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por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.04
Temos uma sessão de chapada blogosférica a decorrer entre a Papoila e a Maria Limonada. Tem sido uma discussão acesa, animada e bruta, como convém. Podem pensar que do que gosto mesmo é de ver o circo a pegar fogo. E pensam bem. Sobretudo agora que me sinto uma espécie de anciã de bengalinha, cansada de me meter em zaragatas e bulhas de cão e gato, já sem forças para sussurrar sequer o meu tão amado ge-ta-li-fe, mas orgulhosa das amigas jovens de sangue na guelra e pêlo na venta (espera! pêlos é que não). O que esperava a Maria Limonada ao meter-se com a Papoila? Ai, ai… estas gaiatas… De uma inconsciência, esta miudagem… Pronto, lá teve de levar a mordidela do mês. E eu que até sou uma bota-de-elástico nestas coisas da adopção de crianças por casais homossexuais. Coisas.

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publicado às 23:45

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por Carla Hilário Quevedo, em 30.03.04
Leio o texto em baixo e reconheço-lhe uma série de buracos - de crateras! -, além de ter bocejado aí umas dez vezes de seguida num curtíssimo espaço de tempo. Mas calma! Nada de excitações. A neurose é coisa séria mas complicada de resolver. E as varinhas mágicas deste mundo em que baú estarão metidas? Aquela coisa do abracadabra e está tudo perfeito é que era... diabos. Olhem, como diz a triciclofeliz, a dos olhos pulcros, merdinha para isto.

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publicado às 23:50

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.03.04
Sobre a leitura, a escrita e a neurose



Nota inicial: este texto refere-se à leitura e à escrita de textos de análise ou de opinião.



As pessoas não sabem ler. Mesmo as que o sabem, não o sabem de facto e mesmo as que lêem muito bem e que não só percebem o que lêem como, ainda por cima, desenvolvem o que acabaram de ler, também, um dia, hão-de ler mal. Não há volta a dar-lhe. Estamos todos metidos neste panelão de mal-entendidos. Essa incapacidade na leitura ou ausência de talento ou falta de concentração atinge o seu auge na blogosfera. E quem não sabe ler, muito dificilmente saberá escrever e a confusão instala-se. Lemos mal algo que por sua vez está mal escrito e que não oferece nenhuma outra hipótese excepto a de ser mal lido. E não saímos daqui.



A meu ver, há um problema principal que contribui para uma leitura errada e uma escrita pior: a neurose. E a neurose consiste em (resumindo) deslocar os problemas. Exemplo de neurose na escrita é o insulto deslocado que muito se lê pela blogosfera fora: o blogueador ataca x ou y porque não pode atacar o patrão, ou o funcionário, ou o marido, ou a mulher ou o carteiro, seja quem for que de facto deseja insultar, mas que não o faz por confundir os sujeitos. Quando os blogueadores insultados não respondem, lá voltam os escritores neuróticos à carga. E é assim que o silêncio dos insultados funciona como um espaço de libertação para os ferozes insultadores. “Ah, o gajo está calado, ‘bora bater mais porque ele não responde.” Ora no dia em que o blogueador insultado se cansa do papel que não pediu a ninguém – o de psiquiatra, que ouve, ouve e nada diz – e responde à letra, o insultador, de corajoso escriba anónimo passa a ratazana de esgoto e desaparece. A neurose passa a medo e fica tudo bem. O equilíbrio é restabelecido.



Outro problema é o da neurose na leitura. Aliás, o problema começa aqui. E o que é isto de ler “outra coisa”? É uma chatice. Lê-se “outra coisa” por muitas razões, mas sobretudo porque a coisa que importa resolver não foi resolvida e, de repente, há uma possibilidade de a ver resolvida ali. Quando lê “outra coisa”, responde a essa “outra coisa” e a bola de neve vai rolando e aumentando.



Por isso, não há nada a perder. Eu sei que serei inevitavelmente mal interpretada por alguém. Há-de haver sempre alguém que lerá tudo ao contrário, por estar o próprio “todo ao contrário”. A responsabilidade não é tanto a de quem escreve, mas a de quem (e como) lê. E para ler bem é preciso ter a cabeça bem arejada e sim: é preciso ser saudável. Mesmo assim não há garantias de uma boa leitura, mas pelo menos há uma maior probabilidade de compreensão do que está escrito. Felizmente, há no mundo pessoas saudáveis e bons leitores. E uns são muitas, muitas vezes, os outros.



