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por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.05
Coisas que melhoram algumas vidas (34)

Ver a Série Meireles, do Gato Fedorento, em DVD! Viva!

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publicado às 18:22

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por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.05
AZUL AR

azul mais azul que todo o azul do mar
azul mais azul que todo o azul do mundo
que azul tão azul tinha
ali o azul do céu
para onde azulou o passarinho meu

Alexandre O'Neill, Anos 70, poemas dispersos, Lisboa, Assírio & Alvim, p. 85. (Nota: poema manuscrito inédito datado de 18/6/79.)

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publicado às 17:58

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por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.05
Estudos comparativos

Há cinco dias, apareceu a oportunidade de dissecar a palavra geometria, coisa que não acontece a toda a hora. Felizmente para todos (inclusive, para mim). Ainda por cima, o meu interlocutor tinha (e tem) dez anos e é meu explicando. Óptimo. Podia ser massacrado com uma explicação insuportável sobre etimologia e história da língua grega e não se atreveria a gozar comigo, como faz a tia Leónie com o prior, que "sabia muito de etimologias" (Do lado de Swann, 111). Perfeito. Podia divagar sobre aquela palavra que deu origem àquele geo. E assim fiz, com a pobre criança com os olhos muito abertos a pensar, "que mal fiz eu ao Menino Jesus?" "Sabes, Giorgo, aquele geo vem da palavra grega..." E agora? Não consigo escrevê-la! Não é possível transliterá-la para português. Não temos aquele som esquisito do grego moderno, aquele gama que já não se lê com guê, mas cuja letra inicial tem uma sonoridade que vem de trás e de baixo. Na região da boca e da laringe, entenda-se. Tipo garganta funda, estão a ver? Pronto. É dali que vem aquele guê, que não é um guê, mas que também não é um érre, mesmo naquela posição em que se encontra o érre de Carla, por exemplo. Não, porque a língua toca no céu da boca e não é isso que se passa em... diabos! Como escrever a palavra terra, em grego moderno? Isto é muito mais complicado do que imaginam. É um problema. Ainda por cima, como se aquele gama que se guturalizou fosse pouco, segue-se-lhe um i, o que estraga muítíssimo mais as coisas. A sério. Isto é grave. (pausa longa)

A palavra terra em grego só pode ser uma palavra contrata. Significa isto que tem um tamanho reduzido; ou seja, de géa passamos a gi, mas este guê de gi é, na verdade, um i também. Ou seja, a palavra é qualquer coisa como i_i, dita com a língua encostada aos dentes um nadinha entreabertos e os lábios afastados (sim, quando menos uma pessoa espera, está a falar de sexo, a vida é mesmo assim). Perceberam? Não? Pois a esta altura da explicação, o Giorgos já tinha a cabeça deitada em cima do livro e fechava lentamente os olhos. "Se calhar, esta palavra é mais antiga do que imaginamos". Levantou a cabeça. "Mais antiga de quando?" "Dos tempos dos homens das cavernas", respondi, esperando que o rapaz não tivesse a brilhante ideia de me dizer "olha, sabes uma coisa, vou dizer à minha mãe que adormeço nas explicações de grego". "A sério?" Abriu os olhos. "Talvez, fazendo um bocado de ginástica (que é como quem diz ignorando a palavra não contrata), não acho impossível. Porque isto parece um gemido, já reparaste?" tentei dar um pouco de verdade à coisa. "Ou um guincho", tentei ser o mais precisa possível. Um guincho pouco guinchado, é certo. mas um bocadinho guincho: i_i. "Mas isso é antigo porquê?" perguntou o Giorgos a ver se me ajudava. "Porque nessas alturas em que os homens agarravam as mulheres pelos cabelos e as levavam para a caverna (um toque feminista de vez em quando faz bem, sobretudo quando se ensina alguma coisa a um rapaz), falavam assim: por gemidos, estalidos, gritos, guinchos", expliquei retomando a verdade toda e descansando por fim. "Por isso, i_i, ou seja terra, em grego, deve ser uma palavra muito antiga; diria mesmo das primeiras. Nunca deixou de ser o que é: um guincho pouco agudo." O Giorgos acenou com a cabeça e depois explicou o que era um prisma, um polígono e um undecágono, estranhando como é que os colegas não percebiam aquilo tão bem como ele.

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publicado às 11:20

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por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.05
Caríssimo besugo: das três hipóteses que me apresenta, escolho a primeira e a segunda e, implicitamente, a terceira. Contrariar é comigo. É a minha veia de contrariadora que lateja (só às vezes, muito raramente) e quando vejo assim uma opinião inocente e bonita como a do caríssimo besugo naquele post, tenho vontade de dizer qualquer coisa que seja o oposto. E o oposto do santo Dr. Greene (boring!) é o demónio do careca pequenino, um pulha, um sacana refinado (a expressão - excelente - é do caríssimo besugo), Romano de apelido, chefe lá do serviço. O Dr. Romano tem graça. Tem piada na sua maldade, que não é uma maldade má. É uma maldade careca e pequenina como ele e com uma graça cabeluda e grande (isto agora correu um bocado mal). Num episódio passado, Elizabeth quer por força operar um doente, estando grávida de sete meses. O Dr. Romano, depois de a infernizar durante toda a operação, diz-lhe que se saiu muito bem. Naquela espécie de maldade, percebe-se que há um sentido de justiça que salva a personagem e que permite (julgo) que lhe achemos piada. Afinal, aquilo não é maldade: é só cretinice para uns e um modo de vida para outros.

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publicado às 10:50

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por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.05
Blockbomba: A Love Song for Bobby Long (desta vez, só aluguei filmes bons. Pronto, está bem, também aluguei Seed of Chucky - credo, que mau - e um filme sueco, Ondskan (Cruel), que lhe faltou um bocadinho assim, ou mesmo vários danoninhos, para ser um bom filme).

Do filme bom: "Happiness makes up in height for what it lacks in length", Robert Frost.

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publicado às 09:07

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por Carla Hilário Quevedo, em 08.11.05
The sound of bomba: por sugestão indirecta no Impensável, quis ouvir também Ne me quitte pas, de Jacques Brel, cantado por Nina Simone. Muito bonito.

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publicado às 08:40