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por Carla Hilário Quevedo, em 16.02.04
Cenas da vida conjugal



- Querida, Medeia!

- Onde?

- Na televisão estão a dizer: "a distância que medeia..."

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publicado às 21:44

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.02.04
Eu sabia que isto estava escrito em qualquer lado (2)



"Pois não deves entregar-te a atitudes infantis; já a tua idade tal coisa não permite." Odisseia, I, 296-297.

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publicado às 20:12

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.02.04
Eu sabia que isto estava escrito em qualquer lado (1)



"Sei uma coisa muito importante: a quem me fez mal, respondo-lhe com terríveis ofensas." Arquíloco, século VII a. C., não se sabe muito bem quando.

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publicado às 20:09

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.02.04
Mais um texto para o título proposto, desta vez de um blogue cujo nome nunca deixa margem para erro.



O espirro de Telémaco

Texto de Políticos, esses filhos da mãe



Telémaco andava triste. Não conseguia conformar-se com a ideia de se chamar Telémaco. Depois da escola, costumava sentar-se sozinho a contemplar o mar de Jônio, mergulhado no seu angustioso fado. Estes momentos de introspecção só eram cortados pela triste figura do pai a lavrar a areia da praia, fazendo-se passar por maluco, para não ir para a Guerra de Troia. Consta que Ulisses, chegou a meter os papeis como “objector de consciência”, mas Palamede, o Paulo Portas lá do sítio não deixou. E deste modo Ulisses teve mesmo de assentar praça. Com o passar dos anos, a angústia de Telémaco ia aumentando. Não perdoava a Ulisses e a Penélope, aquele triste momento em que o baptizaram com aquele horripilante nome. Os colegas da escola gozavam-no sistematicamente.



Um dia, Ulisses disse que ia comprar cigarros e só voltou passados muitos anos. Durante esse período Telémaco tentou dar a volta à mãe para irem ao registo mudar de nome. Penélope nunca vacilou. Nesse período, Penélope, fez de pai e mãe, lutou pela manutenção de alguma estabilidade no lar, batalhou pela educação do filho, fez de tudo para que nunca faltasse comida na mesa, umas calças Levi's e uns ténis Nike nos pés de Telémaco. Era o mínimo que podia fazer. Que gozassem com o nome do filho, mas já mais fariam pouco da sua indumentária. Penélope chegou a deitar as cartas, para ganhar mais algum. As suas profecias no Tarot tornaram-na famosa. Chegou a fazer programas de televisão.



Durante a ausência do patriarca da família, ouviram dizer a Homero que Ulisses tinha construído um cavalo, lá para os lados de Tróia. Desconfiaram, ele que em casa nunca mexia uma palha. Ainda por cima havia relatos de que em Tróia ia era ser construído um casino. Homero era uma mistura de Camões com Nuno Rogeiro. Descreveu o período em que Ulisses esteve fora como uma grande odisseia, em que este batalhou contra tudo e contra todos para voltar a casa. Invariavelmente perdia-se no caminho. Homero nunca o revelou, mas Ulisses tinha uma fraqueza pelo álcool, sendo esse o verdadeiro motivo da sua desorientação. Eólo ainda o ajudou indicando-lhe o caminho de casa. Pôs-lhe vento de Oeste numa sacola, mas a pinga falava mais forte, e trocou o vento por um tinto da Sicília. Pelo meio engraçou com Calipso, uma deusa jeitosa de uma ilha com o seu nome. Por lá ficou sete anos. Desgraçou-se ainda mais no álcool e nas deusas (mulheres). Mistura explosiva, esta. Entretanto e aproveitando-se da sua beleza, Penélope permitia que meia dúzia de voyueristas aportassem em Ítaca, só para a verem, a troco de alguns cobres, por forma a manter pelo menos aparentemente o seu nível de vida. Alguns iam mais longe e pediam-na em casamento. Penélope que era conta a bigamia, aguardava por uma notícia de Ulisses. Estaria vivo ou morto?



