58

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.09.03
A Modern Greek Studies Association é, provavelmente, uma das mais apaixonadas comunidades virtuais. É constituída por pessoas que se interessam por estas coisas do grego, sobretudo professores universitários. Gente civilizada, pareceria à partida. Há três anos que faço parte da lista, participando pouco e observando muito. Em três anos já muitos participantes foram expulsos do fórum por insultos gratuitos, racismo, antisemitismo e mimos do género. Mas o orgulho de ser grego nota-se em todas as participações.



Para Artemis Leontis, professora universitária e pessoa de grande prestígio na comunidade, o obituário de Elia Kazan no jornal The New York Times não está completo. Deixo-vos um excerto do obituário que não foi publicado, por falta de espaço, e o comentário de Leontis, que revela este orgulho de ser grego, que é tão diferente do orgulho de se ser outra coisa qualquer.



"Elia Kazanjoglous was born on Sept. 7, 1909, in Constantinople. He was one of four sons of George Kazanjoglous and the former Athena Sismanoglou, Anatolian Greeks living under harsh Turkish rule in the Ottoman Empire. His father emigrated to New York became a rug merchant and sent for his family shortly before World War I. Mr. Kazan attributed much to his Anatolian origins, particularly what he called in his autobiography his desire to ingratiate and his capacity to dissemble - 'the Anatolian smile' he so disliked in his father, 'the smile that covers resentment'."



E Leontis comenta: "But my thoughts about Kazan go elsewhere this evening. The New York Times remembers him as one of the greatest film directors of all times, a

Greek-American who managed to 'define the American experience for more than a generation.' 'To many critics, he was the best director of American actors in stage and screen history.' Does it get any better than this? Yet he was also a quintessential case of the Greek-American artist. Creative, passionate, angry, uncomfortable with him self and his peers, successful, complicated, stubborn, dead wrong in some important judgments and unwilling to repent. Keen to explore his roots yet cut off from the convention bound immigrant community, which repaid him the compliment by systematically ignoring him. I barely knew of his existence as a teenager - no one I knew among my parent's American born Greek friends ever spoke of the great contribution of this Greek American to American cinema. Of course I'd seen some of his movies in theatres that played American classics, but only later discovered there was a Greek story connected to the man when I saw 'America America.' In Greece, however, I found that he had a passionate following.



Nothing in his immigrant Greek upbringing prepared him for life in the arts: he had to cross the wide divide between the immigrant merchant community and the artistic community on his own, and, once he had crossed it, fended for himself. He never reached out, never sought a helping hand - and probably few were offered from his own immigrant group. Yet he was able to find a rich reserve of stories and drama when he probed deep into his 'Anatolian Greek' past as well as his uncomfortable hyphenated American present as an immigrant outsider." Não interessa o que era; o que interessa é que era grego. Um clássico.

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publicado às 10:00

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.09.03
A Vírgula pergunta-me qual é o étimo de marido. É o latino maritus, mais precisamente o adjectivo latino mas, maris, que significa viril, e que reconhecemos em palavras como masculino. Marido quererá então simplesmente dizer homem? Pois parece que sim. Em grego, a palavra para marido é andras (homem) e para mulher, yunaika (mulher). A diferença está no possessivo utilizado a acompanhar as palavras: o andras mou (o meu homem / marido) ou i yunaika mou (a minha mulher). A diferença está no que importa definir, não nos nomes.

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publicado às 00:06

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.09.03
Já aqui disse várias vezes que aprecio a liberdade acima de muito. E a liberdade de opinar está muito bem. Todos temos direito à nossa opinião, suponho. Mas a opinião não aparece suspensa no ar, sem fios. Isto para dizer que há poucas opiniões que respeito. Cada vez menos.

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publicado às 20:58

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.09.03
Do Posso Ouvir Um Disco recebi dois links para dois artigos de opinião interessantes sobre o motivo do encerramento das salas de chat. São este e este.

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publicado às 13:45

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.03
Embora com atraso, gostaria de comentar dois aparentes pormenores nas notícias do escândalo do helicóptero 15 e de a Microsoft fechar as salas de chat por incentivarem a criminalidade.



Na primeira notícia, a palavra escândalo é o problema. Não podemos ter o escândalo da pedofilia e logo depois o escândalo do helicóptero. Temo o que se seguirá. Patético.



O problema na notícia do encerramento das salas de chat (via A Esquina do Rio) é a razão apresentada não ser inteiramente verdadeira. A Microsoft é uma grande empresa, não é a Polícia. As salas de chat tinham de ser fechadas sobretudo porque não davam lucro. A partir de agora o serviço passa a ser pago (o que também obrigará a que as pessoas, de certa forma, se identifiquem, pelo uso do cartão de crédito, por exemplo) e haverá maior investimento no sistema de messenger.

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publicado às 10:37

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.03
A mosca entra muito tonta no quartinho. Depois de centenas de voltas dadas no ar, pousa no fio da aparelhagem. Aí permanece imóvel. Parece dormir. O gato Varandas, por instinto ou por mero aborrecimento dá o ar da sua graça e dirige-se ao fio, como se tivesse ouvido qualquer som suspeito. Pára em frente ao fio e olha para a mosca, que se confirma estar a dormir. A observação do gato é várias vezes interrompida por umas tentativas de aproximação do próprio bichano àquele ponto preto: corpo esticado, corpo sentado, corpo esticado... A mosca nada. Dorme como um anjinho e o perigo (ou nem tanto) mesmo ali ao lado. O jogo do levanta e senta acaba por estafar o predador persa. De sentado passa finalmente a deitado e adormece.

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publicado às 23:16

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.03
Em Da Certeza, de Ludwig Wittgenstein, leio: "A certeza é por assim dizer um tom de voz em que alguém declara como são as coisas, mas não se infere desse tom que tem razão." Reconheço a influência selvagem desta frase do Ludwig na mulher de Basil Fawlty, Sybil Fawlty, a falar ao telefone e a arranjar as unhas ao mesmo tempo: "Oh, I know... Oh, I know..."

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publicado às 13:04

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.03
Satisfaction, do DJ italiano Benny Benassi, é um dos temas de dança mais bem recebidos pela crítica especializada. Os amantes do movimento e do bricolage, façam o favor de clicar em video.

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publicado às 11:05

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.09.03
Durante estes quase seis meses de existência do bomba inteligente, tenho trabalhado na minha tese de Mestrado. O blogue tem-me ajudado a concentrar e por vezes a descobrir pormenores que antes não via nos poemas de Kavafis. Se calhar, é por estarem escarrapachados no ecrã (uma variante de estarem colados na parede).



No outro dia, tive esta conversa com uma querida amiga:



- Olha e a tese?

- Estou a escrevê-la.

- Sobre que é?

- Errr... as influências clássicas nos poemas de Konstandinos Kavafis.

- Desculpa ter perguntado. É algo que só interessa à Academia?

- Não, só mesmo ao meu orientador.



Tenho lido que, na blogosfera, há mais pessoas com o mesmo gosto pelo poeta grego, como a Ana, a Claire, o Jorge, o maradona e agora o Pedro. Como me interessa mais a questão da influência (mas isso é segredo) do que a verificação da mesma nos poemas, fico agradavelmente surpreendida sempre que percebo que os que não conheciam o poeta se deixam agora, de certa forma, influenciar por ele.

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publicado às 10:40

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