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por Carla Hilário Quevedo, em 23.11.03
Gostei muito da entrevista na SIC Notícias ao escritor António Lobo Antunes. (Descansem os que não viram porque repetem com certeza.) A propósito das palavras de Lobo Antunes, lembrei-me da palavra texné, que significa arte em grego (técnica), e de poiesis, que significa poesia (do verbo poiéo, que significa fazer). Gostei da entrevista porque me disse coisas bonitas. O costume quando se gosta de alguma coisa.

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publicado às 23:33

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por Carla Hilário Quevedo, em 23.11.03
O texto sobre a utilidade da leitura, escrito pelo Pedro Lomba, pede, como todos os textos com interesse, que seja tratado como um cadáver pronto a ser autopsiado. O que é a interpretação senão uma autópsia? "Hm... morreu de excesso de adjectivos", é uma frase improvável mas até possível na actividade crítica.



Passemos ao corpo. O Pedro indigna-se com a quantidade de escritores que agora desataram a publicar feitos loucos. Ora se publicam é porque há interesse por parte das editoras em publicá-los e é porque o mercado aguenta com essa quantidade toda e mais que venha. Pois eu, ao contrário do Pedro, dou as boas-vindas a todos os novos autores. Só pela diversidade podemos reconhecer a qualidade literária (que é, de facto, pouca). Escrever dá muito trabalho e o resultado é muitas vezes uma merda. Dar 15 euros por um livro que demorou não sei quanto tempo a escrever é equivalente a nada (concordo com o Miguel Esteves Cardoso quando disse isto numa entrevista ao JPC). Compramos barato um dos trabalhos mais sofridos e custosos de sempre. Mesmo quando o livro é uma porcaria (ou seja, mesmo quando o livro não nos diz nada), é barato.



O texto do Pedro tem quatro golpes: "Quererão os novos autores ser «pessoas especiais» ou «pessoas boas» como são pretensamente os escritores? Quererão exibir inteligência e finura de espírito? Ascender socialmente? Ganhar dinheiro?" São quatro perguntas às quais cada um responderá de maneira diferente. À partida depende do escritor.



Insisto e tento. Julgo que podemos desde já excluir a quarta pergunta. Na minha vida tenho uma máxima que é esta: value for money. E não sou escritora. A maioria dos escritores não percebe o mercado (como percebem, por exemplo, a Margarida Rebelo Pinto ou a J. K. Rowling) e assim nunca ganha o correspondente ao trabalho que teve e à felicidade que deu aos seus leitores.



Quanto à ascensão social parece-me haver uma confusão no texto do Pedro.



A exibição de inteligência é legítima. Qualquer pessoa pode exibir o que quiser (err... bem, nem tudo, senão vai preso). E nós somos livres de escolher aqueles que, para nós, têm mais qualidade. Claro que há pessoas que decidem o que é bom, o que é a boa arte, a boa literatura etc. E nós lá andamos. Seguimos ou não essas decisões.



Quanto à primeira pergunta, não sei. Sinceramente, não sei o que querem os escritores. E, muito provavelmente, nem eles sabem. Mesmo que o digam.

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publicado às 21:52

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por Carla Hilário Quevedo, em 23.11.03
Escrevi ontem um post em que falava da única distinção que faço entre as pessoas: inteligentes e medíocres. A distinção não é simétrica (mas um post é só um post): o antónimo de inteligência é estupidez ou idiotice ou seja o que for. Há pessoas inteligentes medíocres. É o caso das pessoas incapazes de eficiência (leia-se, de porem a inteligência em prática).



A este respeito, recebi a seguinte mensagem do Miguel: "As pessoas medíocres e inteligentes não abarcam a maioria das pessoas... Onde ficarão afinal as não-inteligentes-de-bom-coração?"



A verdade é que em cerca de 15 anos de vida adulta, nunca conheci ninguém bondoso que não fosse inteligente. Tive sorte. Daí fazer a distinção com este à-vontade. De maneira inconsciente, é provável que associe a inteligência à bondade, embora haja vários exemplos que provam que a maioria das pessoas não são não inteligentes de bom-coração.

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publicado às 20:49