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por Carla Hilário Quevedo, em 23.12.04
Gatinhos e soft porno



23 de Dezembro de 2004. Uma livraria. Uma fila que dá a volta. No fim da fila. Duas miúdas à minha frente. Como é costume não desespero (ver o post sobre o estranho caso em que fiquei fechada no elevador). Penso em coisas piores: "bom, se estivesse no parque de estacionamento das Amoreiras..." e começo a concentrar-me na novela alheia. As raparigas da frente falam sobre o que têm nas mãos: livros sobre gatos, livrinhos pequeninos sobre bicharada vária e doméstica e livrinhos quiduchos com ursinhos na capa. Estranho tanta capa cor-de-rosinha. "Ah, o Luís vai adorar. Ele gosta tanto de gatos e é um querido, não é?" A amiga responde, dócil, suave como uma pomba: "Tão querido... e o Francisco? Achas que vai gostar deste?" (aponta para um livrito pequenito com uns canitos na capa) "Vai adorar. O Francisco é um querido." Começo a enervar-me, mas só o suficiente para me manter acordada. "Mas o Tó, ai o Tó é que é querido. E, tadinho, perdeu a namorada há tão pouco tempo..." Alto, pensei. Temos drama a sério. Ai que horror! E deve ser um rapaz novo, penso, já pronta a chorar em conjunto com as duas adolescentes visivelmente combalidas. "Ele é tão querido e a miúda enganou-o, tadinho. Agora sempre que me vê, fala, fala, fala... É tão querido..." Respiro de alívio e enervo-me um bocadinho mais. A esta altura da conversa estou desperta, mas na fila pouco se avançou. Lá à frente deve estar um daqueles palhaços com 20 livros para embrulhar, penso, ligeiramente a espumar pela boca. "Mas sabes que agora, lá porque o rapaz gosta de mim e quer falar comigo, toda a gente diz que andamos juntos. As pessoas são mesmo..." A amiga indigna-se, mas responde: "Mas ele também fala imenso comigo. Sempre que me vê... Vê-se que está a sofrer, coitado. E é um querido." Noto uma certa tensão entre ambas. Um querido e duas queridas é coisa para estragar um liceu inteiro. A conversa acabou e eu volto à sesta de pé. Chega a vez das raparigas. Chega a minha vez. Presentes embrulhados e metidos nos sacos. À saída, uma multidão de rapazolas à frente de um televisor. Jogos de futebol a esta hora? Não, viam isto. Ah! Deixei-me estar causando algum constrangimento nos adolescentes. Carinhas branquelas e acnosas ruborescidas. Seriam o Francisco, o Luís e o desgraçado do Tó?

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publicado às 23:32

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por Carla Hilário Quevedo, em 23.12.04
Quem plagia sabe perfeitamente o que está a fazer: a ler o interessante texto da Vieira do Mar sobre a questão do plágio , no Controversa Maresia.

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publicado às 13:46

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por Carla Hilário Quevedo, em 23.12.04
Bomba de Ouro: "Aqui já não se resolvem os grandes problemas da Humanidade. Temos mais que fazer", Papoila Procria.

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publicado às 13:44