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por Carla Hilário Quevedo, em 27.06.04
"Uma pessoa comodista nunca pode ser perversa, a não ser na imaginação"



Acabo de ver na 2: a escritora Agustina Bessa-Luís a ser entrevistada por um par de jarras, isto sem ofensa para as jarras que com certeza têm mais capacidade de compreensão do discurso e mais humor. Agustina Bessa-Luís é uma das poucas pessoas brilhantes deste País. Apesar das perguntas tolas e dos comentários no vazio, o brilhantismo da entrevistada fez com que não mudasse de canal. Porque entrevistados destes não aparecem todos os dias e pessoas destas neste mundo (talvez noutro se consiga) ainda menos.



Adenda: parte da entrevista está publicada aqui. Aconselho a leitura apenas das respostas.

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publicado às 23:33

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.06.04
"My back, my back, my bach"



Do blogue Malícia-de Mulher (agora com um novo look bandeira nacional que lhe fica a matar) recebi um bonito presente: James Joyce a ler uma parte de Finnegans Wake. Só uma coisa destas para me fazer sorrir. Obrigada!

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publicado às 16:27

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por Carla Hilário Quevedo, em 27.06.04
Pesadelo



Acordo tarde de propósito, mas nem assim as coisas mudaram. Tenho este defeito terrível de dormir para ver se passa. Enterrar a cabeça na almofada e pensar que amanhã o problema já não existe. Mas eu, mera blogueadora, eleitora, cidadã portuguesa, posso fazê-lo. Gostaria de saber porque é que ninguém da classe política diz nada. É este estado expectante em que o País se encontra que provoca ansiedade e muita angústia. Surgem inúmeras perguntas: Durão Barroso vai ser o próximo Presidente da Comissão Europeia? Que vantagens traz essa nomeação para Portugal? Os interesses da Europa sobrepõem-se de facto aos interesses dos países? Se o candidato possível a Primeiro-Ministro fosse Manuela Ferreira Leite ou Marques Mendes estaríamos tão em pânico como naturalmente estamos com a possibilidade de virmos a ser governados por Santana Lopes? E se o problema é afinal a pessoa que ocupa o cargo de Chefe de Governo, que dá a cara, então não estaremos a entrar em contradição ao recusarmos a ideia de haver eleições antecipadas? E porque é que no meio desta confusão toda me sinto traída? Se calhar não devia, mas sinto, e a culpa é também da suspeita toda que se gerou em torno do caso. Quando as coisas são pouco claras e as pessoas não percebem o que se passa, há que esclarecer tudo o mais depressa possível. Isso até agora não se passou, por "impossibilidade da agenda europeia" (lá estamos nós nas mãos desta gente. Vai ser agora que descubro que não sou federalista). Mas como perceber e aceitar que não nos respondam já?



O tempo passa, ninguém fala, a não ser os jornalistas que especulam. Achei o programa Expresso da Meia-Noite, na SIC Notícias, uma vergonha; uma espécie de disputa de porteiras de vassoura na mão ou de vizinhas à janela que contabilizam informações: "pois, mas não achas que quando Durão Barroso foi ter com o Presidente da República, não tinha já o nome do seu sucessor na mão?" O brilho dos olhos no meio da especulação, do que "pode vir por aí", é irresponsável, vaidoso, e desvia o espectador do que de facto interessa: afinal, o que é que se passa? A passagem de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia está a ser traumática. E devia?

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publicado às 12:33