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por Carla Hilário Quevedo, em 21.02.04
A doença mental começa com uma espécie de ventania que não só nos despenteia, como arranca as casas do chão e eleva-as bem alto para depois, quando passar o vento brutal, as deixar cair desamparadas. Estateladas no chão, acabam por restar pedacinhos de coisas outrora bonitas: recordações de viagens, retratos pintados e fotografias de família, fotografias na praia, sofás de pele antiga, escrivaninhas de madeira escura com chaves que nunca fecharam nada, livros, gira-discos velhos e discos de vinil, rádios muito grandes, tábuas de passar a ferro, ferros pesados e lençóis brancos de algodão puro. A ventania passa e tudo o que era precioso fica feio, sujo, desarrumado e partido. E assim aprendemos o sentido da palavra irreversível sem o querermos.

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publicado às 17:01