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por Carla Hilário Quevedo, em 29.10.03
Hoje estou particularmente bem disposta (sem nenhuma ironia o afirmo). É por essa razão que dedico agora algumas palavras ao blogue Vareta Funda, que meteu a pata na poça.



O Belo Menir demonstra no seu último post, Requiem para o MEU Pipi, uma incapacidade de gozar as coisas boas da vida enquanto existem, como aliás a maioria dos Portugueses. Trata-se de um exemplo clássico de uma espécie de mesquinhez lusitana do "bom mesmo era dantes". É falso que os primeiros textos do Pipi sejam melhores do que os últimos. Mais: os textos inéditos que estão no livro do Pipi são os melhores de sempre, o que augura a uma produção ainda com mais qualidade por parte do autor. A mesquinhez (repito) e a falta de generosidade (uma redundância) do post do Belo Menir é típica do português aflito com a possibilidade de que os outros não só são muito melhores do que ele (português), como, ainda por cima, podem melhorar: uma ideia impossível de suportar.



Vejamos o que diz o Belo Menir: “Não foi pela publicação, que mais público não podia ser o Pipi. Estava disponível, 24 horas por dia, para todos. Não foi pela exposição suplementar, porque um blog chega muito mais longe do que um livro. Terá sido apenas pelo prestígio de ter um livro editado? Pelo dinheiro?” Mas afinal qual é problema? Desde quando é que um blogue pertence ao mesmo universo dos livros? E qual é o problema de o autor querer fazer dinheiro com o que escreve? O mal só pode estar numa espécie de pessoa medíocre, para quem é intolerável o sucesso dos outros.



Em relação a isto, preciso de dizer que o problema do anonimato do Pipi é este: se o Pipi for o vizinho do lado, um gajo normal, um tipo de quem nunca ninguém ouviu falar, só essa suspeita é suficiente para atiçar a inveja colectiva. E é esse o grande medo das pessoas que escrevem este tipo de posts. Quanto à identidade do autor, de quem tanto se tem falado com tantas certezas, seja em que direcção for, só vos posso dizer que apenas o autor poderá dizer como se chama. Mais ninguém. Provavelmente, isso nunca acontecerá.



O facto de o pronome estar todo em maiúsculas no título do post do Belo Menir revela que o autor acha que o Pipi é dele (o que dito assim é, no mínimo, patético) e que a criação do próprio blogue Vareta Funda se deve à existência do Pipi. São ambas atitudes de uma avareza insuportável. O Belo Menir diz que está saudoso de um Pipi que dedicava a sua vida ao blogue e aos outros. Só por isso dedico ao Belo Menir um sólido getalife! Está na altura de procurar outra musa... Não. Tenha calma. O Pipi voltará e o Vareta Funda poderá continuar a respirar.



Finalmente, um comentário sobre a seguinte frase insultuosa: “Uma senhora viu nos textos do Pipi uma oportunidade editorial e seduziu-o.” Parece-me uma frase proferida de má-fé. O que acha que ando a fazer? A aliciar blogueadores para proveito próprio? A seduzi-los? Não lhe passa pela cabeça que a minha admiração por esse blogue me levou a fazer o que fiz? Que me levou a fazer todos os possíveis para que mais pessoas desfrutassem do humor e da inteligência dos textos do Pipi? Uma coisa é certa: na blogosfera acontece o que aconteceu sempre. Há medíocres, há miseráveis, há invejosos e esses também têm os seus blogues.

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publicado às 19:08