E não, não vou agora falar do preconceito. Fica para a próxima.

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publicado às 20:39

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por Carla Hilário Quevedo, em 29.03.04
Otoverme do dia: hug me, hug me, kiss me, squeeze me, hug me, hug me, kiss and caress me. Kevin Lyttle, Turn me on.

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publicado às 13:38

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.03.04
Etimologia hebdomadária



A palavra para hoje é ciclotimia. Ora kúklos está-se mesmo a ver que significa círculo. Já traduzir thymós é uma tarefa mais difícil. Thymós será o ânimo, os humores, as paixões. A ciclotimia é um desvio de personalidade ou uma doença que se caracteriza pela instabilidade marcada de humores: de manhã, eufórico e à noite deprimido. Sim, somos todos um nadinha neuróticos, mas não, não somos todos ciclotímicos.

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publicado às 23:55

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.03.04
Os últimos dias de Immanuel Kant, de Thomas de Quincey, (muito bem) traduzido por José Miguel Silva e editado pela Relógio d'Água, é um livro cuja leitura aconselho. O génio filosófico de Kant é muitas vezes difícil de entender, mas nada que não se consiga com trabalho, entusiasmo e dedicação. Nesta minibiografia de Kant, conta-se como a nobreza de atitude coincidia (ou seria uma consequência ou talvez uma causa) com o que escrevia. Fica um excerto longo do texto para aguçar a curiosidade de ler.



"Não havia nenhum amigo que não considerasse dia de prazer festivo o dia em que almoçava em casa de Kant. Sem que se desse ares de mestre, Kant era-o de facto e em sumo grau. A tertúlia era toda ela sazonada pela sua exuberante inteligência, que incidia com naturalidade e sem afectação sobre todos os tópicos à medida que os caprichos da conversação os iam sugerindo, e o tempo fluía com rapidez da uma às quatro, cinco da tarde, ou mais até, de forma agradável e frutuosa. Kant não admitia calmarias, que era o termo que empregava para nomear as pausas momentâneas na conversa, quando a vivacidade se reduz. De um modo ou de outro, arranjava sempre maneira de reacender o seu interesse; e nisso era servido pelo tacto com que sabia sondar os interesses particulares de cada convidado ou a natureza dos seus estudos; e acerca desses temas, fossem quais fossem, sabia sempre falar com conhecimento de causa e com fascínio de um observador original. Os acontecimentos locais de Königsberg só conquistavam espaço à sua mesa quando assumiam real importância. E, o que pode parecer ainda mais singular, Kant raramente, ou mesmo nunca, dirigia a conversa para alguns dos ramos da filosofia que fundara. De facto, estava completamente isento dessa falha, que afecta tantos savants e literati, de não tolerar a presença de pessoas cujos estudos lhes pudessem ter barrado qualquer simpatia pelas suas próprias investigações. O seu estilo de conversação era comum ao mais alto grau, sem vestígios de escolástica; tanto assim que qualquer estranho que conhecesse os seus livros, mas não o homem, dificilmente poderia acreditar que fosse este afável e ameno conviva o autor da profunda Filosofia Transcendental." (pp.15.16)

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publicado às 13:01

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.03.04
Verdades absolutas: o mundo não se divide em bons e maus, bonitos e feios, inteligentes e burros. O mundo divide-se entre as pessoas de bem e as que gostam dos desfiles da Fátima Lopes.

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publicado às 12:31

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.03.04
Moda (4)



Chega de brincadeiras. Falemos de coisas sérias: de matemática; de filosofia e de música.

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publicado às 14:54

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.03.04
Moda (3)



Gosto muito, muito:



- da exuberância deste homem;

- de tudo e mais alguma coisa desta dupla.

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publicado às 14:53

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.03.04
Só maçadas (5)



Ter pela segunda vez no espaço de uma semana quatro convites para quatro festarolas e continuar sem o dom da ubiquidade.

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publicado às 00:05

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