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por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.05
O menino da mamã e da avó (23)

Swann pensa em Odette a toda a hora, estivesse longe ou perto dela (284). Odette, um dia, em casa dos Verdurin, diante de Forcheville, admite a ligação com Swann: "Sim, eu sei que vai ter o seu banquete ; por isso só o verei em minha casa, mas não chegue muito tarde." (286) Ele adora a falta de pudor dela, que menciona os seus encontros nocturnos. Mas Odette, no dia seguinte, depois de Swann a acompanhar a casa, dispensa-o, amuada. Swann insiste para que apague as luzes. Pretende sossegar o ciúme e precisa de acreditar que Odette se prepara para adormecer. (287) Parte, mas não consegue resistir e vê que há uma luz acesa, entre as portadas e as janelas. (288) Sente vergonha (289), mas parece querer saber a verdade a todo o custo. Já perto da janela de Odette, percebe que se enganou (290), mas o descanso é temporário. Swann lembra o olhar de Odette dirigido a Forcheville e a recordação basta para que o ciúme não desapareça. (291-2) Odette, mentirosa, gere a verdade como pode, como sabe; sente-se mal, tem culpa, e procura na mentira um certo consolo, como se mentir fosse o menor dos males (293). A culpa por não estar tão apaixonada por ele como ele estava por ela, torna-a pesarosa, caída, entristece-a. Swann relaciona aquela expressão de Odette com uma imagem: "Fazia assim lembrar, ainda mais que o que ele habitualmente achava, as figuras de mulher do pintor d'A Primavera. Tinha naquele momento o mesmo rosto abatido e consternado que parece sucumbir sob o peso de uma dor excessivamente pesada para elas, quando apenas deixam o Menino Jesus brincar com uma romã ou vêem Moisés deitar água numa selha." (295)

Sandro Botticelli, La Primavera, ca. 1482, Galleria degli Uffizi, Firenze

Odette sabe que as suas mentiras podem criar dificuldades a Swann, magoá-lo: "Por isso, quando mentia, cheia de medo, sentindo-se pouco armada para se defender, insegura quanto ao êxito, tinha vontade de chorar, por cansaço, como certas crianças que não dormiram." (295-6) Odette é uma personagem deprimente.

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publicado às 19:22

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.05
O menino da mamã e da avó (22)

Depois de os Verdurin analisarem o carácter de Swann com uma minúcia típica de quem precisa de aprovação constante e de quem interpreta o desacordo como uma afronta, aparece esta passagem extraordinária. Ao lado, no livro, escrevi "que bom, que bom, que bom". Espero que gostem: "A verdade é que não havia um só fiel que não fosse mais malevolente que Swann; mas todos tinham a precaução de temperar as suas maledicências com piadas conhecidas, com uma pontinha de emoção e de cordialidade; ao passo que a mínima reserva que Swann se permitisse, despojada das fórmulas convencionais, tais como: «Isto não é dizer mal», e às quais desdenhava descer, parecia uma perfídia. Há autores originais que se revoltam à mínima audácia porque não começaram por lisonjear os gostos do público e não lhe serviram os lugares-comuns a que ele está habituado; era desse modo que Swann indignava o senhor Verdurin. Tanto em Swann como nesses autores, era a novidade da sua linguagem que levava a acreditar na torpeza das suas intenções." (281)

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publicado às 18:34

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por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.05
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publicado às 11:15