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por Carla Hilário Quevedo, em 31.10.03
Sobre o insulto e a liberdade de expressão



Gosto muito, muito da blogosfera. Todos os que lêem o bomba e aqueles que me conhecem sabem disso. Ora na blogosfera há de tudo: palermas, invejosos, imaturos, engraçadinhos, bons escritores, gente de bem, um génio, pessoas educadas, gente civilizada e muitos, imensos selvagens. Por mim, tudo bem. Pois é a vida ela mesma. Quando me passeio alegremente por aí, leio muitas vezes insultos dirigidos a mim (completamente gratuitos uma vez que não actuo contra nenhum blogue e raramente reajo a essas palavras infelizes). Curioso, penso. Mas a liberdade de expressão vale isto e muito mais. E vale que eu responda sempre que queira, com a mesma intensidade ou com ainda mais violência se assim entender. Porque essa liberdade é de todos. E é minha também.



Entendo a liberdade de expressão também como uma espécie de "quem vai à guerra dá e leva". Se me insultam e respondo, não têm de haver ganidos de dor e de lamento por isso. Quando me insultam, a situação torna-se irreversível e isso é muito bom. Equilibra a balança. Torna-nos mais saudáveis, mais disponíveis para as pessoas de quem gostamos e que nos querem bem. É quase um processo catártico fundamental nas relações de afecto, sejam elas meramente blogosféricas (anónimas) ou de amizade profunda. E não tem mal nenhum que assim seja.



Se não houvesse liberdade de expressão, talvez conhecêssemos menos as pessoas. Assim, conhecêmo-las um bocadinho melhor. E sobretudo mais depressa.

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publicado às 19:14