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por Carla Hilário Quevedo, em 04.09.03
Dr. Pipi! Intervenha nesta polémica e esclareça os ceguinhos sobre o que se passa com Eduardo Prado Coelho e João Bénard da Costa.

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publicado às 16:34

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por Carla Hilário Quevedo, em 04.09.03
Acabo de ler os excelentes comentários no Retórica e Persuasão ao meu texto sobre a ambiguidade ser um erro. As perguntas ou frases com o verbo ser pelo meio provocam quase sempre um problema: se qualquer coisa é, é-o para todos (qual é a diferença entre "a parede é branca" ou "a ambiguidade é um erro"?) e é-o em qualquer circunstância. E no entanto, sabemos que não é assim. Porque logo depois temos o terrível "a ambiguidade é um erro para mim". O que até nem é verdade, neste caso, porque como já escrevi no texto anterior, a ambiguidade é um erro em determinadas situações, nomeadamente aquelas em que é fundamental a clareza do discurso (notícias, relatórios, ensaios).



Tem toda a razão o Américo quando diz que a minha frase "a ambiguidade é um erro porque é algo indeterminado e vago? não demonstra argumento nenhum contra a utilização da ambiguidade, mas que apenas a descreve. A minha frase é coxa e não tenho muletas que me salvem.



Quanto à ironia, só uma coisa: quando percebo a ironia chamo-lhe ironia; mas quando não a percebo (porque estou a dormir profundamente, claro!), chamo-lhe ambiguidade. Não lhe parece a palavra ambiguidade depreciativa? Algo que é ambíguo não se percebe, é pouco claro, esconde segundas intenções, é dúbio. Como impedimos a interpretação de uma frase ambígua? Percebo que as palavras têm um sentido literal, mas também percebo que nem sempre são utilizadas no mesmo sentido. Será sempre ambiguidade?



Uma frase que é ambígua pode significar uma coisa ou outra contrária; uma frase irónica pode significar uma coisa para quem tenha capacidade para a entender e nada para quem tenha o sentido de humor de uma pinha (ora, é óbvio que uma pinha não tem sentido de humor, mas o Américo que percebe o que quero dizer, esboça um sorriso neste preciso momento, e o que pensa? "Esta Charlotte é muito irónica" e não - espero! - "esta Charlotte é muito ambígua").



Julgo que uma frase ambígua num contexto em que se exige uma explicação (e a nossa vida não é literatura, graças a Deus) é uma frase errada e que uma frase irónica não é para todos. Ou seja, a ambiguidade não serve para ninguém e a ironia só serve para alguns. Será um caso de má vontade com a palavra? Continuemos.

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publicado às 01:13