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por Carla Hilário Quevedo, em 22.10.03
O The Amazing Trout Blog envia-me um poema bem a propósito desta discussão.



O OFÍCIO



Recomeço.

Não tenho outro ofício.



Entre o pólen subtil

e o bolor da palha,

recomeço.



Com a noite de perfil

a medir-me cada passo,



recomeço,

pedra sobre pedra,

a juntar palavras,



quero eu dizer:

ranho baba merda.



Eugénio de Andrade

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publicado às 11:42

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por Carla Hilário Quevedo, em 22.10.03
O leitor Paulo Marques pergunta: "mas porquê a comparação entre escritor e pedreiro?" A comparação vem de uma frase que utilizo frequentemente na minha vida e que é: se em vez de "amor" este tonto tivesse escrito "tijolo" era a mesma coisa. Isto porque me parece que há cada vez menos amor pelas palavras. É como se a vaidade de escritor se sobrepusesse ao que verdadeiramente interessa: ao texto. Pronto, lá vou ser bombardeada outra vez. Ah, pois vou.

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publicado às 11:36

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por Carla Hilário Quevedo, em 22.10.03
A discussão sobre os escritores e os pedreiros vai longa como se quer. Continuo a receber comentários e continuo a publicá-los.



Do blogue A Memória Inventada recebo uma resposta prática, como gosto: "A minha resposta é algo prosaica, mas é também clara e pode ser facilmente testada. Creio que todos aqueles que desenvolvem actividades APARENTEMENTE fáceis estão sujeitos ao tipo de juízo a que te referias ('ou são bons ou não são nada'). Um escritor é um tipo que escreve e o acto em si não tem nada de misterioso, excepto para os analfabetos. Qualquer um pode ficar com a ILUSÃO de também ser capaz de fazer o que o escritor faz. Logo, um mau escritor não é um escritor; é apenas mais um de nós. O mesmo acontece com os fotógrafos, por exemplo. Pelo contrário, nas profissões em que o grau de especialização é EVIDENTE, não somos tão levianos a desclassificar alguém. Um mau carpinteiro ainda será um tipo capaz de fazer uma porta, ainda que empenada. O comum dos mortais será apenas capaz de martelar os dedos. O mesmo acontece com os trapezistas de circo, por exemplo." Pois. Queres então dizer, meu caro Tulius, que a escrita não sobrevive sem uma técnica. Claro, porque a escrita é uma actividade racional. Como toda a arte.

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publicado às 11:29

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por Carla Hilário Quevedo, em 22.10.03
A Rosa tem um dia de vida e já mudou a vida da Ana Carolina, do Rodrigo e também do 7000 Nomes. A partir de ontem, passámos a ter o 7001 Nomes. Bem-vinda Rosa Leão!

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publicado às 01:48