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por Carla Hilário Quevedo, em 12.04.06
Caracóis, Sandálias e Traições

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O Magistrado Voreno recebe e resolve problemas, até aparecer Másquio a reclamar terras para os veteranos. Másquio pergunta por Tito Pulo, porque afinal eram "como Castor e Pólux".O deslumbramento de Níobe é quase inocente e provoca uma ligeira irritação. Voreno terá de falar com César. Entretanto o amigo Tito Pulo escolheu o mau caminho dos contract killers e encontra-se no inferno de Erastes Fullmen a comer rato cozido: "Always someone in need of mortality". Não faltará trabalho a Pulo. Julho em honra de Júlio (César) e os graffittis premonitórios, que retratam Bruto a esfaquear César. "You may call a cat a fish, but he will not swim", diz Bruto, que frase interessante. Também podemos chamar armário branco a um frigorífico, mas não podemos lá guardar as camisolas dobradas. Por exemplo, o banquinho giro onde César se senta, no Senado, é um trono para Cássio, que teme o regresso da monarquia (a propósito, o desaparecimento de Cleópatra e Cesárion aborrece-me, porque a entrada de César em Roma muito acompanhado foi interpretada - segundo sabemos - como um acto de desafio, algo que orientaria o destino de César), mas não passa de uma simples cadeira para Bruto. Cássio fala pela primeira vez, de forma muito clara, na necessidade de matar César. Tito Pulo, desalmado, perdido, mata Aufídio e é atirado para as masmorras pelo crime. Octaviano pede ao tio que intervenha, mas a questão é delicada. Aufídio era um homem importante, que falava contra César. Mas este defende-se: "I had no idea he existed until he ceased to exist". Frase extraordinária, mas se pensarmos um bocadinho melhor, há coisas que só podem ser ditas por César. Pronto, vá lá, Napoleão também podia ter dito isto. Mas, por exemplo, Churchill já não. Seria acusado de não estar bem informado. Octaviano manda que Timão contrate um advogado. Nenhum quer aceitar o caso, até que um totó resolve aceitar. Visita Tito Pulo, tenta orientar o seu depoimento, tenta resolver a culpa, mas não consegue. Em tribunal, leva com alfaces e, ao não conseguir admitir a inocência do seu cliente, perde o caso. Entretanto, César quer mandar Bruto para a Macedónia: Bruto argumenta que não o traiu, fez apenas o que tinha a fazer. Houve ali qualquer coisa que me escapou. Mas compreendo a empatia, embora dela não partilhe. "Old betrayals do not signify?" pergunta César. Tudo por causa daqueles graffittis provocatórios, dos avisos de Átia. Tito Pulo aguarda a morte na cela e faz uma oferenda aos deuses, um bichinho que por ali andava. Reza pelos amigos antes de morrer. Segue-se a melhor cena do episódio: a da luta na arena entre Tito Pulo e os gladiadores e o momento hooligan em que Voreno e Pulo desatam aos gritos pela Décima Terceira. O que é que faz com os soldados quando não há guerra? O combate na arena - espectacular - acaba por ser a encenação do que se passa no campo de batalha. E tudo aquilo é de uma tristeza, de uma brutalidade angustiante. Voreno salva o amigo Pulo e fico a pensar se este par não será a versão heterossexual e viril do casalinho do Satyricon. Erastes Fullmen e os capangas falam do desaparecimento das enguias. Para onde vão ninguém sabe. Posca paga a Fullmen e pede-lhe, para a próxima, para não contratar mais veteranos. Afinal, era tudo verdade. Bruto, choroso, finalmente concede. A cena final é brilhante, com aquela mão de Servília no ombro do filho.

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publicado às 11:02