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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.06
Etimologia hebdomadária

A palavra para hoje é coitadinho. Estou quase certa de que o Miguel Esteves Cardoso já escreveu sobre esta palavra. Tem de ter escrito, só não consigo agora descobrir onde. Uma vez que a palavra não tem uma aparência grega, tiro da estante o volume respectivo (neste caso o II, por causa da letra cê) do Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, e vou à procura de um início. Coitadinho não vem, mas por agora coitado serve. Depois logo se vê o que fazemos ao sufixo (julgo que nada). Ora descubro que coitado tem a ver com coitar e que a partir daí, sim, podemos viajar no tempo. A origem é latina: "de coctare, verbo tirado de coctus". Hmmm? e isto significa mais precisamente o quê? Acertaram! Cozinhar! Mas calma, antes disso há que dar mais uns passos, desta vez nos dicionários de latim. De coctare nem sinal e de coctus somos remetidos para um curioso coquo, que significa "cozer, cozinhar, preparar uma refeição". Assim sendo, o tal coctus, a, um é qualquer coisa como cozido, cozinhado, preparado. Atentemos noutros significados possíveis: "atormentar (mártires), afligir, amadurecer, queimar, digerir". E porque não simplesmente "fazer"? Porque o atormentado, naturalmente aflito porque amadurecido, queimado para poder finalmente ser digerido, está feito, feitinho, coitadinho.

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publicado às 20:33

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.06
The sound of bomba

"La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau
La da di la le lau"

Gypsy Woman, Crystal Waters

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publicado às 11:58

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por Carla Hilário Quevedo, em 02.07.06
Eu hoje acordei assim...

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Uma Thurman

... numa overdose de futebol com precedentes (a última vez que vi tantos jogos de futebol seguidos foi em 2004), celebrei a derrota do Brasil. É que foi muito bem feita! A Argentina foi para casa? Tudo bem, mas o Brasil também tinha de ir. Tudo para que finalmente tenha liberdade para elogiar o Ronaldinho Gaúcho. O meu carinho por esse rapaz não tem nada a ver com o facto de ser um jogador espantoso, que com certeza é. Essa questão é para mim muito, muito secundária, quase irrelevante. Ronaldinho Gaúcho é giríssimo, uma maravilha de menino querido e tem um ar saudável. Sim, de cabeça também ou talvez sobretudo. Aquele ar de menino maroto é tão engraçado e sexy! Mas ainda bem que foi para casa, porque se não teria de dizer mal dele. Rivalidades argentinas impõem-se. Quanto ao Mundial, temo, no entanto, que se esteja a tornar um Europeu. Nem quero pensar numa Alemanha vencedora! Força Portugal no jogo com a França! Dará ainda mais gozo ganhar às baguetes. Depois os boches e fica completa a trilogia: Bifes, Baguetes e Boches. Força nas canetas! Mas falemos de coisas importantes: Freitas do Amaral, em entrevista ao Expresso, afirmou que nos últimos meses aprendeu o significado da palavra "estoicismo". Percebo que o comentário se refere aos problemas de saúde do agora ex-ministro, que naturalmente lamento, mas fiquei a pensar naquela suposta aprendizagem. Para um estóico, o sofrimento não é uma experiência a revelar. Isto porque é absolutamente natural: o sofrimento faz parte da sua condição e o estóico sabe-o e aceita-o. O estóico não aprende com a dor, mas está preparado para a dor e para as dificuldades porque as aceita como naturais. Sim, eu sei: estou a ser chata. Numa nota mais alegre, gostei muito do excerto do Oxford Companion to Estado Civil. Se a frase citada está na página 186, então o livro não tem menos de 500 páginas! Agrada-me.

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publicado às 11:38