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por Carla Hilário Quevedo, em 09.01.06
Notícias muito tristes: o início de ano tem sido triste. As pessoas vão desaparecendo e essa realidade, por muito natural que seja, é sempre perturbadora. A última notícia que me entristeceu foi a da morte de Artur Ramos. O Artur Ramos era o meu bom vizinho, sempre carinhoso, distinto, amável. Que Deus o tenha.

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publicado às 16:01

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por Carla Hilário Quevedo, em 09.01.06
Machado de Assis sobre um "Metabloggers do it better"

"(...) desde os mais tenros anos, [Nicolau] manifestou por atos reiterados que há nele algum vício interior, alguma falha orgânica. Não se pode explicar de outro modo a obstinação com que ele corre a destruir os brinquedos dos outros meninos, não digo os que são iguais aos dele, ou ainda inferiores, mas os que são melhores ou mais ricos. Menos ainda se compreende que, nos casos em que o brinquedo é único, ou somente raro, o jovem Nicolau console a vítima com dois ou três pontapés; nunca menos de um. Tudo isso é obscuro."

"Os amigos eram os rapazes mais antipáticos da cidade, vulgares e ínfimos. Nicolau escolhera-os de propósito. Viver segregado dos principais era para ele um grande sacrifício; mas, como teria de padecer muito mais vivendo com eles, tragava a situação. Isto prova que ele tinha um certo conhecimento empírico do mal e do paliativo. A verdade é que, com esses companheiros, desapareciam todas as perturbações fisiológicas do Nicolau. Ele fitava-os sem lividez, sem olhos vesgos, sem cambalear, sem nada."

"Os últimos anos foram crudelíssimos. Quase se pode jurar que ele viveu continuamente verde, irritado, olhos vesgos, padecendo consigo ainda muito mais do que fazia padecer aos outros. A menor ou maior coisa triturava-lhe os nervos: um bom discurso, um artista hábil, uma sege, uma gravata, um soneto, um dito, um sonho interessante, tudo dava de si uma crise."

"Verba Testamentária", Um Homem Célebre - Antologia de Contos, selecção e apresentação de Abel Barros Baptista, Lisboa, Edições Cotovia, 2005, pp. 85-95.

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publicado às 10:53