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por Carla Hilário Quevedo, em 17.11.06
Fim de missão

Acaba mal o teu verso,
mas fá-lo com um desígnio:
é um mal que não é mal,
é lutar contra o bonito.

Vai-me a essas rimas que
tão bem desfecham e que
são o pão de ló dos tolos
e torce-lhes o pescoço,

tal como o outro pedia
se fizesse à eloquência,
e se houver um vossa excelência
que grite: - Não é poesia!,

diz-lhe que não, que não é,
que é topada, lixa três,
serração, vidro moído,
papel que se rasga ou pe

-dra que rola na pedra...
Mas também da rima «em cheio»
poderás tirar partido,
que a regra é não haver regra,

a não ser a de cada um,
com sua rima, seu ritmo,
não fazer bom e bonito,
mas fazer bom e expressivo...

Bom e expressivo, Alexandre O'Neill

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publicado às 23:30

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por Carla Hilário Quevedo, em 17.11.06
Eu hoje acordei assim...

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Patricia Arquette

... quando comecei a escrever sobre características (quase) exclusivamente femininas e que distinguem homens e mulheres - sempre homenageando essas diferenças e celebrando-as - tinha duas ou três ideias, mas agora percebo que já vou no quinto post, sem grande possibilidade de fim à vista. Se bem que tenho uma conclusão (aliás, a conclusão é o que dá algum sentido a isto tudo, nomeadamente às nossas gloriosas diferenças). Para hoje temos esta fotografia da Patricia Arquette e qualquer coisa que associo de imediato às mulheres: o espanto. Hoje em dia, não há espaço para ficar em suspenso, para pairar, distrair-se de si própria, sair de si mesma, ficar com um ar assarapantado, algo tonto, desconcentrado. Como se não houvesse tempo para parar, mesmo em movimento. Os momentos de suspensão nunca são bem interpretados pelos outros: ou é porque revelam desinteresse (o que, de certa forma, é verdade, embora não seja consciente), ou é porque se confundem instantes de distracção com estupidez (nada mais errado) ou é porque "uma mulher naquele estado só pode ser um bocado tonta" (o que é interpretado como tontice, pode ser várias coisas: desde timidez ao tal sentido das prioridades - pode, de repente, ser absolutamente vital... desligar, suspender, interromper). Tudo isto para dizer que adoro esta fotografia.

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publicado às 09:54