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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.03
Tiago, também gostei desse momento. Todas as pessoas a quem mostrei a cassete (3) sorriram com a minha atitude quase infantil (que aliás julgo ter mantido durante a entrevista). É que bomba inteligente a apresentar um livro chamado O Meu Pipi num programa de nome Cabaret da Coxa pareceu-me demasiado!



Outro momento interessante do programa ocorreu antes da minha intervenção, na sala de espera do estúdio. Estou com o livro na mão. Folheio-o e sorrio. Marco o pastiche da última ceia. Um rapaz ao meu lado arranja coragem e mete conversa: "Esse livro é só para raparigas?" Está bem visto.

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publicado às 22:36

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.03
A Rata Maluka fez-me em tempos uma pergunta a que não tive tempo de responder: qual é o étimo do vocábulo amante? Parece-me que a coisa se explica assim: o verbo amar em latim, tem amans, amantis como pretérito presente na voz activa e cujo significado é aquele que ama (falta-me aqui qualquer coisa que me esqueci). Pois foi a partir desta forma que surgiram em português substantivos como presidente, estudante etc. que não têm outra forma senão essa mesma (nada de dizer estudanta e presidenta! Aaaaargh!). Latinista, please correct me if I'm wrong!

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publicado às 20:22

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.10.03
O Nuno Mota Pinto pediu-me que interviesse numa questão linguística da maior importância: "O senhor Schwarzenneger foi eleito governador da Califórnia através de um processo denominado recall, ou seja, a possibilidade de, a todo o tempo durante um mandato e reunido um número pré-determinado de assinaturas, os eleitores poderem destituir o seu Governador. Isto acontece num estado em que os eleitores são consultados inúmeras vezes para obrigar o Governo a novas despesas (sociais, de investimento, etc.), o que normalmente fazem, ou a autorizarem novos impostos, o que normalmente rejeitam. É o sítio do mundo em que a democracia directa foi levada até ao maior extremo. (...) Neste contexto, um artigo recente do Washington Post faz uma proposta linguística sobre a qual queria consultá-la. O autor refere, a certo ponto, que uma vez que se caminha para uma situação em que os cidadãos emitem opinião sem mediação e sem deliberação dos seus representantes, o termo mais apropriado para o sistema político seria idiocracia (da raíz grega idios, que quer dizer pessoal, particular, individual), em vez de democracia (da raíz grega demos, ou seja, povo, comunidade). Seguindo este raciocínio, segundo o autor, democracia directa seria um oxímoro. Chegado aqui fiquei, como se nota, totalmente baralhado. É por isso que optei por esta interpelação, porque não gostei da ideia de me definir como um idiocrata (não sei porquê, não me cai bem). Além de que levanta problemas diversos: a esquerda passará a falar em idiocratas de Abril? O Bloco e o PC farão inflamados apelos à unidade de todos os idiocratas? Não me parece que venha a conseguir chamar a alguém idiocrata-cristão sem colocar em risco a minha integridade física. Ilumine-nos por favor!"



Está bem. Idiocrata tem, de facto, o sentido de força do privado, do próprio. Não sei como a esquerda poderá falar de idiocracia. Mas pode falar de democracia, o que já não é mau. E haverá necessidade de uma substituição de termos? Precisaremos de falar de idiocracia ou de democracia? Fará sentido dizer que a idiocracia é da direita quando se trata de um sistema de eleição que não tem tanto a ver com a posição política como com o peso da liberdade individual?



A questão parece-me ser a seguinte: neste caso do recall americano não estamos perante um caso de democracia como a conhecemos. Se a realidade é nova é possível que se tenha de encontrar uma nova palavra para a descrevermos (and yet this does not seem right). Idiocrata parece-me muito bem, Nuno. Até pela evolução semântica da palavra: de privado, ídios passou a significar semelhante - os vários privados têm o poder de intervir com um interesse semelhante. Não lhe agrada o epíteto de idiocrata porque é uma palavra cuja fonética se aproxima perigosamente da palavra idiota (e que significa em grego antigo, o indivíduo - a raiz é a mesma: ídios). O exercício, nesse caso, será o de se lembrar da palavra putativo, que significa suposto, e que não tem nada a ver com putas.

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publicado às 19:27