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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Anda tudo a elogiar a entrevista do Presidente da República, na RTP. Aquela parte dos palavrões incomodou-me um bocadinho, embora não tenha percebido exactamente porquê. Foi José António Lima, no Expresso, que explicou a razão do meu mal-estar: "Mas naquela que constituiu, talvez, a sua melhor entrevista como Presidente, houve um momento lamentável. Sampaio não pode, a propósito das escutas telefónicas dizer o que disse com a maior das leviandades. 'Rio-me e faço brincadeiras' (com a hipótese de estar a ser escutado). 'Agora ouçam lá o que estou a dizer. Zás! Cinco palavrões!' Quem faz as escutas é gente desprezível e sem qualificação, semelhante aos esbirros da Pide e da Gestapo como dizem alguns? Ou são funcionários públicos a mando das determinações de um juiz e num regime democrático? Já nem o Presidente da República mostra respeito pelo funcionamento das instituições judicias e das leis que ele próprio promulga?"

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publicado às 23:33

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Calma, Mephisto! Sossegue, criatura nauseabunda. Falarei sobre mais disparates. A seu tempo. É que um disparate é pouco, mesmo que seja grande. Como é o caso do seu blogue... inteiro. E agora uma carucha para ilustrar este post ;-)

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publicado às 22:30

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Cenas da vida conjugal



- Querida, hoje temos Pacheco e Marcelo!

- Hihá!

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publicado às 20:37

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
A solução do problema



Julgo que Ludwig Wittgenstein gostaria da criação dos smiles na Internet. Digo isto porque já Wittgenstein utilizava essas caruchas nas suas aulas para ilustrar o seguinte: “Se fosse um bom desenhador, poderia transmitir um número inumerável de expressões com quatro traços. Palavras como ‘pomposo’ e ‘imponente’ podem ser expressas através de caras. Ao fazê-lo, as nossas descrições seriam muito mais flexíveis e variadas do que o são enquanto expressas por adjectivos. (...) De facto, se queremos ser exactos, usamos um gesto ou uma expressão facial” (Aulas e Conversas, Ludwig Wittgenstein, tradução de Miguel Tamen, Cotovia).



Os smiles são, como sabem, aqueles bonequitos com um sorrisinho ou vermelhinhos raivosos ou com ar tristonho ou com um coração de lado etc. Cada expressão de cada smile tem um significado diferente e dá um aspecto ao que queremos dizer. Porque as palavras não chegam. As que utilizamos para responder a uma pergunta são as mesmas que utilizamos para responder a outra totalmente diferente. As carinhas desenhadas estão assim mais perto dos juízos do que os adjectivos.

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publicado às 18:51

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.03
Gostar de gostar de gostar de...



Dizemos muitos disparates diariamente. Imensos. Utilizamos muito as palavras às três pancadas porque temos problemas de pensamento, de limpeza de cabeça, de arrumação e de grande falta de espírito crítico e ainda de incapacidade de pormos em causa as frases que damos por garantidas como verdadeiras ou como aquelas que fazem sentido. Só problemas.



Tenho lido por aqui e por ali esta frase: “gosto muito de gostar”. É uma frase que ouvimos da boca de qualquer manequim ou ainda de intelectuais, de jogadores de futebol e de políticos. Mas a frase tem um problema que não é exclusivo da língua portuguesa (o verbo é transitivo em inglês, alemão, espanhol, francês e grego, por exemplo): o verbo gostar em português é regido pela preposição de. Ou seja, não podemos, por razões de sintaxe, apenas gostar. É uma frase que soa bem a muitos, dá um ar poético (ugh!) à coisa e convence os distraídos. Mas é um disparate. Sem consequências graves. Mas é um disparate.

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publicado às 18:50