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por Carla Hilário Quevedo, em 17.09.03
Cenas da vida conjugal



(Chego à sala depois de estar meia hora ao telefone. A pergunta é do meu marido, claro.)

- Era engano?

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publicado às 22:54

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por Carla Hilário Quevedo, em 17.09.03
Na sequência do post sobre a Av. de Roma, recebi três mensagens com recordações dessa zona de Lisboa. A primeira chega do Posso Ouvir Um Disco, que tenta explicar-me quem é o homem dos Kleenex: "O homem da Av. de Roma há anos que deambula por ali e tens de comprar os lenços por mais que não queiras, não precises e só o queiras ajudar. Este tipo se vendesse a Cais obrigava-te a levá-la mesmo que não a quisesses. Faz-me confusão porque há anos que anda por ali arrastando as suas tralhas e uma mala velha num carrinho. É um rapaz novo e anda sempre limpo. Às sete da manhã lá anda ele a correr de paragem em paragem a ver se vende uns lenços. Vê-lo todos os dias lembra-me de como a minha vida é boa e como a vida de tantos é tão má." E eu que continuo sem perceber qual é o raio do homem? Será que se move no submundo da Av. de Roma?



A segunda mensagem chega-me da Sara Pereira: "O que me fez escrever hoje, foi o post sobre a Av. de Roma. Também já o tinha lido no Desejo Casar. Como também cresci lá, uma pessoa "sente-se"com estas coisas. Por vezes, vamos na rua (ainda vivo por ali), e imaginamo-nos pela mão da mãe, com sete anos a ir para a escola. Ou pela mão da avó. No meu caso, escola 24 no Bairro de São Miguel. A começar às 13h e a acabar às 18h, ou coisa parecida. Ora, no caminho que todos os dias percorria com a minha mãe, invariavelmente, levava-me a passar pelo Luanda e a comer um pastel de nata ou pela suprema onde devorava um bolinho de coco. Se fosse com a minha avó, já passava pelo Vá-vá (acho que era pela altura da minha mania pelas bolas-de-berlim). Mas sempre houve uma coisa em comum no regresso, qualquer que fosse o caminho ou a companhia: o Frutalmeidas." A Sara andou na mesma escola que o meu irmão. E eu nasci na clínica de São Miguel. Está tudo relacionado.



Recebi ainda esta mensagem do meu querido ex-colega de liceu, Jaime, que me encontrou passados muitos anos por causa do bomba. O Jaime era o meu amigo que ia lanchar lá a casa quando saíamos das aulas. E líamos livros em conjunto. Mas isso era numa época em que ter 15 anos significava ser ainda uma criança: "O Tique-Taque não foi também uma croissanterie antes de ser Stefanel? E a Nanni Strada? (onde brincávamos aos casais crescidos: "Torrãozinho, cê me compra um vestidinho da Nanni, compra?" "Claro, meu bem.") E aquela agência de bilhetes, muito pequenina, mesmo em frente à Pastelaria Roma? E a secção de revistas na cave da Livraria Bertrand? (passei lá horas e horas a ver revistas italianas de Fórmula 1) E o Clube Roma? E as casas de jogos? (muitas moedinhas lá foram gastas...) E os snookers, que agora são parte do Centro Roma?" Pois é.

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publicado às 19:01