Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.08.05
O menino da mamã e da avó (14)

Marcel idolatra a senhora de Guermantes. O rapaz podia ser feio, mas não tinha mau gosto. A senhora de Guermantes era o supra-sumo da barbatana, não sei se me faço entender. Marcel sonha em conhecê-la: "E esses sonhos advertiam-me de que, já que queria ser um dia escritor, era tempo de saber o que contava escrever. Mas, logo que me interrogava sobre isso, tentando encontrar um assunto em que pudesse pôr de pé um significado filosófico infinito, o meu espírito parava de funcionar, não via mais que o vazio diante da minha atenção, sentia que não tinha génio, ou que talvez uma doença cerebral o impedisse de nascer." (183) Talvez fosse um problema de caneta...




... que a Montblanc, sempre prestável, logo tratou de resolver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:42

...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.08.05
O menino da mamã e da avó (13)

Não sei se por causa das notas que aqui vou escrevendo, se pelo prazer na leitura ou se por me perder no meio de tantas referências, tenho relido algumas passagens deste primeiro volume. Além da maravilhosa passagem da madalena e da hilariante descrição do sono e do pesadelo da tia Léonie (118), que "exigia que ao mesmo tempo que a aprovassem no seu regime, que a lamentassem pelos seus sofrimentos e que a tranqulizassem no seu futuro" (77), li repetidamente (como se fizesse uma espécie de rewind), esta passagem, também sobre a tia Léonie, sobre o seu fim de vida: "O que nela começara - apenas mais cedo do que habitualmente acontece - era aquela grande renúncia da velhice que se prepara para a morte, que se envolve na sua crisálida, e que podemos observar, no fim das vidas que se prolongam até tarde, mesmo entre os amigos unidos pelos laços mais espirituais e que a partir de um certo ano deixam de fazer a viagem ou a saída necessária para se verem, deixam de se escrever e sabem que não mais comunicarão neste mundo." (153) A notícia da morte da tia está na página 163.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:05

...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.08.05
O menino da mamã e da avó (12)

É possível que estejam a pensar - muito provavelmente desde o começo desta leitura - porque é que o primeiro volume se chama Do Lado de Swann. Afinal de contas, é um título um pouco estranho (como quase todos), se o virmos assim desgarrado do seu contexto. A resposta está no final da página 143, continuando pelo início da 144: "É que havia em torno de Combray dois «lados» para os passeios, e tão opostos que, com efeito, não saíamos de casa pela mesma porta quando queríamos ir para um lado ou para o outro: o lado de Méséglise-la-Vineuse, a que se chamava também o lado de Swann, porque se passava diante da propriedade do senhor Swann para ir para lá, e o lado de Guermantes." Mais à frente, na página 145, percebemos que para ir pelo lado de Méséglise (ou de Swann) não era preciso sair cedo de casa. O passeio era curto e tão interessante como ir do Jardim das Amoreiras ao Rato (sem dúvida muito bonito, mas não esplendoroso). Já o lado de Guermantes era outra conversa: "Se era bastante simples ir para o lado de Méséglise, coisa diferente era ir para o lado de Guermantes, porque o passeio era longo e queríamos ter a certeza do tempo que iria fazer." (175) O lado de Guermantes promete.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:23

...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.08.05
Para o besugo...


(Clique na imagem para ouvir)

Por una cabeza
de un noble potrillo
que justo en la raya
afloja al llegar,
y que al regresar
parece decir:
No olvidés, hermano,
vos sabés, no hay que jugar.
Por una cabeza,
metejón de un día
de aquella coqueta
y burlona mujer,
que al jurar sonriendo
el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera
todo mi querer.

Por una cabeza,
todas las locuras.
Su boca que besa,
borra la tristeza,
calma la amargura.
Por una cabeza,
si ella me olvida
qué importa perderme´
mil veces la vida,
para qué vivir.

Cuántos desengaños,
por una cabeza.
Yo jugué mil veces,
no vuelvo a insistir.
Pero si un mirarme hiere al pasar,
sus labios de fuego
otra vez quiero besar.
Basta de carreras,
se acabó la timba.
¡Un final reñido
ya no vuelvo a ver!
Pero si algún pingo
llega a ser fija el domingo,
yo me juego entero.
¡Qué le voy a hacer!

... que não faz a mais pequena ideia (tanto que sabe perfeitamente) de como gosto deste tango e de todos os outros que, a partir de Setembro - vou telefonar à grafonola! -, aqui tocarão. Um beijo!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:49

...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.08.05
Blockbomba: Der Untergang (ainda gostava de saber porque viram Hitler como uma figura humana, com sentimentos e simpatias pelos outros).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:23