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por Carla Hilário Quevedo, em 03.03.04
Sobre a pena de morte (3)



Os pais das crianças que morreram (falo ainda do caso Dutroux) estão à espera de um castigo. Mesmo que esse castigo seja a prisão perpétua, isso não servirá de consolo. Porque o ser humano habitua-se a tudo e Dutroux pode até ser feliz na prisão.

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publicado às 21:14

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por Carla Hilário Quevedo, em 03.03.04
Sobre a pena de morte (2)



A verdade é que perante a imagem do Marc Dutroux, o único desejo que tenho é que o homem seja condenado à morte. E isto porquê? Porque o crime que cometeu é hediondo. Porque violou e matou crianças. E aqui está o meu problema. Matar crianças é diferente de matar adultos? Matar seis é diferente de matar um? E é nesta altura que os meus valores morais vão por água abaixo.

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publicado às 21:13

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por Carla Hilário Quevedo, em 03.03.04
Sobre a pena de morte (1)



Sobre a pena de morte já li algumas reacções interessantes. A Maria Limonada diz que não se pode (mas tem um bocadinho de pena). A Papoila é da mesma opinião. O Tulius Detritus acha que é a discussão está viciada à partida e não está disposto a levar-me a sério (e faz ele muito bem, porque também não o levo a sério… achavam que eu ia dizer que também não me levo a sério? Essa piada está gasta). O Caso Arrumado faz uma apresentação jurídica do tema (coisa que desde já agradeço, bem como à Papoila). O 7000 Nomes diz que nunca, jamais, em tempo algum, a Soinico diz sempre e a Ana Albergaria grita “fritem esses filhos da mãe!” do outro lado da bancada.



Começo por dizer que, num aspecto, sou muito parecida com a Ana: não tenho espírito de conversão. Como a Ana, não pretendo convencer ninguém de nada nem justificar-me sequer. Percebo a Ana Albergaria, mas há um pormenor que tanto o Caso Arrumado como a Papoila indicam que me parece fundamental: a possibilidade de erro. No blogue políticos, esses filhos da mãe, está um post que exemplifica isso mesmo. Condenar à morte um inocente é condenar à morte um inocente a mais e isso parece-me já suficiente para me acalmar. No entanto, se admitirmos por hipótese que existe um sistema judicial perfeito, então a pena de morte é aceitável, porque sabemos com certeza que os condenados à morte são culpados. Bom, mas isso não existe, claro. O exemplo contrário serve apenas para mostrar que não é esse o meu maior problema. O meu grande problema aqui é o poder de vida ou de morte do Estado sobre os indivíduos, sejam eles quais forem. Esse poder não é aceitável.



Quanto à pena de morte ser um elemento dissuasor, como refere o Caso Arrumado, também não me parece que o seja. Porque há gente que não tem nada a perder e para quem a vida faz muito pouco sentido. Mas para confirmarmos esta suspeita teria de verificar dados estatísticos a este respeito.



A Papoila levanta ainda uma questão interessante: a da reabilitação. Há uns dias vi na 2: um documentário sobre as diferenças entre psicóticos e psicopatas. Ora a diferença fundamental parece ser esta: os psicóticos não têm memória activa, ou seja, não têm um contacto imediato com a realidade; os psicopatas reagem a todas as situações da mesma maneira. Testes feitos a psicopatas comprovam que estes reagem às palavras cadeira, violação, flor, espancamento da mesma maneira. Não há nenhuma actividade cerebral quando surgem as palavras “violação” e “espancamento” no ecrã. É igual ao litro. Esta gente não tem recuperação possível e mesmo se tivesse (já estou como a Papoila) queria lá saber. Há imensa gente no mundo a precisar de ser recuperada. Os casos perdidos são isso mesmo: perdidos. No mesmo programa, numa entrevista ao psicopata de serviço, o homem dizia que já tinha morto três pessoas e que não prometia nada se o deixassem sair em liberdade condicional (parece que estranhamente, no caso dele, havia essa possibilidade). Sim, e essa criatura respira. Dá-me vómitos, mas matá-lo não é solução. Pode ser um consolo, mas não resolve o problema. E, pensando melhor, porque é que damos tão pouco valor ao consolo? Nos tempos que correm, a gratidão e a consolação parecem ser valores de segunda classe.



Enfim, não sou a favor da pena de morte, porque o Estado não pode ter esse papel de assassino, ainda por cima com a possibilidade de erro sempre presente. Mas tenho pena que a vida não seja mais fácil.

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publicado às 21:11

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por Carla Hilário Quevedo, em 03.03.04
Começo o dia por dar as boas-vindas a mais um blogue muito bem escrito, interessante e sincero. Beijos à Controversa Maresia!

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publicado às 10:32