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por Carla Hilário Quevedo, em 28.03.04
Etimologia hebdomadária



A palavra para hoje é ciclotimia. Ora kúklos está-se mesmo a ver que significa círculo. Já traduzir thymós é uma tarefa mais difícil. Thymós será o ânimo, os humores, as paixões. A ciclotimia é um desvio de personalidade ou uma doença que se caracteriza pela instabilidade marcada de humores: de manhã, eufórico e à noite deprimido. Sim, somos todos um nadinha neuróticos, mas não, não somos todos ciclotímicos.

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publicado às 23:55

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.03.04
Os últimos dias de Immanuel Kant, de Thomas de Quincey, (muito bem) traduzido por José Miguel Silva e editado pela Relógio d'Água, é um livro cuja leitura aconselho. O génio filosófico de Kant é muitas vezes difícil de entender, mas nada que não se consiga com trabalho, entusiasmo e dedicação. Nesta minibiografia de Kant, conta-se como a nobreza de atitude coincidia (ou seria uma consequência ou talvez uma causa) com o que escrevia. Fica um excerto longo do texto para aguçar a curiosidade de ler.



"Não havia nenhum amigo que não considerasse dia de prazer festivo o dia em que almoçava em casa de Kant. Sem que se desse ares de mestre, Kant era-o de facto e em sumo grau. A tertúlia era toda ela sazonada pela sua exuberante inteligência, que incidia com naturalidade e sem afectação sobre todos os tópicos à medida que os caprichos da conversação os iam sugerindo, e o tempo fluía com rapidez da uma às quatro, cinco da tarde, ou mais até, de forma agradável e frutuosa. Kant não admitia calmarias, que era o termo que empregava para nomear as pausas momentâneas na conversa, quando a vivacidade se reduz. De um modo ou de outro, arranjava sempre maneira de reacender o seu interesse; e nisso era servido pelo tacto com que sabia sondar os interesses particulares de cada convidado ou a natureza dos seus estudos; e acerca desses temas, fossem quais fossem, sabia sempre falar com conhecimento de causa e com fascínio de um observador original. Os acontecimentos locais de Königsberg só conquistavam espaço à sua mesa quando assumiam real importância. E, o que pode parecer ainda mais singular, Kant raramente, ou mesmo nunca, dirigia a conversa para alguns dos ramos da filosofia que fundara. De facto, estava completamente isento dessa falha, que afecta tantos savants e literati, de não tolerar a presença de pessoas cujos estudos lhes pudessem ter barrado qualquer simpatia pelas suas próprias investigações. O seu estilo de conversação era comum ao mais alto grau, sem vestígios de escolástica; tanto assim que qualquer estranho que conhecesse os seus livros, mas não o homem, dificilmente poderia acreditar que fosse este afável e ameno conviva o autor da profunda Filosofia Transcendental." (pp.15.16)

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publicado às 13:01

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.03.04
Verdades absolutas: o mundo não se divide em bons e maus, bonitos e feios, inteligentes e burros. O mundo divide-se entre as pessoas de bem e as que gostam dos desfiles da Fátima Lopes.

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publicado às 12:31