Penélope não gostava do sogro. Começou a fazer-lhe um cachecol, mas durante a noite, desmanchava-o para que não ficasse pronto, e assim não teria que lho oferecer. Por fim Ulisses chegou a casa. Deparou-se com esta cheia de tarados sexuais, desejosos por tomar o seu lugar, ávidos por se deitarem com Penélope. Ulisses passou-se da cabeça. Disfarçou-se de pedinte e fez-se passar por mais um pretendente. Telémaco reconheceu o pai. E apesar de magoado com a graça dada pelos pais, o sangue falou mais alto e decidiu ajudá-lo. Num ápice deram cabo dos tarados todos. Só que estes parecia que se multiplicavam, mais que os vendilhões do templo (um episódio que haveria de acontecer mais tarde com um tal de Emanuel). Então, Penélope farta daquilo tudo, decide que quem descobrisse o código do cartão de crédito de Ulisses se casaria com ela. Todos tentaram e não conseguiram. É então que chega Ulisses disfarçado. Ao mesmo tempo que era gozado, vai clicando no POS e voilá...



Entretanto, Telémaco tinha feito um amigo. Um filho de um rei tailandês que tinha vindo a mando do pai, tentar a sua sorte com Penélope. O Tailandês estava com o vírus da gripe da aves. Por causa disso Telémaco estava engripado. Tinha passado tempo de mais junto do Tailandês. E espirrava, espirrava, espirrava. Telémaco tinha finalmente descoberto que a razão da sua angústia, não era o seu estranho nome, mas sim as dúvidas que tinha em relação à sua orientação sexual. Os deuses finalmente viveram felizes para sempre. Ulisses com Penélope. Telémaco com o Tailandês. Telémaco, o primeiro deus gay da história, continuava a espirrar.

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publicado às 20:03

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.02.04
Embora de férias da Tasca, o Bom Selvagem respondeu ao desafio de hoje e escreveu um texto para o título que propus. Que essa pausa seja proveitosa e, sobretudo, breve.



O espirro de Telémaco

Texto de o Bom Selvagem



Desde que o papá Ulisses se retirara para o holiday luxury island resourt da Circe que o nosso Telémaco (Teté) estava muito magoado, sofria de profundos traumas emocionais que se reflectiam no seu desenvolvimento cognitivo. Odiava sangue e, nas aulas de hecatombes, a única coisa que lhe dava coragem para degolar os animais era a perspectiva de lhes aproveitar as peles para fazer vestidos de senhora. Era humilhado pelo resto da turma e passou a vestir-se de negro a usar piercings na cara e a pintar o cabelo de cores berrantes.



Ficava horas na cozinha a preparar bolinhos que decorava com amoras silvestres, indiferente às orgias e festins de porcos da criação pai postos em espetos e depois comidos alarvemente (sem o uso de talheres!) e às pilhagens da anforeira do pai onde era guardado o melhor vinho melífluo... E a mãe? A Pepi não lhe dava carinho, passava o dia agarrada à máquina de costura a entoar canções do António Calvário, cheia de saudade de Ulisses.



Ora um dia, Teté estava na cozinha a fazer bolinhos de mel para a Pepi. No final resolve polvilhar os bolinhos com açúcar em pó e espirra "ATCCHHUMM" ficando completamente branco de pó, mas não se apercebe porque naquele tempo não havia espelhos. Bom, pelo menos nas cozinhas dos aqueus não. Era proibido. Não pergunte porquê, também não sei.



E depois ele sai da cozinha e tem de passar pela mesa dos convivas que já estavam bem ébrios, montes de anforas espalhadas pelo chão, taras desperdiçadas em vez de irem para o Anforão, e eles cantavam e riam e nisto, vêem o nosso Telémaco e julgam ver o espírito de Ulisses, um fantasma! Fugiram em debandada para grande espanto do atónito Telémaco. Só percebeu o que se passou depois do Ciclopatas (o seu fiel cão zarolho) lhe ter lambido o açúcar da cara com gosto. É evidente que isto é ficção. De facto Telémaco não espirrou naquele momento, andou feito parvinho à procura do pachorrento pai, que lá acabou por voltar a casa e resolver a situação de uma forma bastante mais sanguinária. E tudo por causa de um espirro de Telémaco que não o foi. O destino tem destas coisas.

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publicado às 18:18

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por Carla Hilário Quevedo, em 16.02.04
O espirro de Telémaco



Gosto deste título, embora não tenha texto para ele. Mas não faz mal. Algum blogueador ou leitor poderá preencher essa lacuna e enviar o texto para este título para bombainteligente@hotmail.com. A história: o filho de Ulisses, Telémaco, espirra depois de Penélope predizer o destino dos pretendentes. Penélope ri-se com o espirro que ecoa nas paredes do palácio e toma-o como uma confirmação das suas profecias (Od., XVII, 541-547). Se em vez de o espirro de Telémaco, preferirem o riso de Penélope, estão à vontade.

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publicado às 11:05