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por Carla Hilário Quevedo, em 05.08.04
Curso básico e intensivo sobre Eros





Marilyn Monroe,1953



O tema do eros foi tratado na literatura antiga com inúmeras referências desde os epigramas reunidos na Antologia Palatina a O Banquete e Fedro, de Platão. A maneira como o eros é interpretado por diferentes autores - como força dinamizadora ou personificado em criança alada - faz-nos acreditar que se tratava de um deus difícil de caracterizar, dúbio, algo traiçoeiro, pouco coerente, mas apesar de tudo, motivo de desculpa dos actos de loucura cometidos por quem por ele era tocado.



Eros, o deus do amor, é fundamental para a manutenção do cosmo, para uma coesão na ordem das coisas. Habitualmente representado na forma de uma criança alada, Eros toma a atitude infantil que lhe parece própria, apesar de sob a capa de aparente fragilidade e inocência se adivinhar um deus poderoso e capaz de desferir golpes cruéis consoante os seus caprichos.



Embora não surja personificado em Homero, Eros aparece tanto na Ilíada como na Odisseia com o significado de um desejo físico muito forte e violento que une Páris e Helena (Il. III, 442) e que abala os pretendentes de Penélope, enfraquecendo-lhes os joelhos e enfeitiçando-os (Od. XVIII, 212-213). Hesíodo, na Teogonia, terá desenvolvido esta concepção do deus que perturba os membros e baralha a mente, considerando-o o deus mais belo e um dos mais antigos, juntamente com Geia e Tártaro, capaz de unir contrastes e opostos.



A paternidade de Eros é também contada a Sócrates por Diotima de Mantineia, em O Banquete, e a sua origem divina relegada para segundo plano (203b-c). Embora Eros seja filho das divindades Engenho e Pobreza, e tenha sido concebido no dia do nascimento de Afrodite - que sempre acompanha -, não é considerado um deus, alterando assim a sua imagem tradicional, apresentada no diálogo por Ágaton. Ainda segundo Diotima, Eros é um ser genial, um mediador entre o humano e o divino (202e), o que contribui para a recuperação da ideia de eros como uma força unificadora e conciliadora de opostos. O Eros descrito por Diotima tem o poder de transportar a alma para o Belo (ou para o Bem) e funciona como uma espécie de intermediário entre os homens e os deuses.



A partir daqui, passamos para o segundo nível. Ou chumbamos.



Adenda: o Nuno lembra o cantor pimba Eros Ramazotti. E poderia Eros R. ter sido outra coisa?

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publicado às 01:06

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por Carla Hilário Quevedo, em 05.08.04
Livro de reclamações: recebi várias mensagens de leitores pouco satisfeitos com o post intitulado "Sobre a manipulação". Todos os pedidos de explicações e comentários foram acertados. Por incompetência e pudor não me é possível escrever mais do que aquelas linhas. Trata-se de um post falhado.

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publicado às 00:20