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por Carla Hilário Quevedo, em 06.05.04
There you have it!



"Não acho que Mourinho seja arrogante. O que acho é que as pessoas, neste país (e, se calhar, nos outros), confundem arrogância com segurança, com auto-estima, com confiança. Só aos modestos ou falsos modestos é dado direito de vencer, e nunca àqueles que partem para a luta convencidos que vão ganhá-la – onze contra onze, a bola é redonda, todos os resultados são possíveis, a conversa estafada de sempre." Eduardo, em What do you represent.

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publicado às 19:26

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por Carla Hilário Quevedo, em 06.05.04
Apio verde!



Andava a pensar que já não lincava o Abrupto há quase mais de um século. E não é que hoje é o dia ideal para o fazer? Parabéns ao José Pacheco Pereira por um ano de Abrupto. Ah, e bom dia! Mesmo às quatro da tarde.



In the Wee Small Hours of the Morning

letra de Mann/Hilliard

interpretado por Frank Sinatra



When the sun is high in the afternoon sky

you can always find something to do...

But from dusk til dawn as the clock ticks on

something happens to you.



In the wee small hours of the morning

While the whole wide world is fast asleep

You lie awake and think about the girl

And never ever think of counting sheep



When your lonely heart has learned its lesson

You'd be hers if only she would call

In the wee small hours of the morning

That's the time you miss her most of all

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publicado às 15:44

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por Carla Hilário Quevedo, em 06.05.04
Cuidadinho com as palavras é preciso



Nas minhas primeiras semanas de vida na Grécia, fiz uma viagem pelo Peloponeso. Sabia pouco mais que o alfabeto e entretinha-me a juntar algumas letras que via escritas em fachadas ou em cartazes e a adivinhar o sentido da palavras. Aprendia a ler e a escrever naquela língua muito estranha e, ao mesmo tempo, tão familiar. Ouvia o que as pessoas diziam, tentava pedir um ou outro prato nos restaurantes e ia fixando aqueles de que mais gostava, como uns feijões grandes (fassolia yigantes) de entrada ou uma carne estufada com cebolinhas (stifado moschari), ambos pratos típicos dos quais - posso dizê-lo - tenho saudades. Aprendia uma ou outra asneira para provocar a confusão em situações sociais interessantes e percebia aos poucos que estava num país muito peculiar. Por causa da minha tentativa em aprender grego e do meu entusiasmo sempre que aprendia qualquer coisa nova, era recebida com muita simpatia e imenso carinho. Os gregos, de violentos e agressivos, passavam a cordeirinhos quando me viam de caneta e papel em punho, cheia de dúvidas e de perguntas. Além disso, não era americana, nem alemã, nem inglesa, nem francesa. Era portuguesa, morena do sul como eles, amante de sol e de boa comida, hedonista e curiosa. Julgo que foi a curiosidade que me manteve naquele país durante algum tempo. Mas a história que quero contar é outra.



Nas minhas primeiras semanas de vida na Grécia, fiz uma viagem pelo Peloponeso. Parámos numa aldeia recôndita, onde havia um restaurantezinho e três ou quatro casitas e decidimos almoçar (coisa que poucos gregos fazem). Não havia ninguém a não ser a dona do restaurante e nós. Tentava seguir a conversa em grego e percebia uma ou outra palavra. De repente, ouvi a senhora dizer "aima". Levantei a cabeça e disse: "Aima? Does it mean blood?" A senhora respondeu que sim e foi-se embora. Não sabia o que dizer. Não pensei sequer em perguntar por que razão tinha dito aquilo. Só pensava como poderia aquela mulher humilde saber aquela palavra extrordinária. Era grega, era naturalmente a resposta à minha estúpida pergunta. Nunca mais me esqueci deste episódio. Fiquei naquele país mais uns anos por causa disto.

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publicado às 12:01