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por Carla Hilário Quevedo, em 24.11.06
Fim de missão

À memória de Paul Éluard

Estudaste a bondade aprendeste a alegria
Iluminaste a noite com a estrela
E o desejo com a necessidade

Comunicativo bom inteligente
Soubeste sofrer sem destruir a vida
Sem chamar pela morte

Soubeste vencer o íntimo lazer
As absurdas manias que a solidão instala
No coração virado na cabeça perdida

Soubeste mostrar o mais secreto amor
Numa alegria feroz perfeita pública
Capaz de provocar o ódio e a ternura

Em todas as frentes que por ti passavam
Contra-atacaste repelindo o mal
Com pesadas perdas para o inimigo

E na miséria que subia aos rostos
Puseste a nu a resistência a esperança
E um futuro sorriso

Enquanto velhas feridas se fechavam
Tua poesia abriu-se e hoje é comum
E transparente como os olhos das crianças

Hoje é o pão o sangue e o direito à esperança
À esperança que é «um boi a lavrar um campo»
E que é «um facho a lavrar o olhar»

Andaste triste mas não foste a tristeza
Sofreste muito mas não foste a dor
Amaste imenso e eras o amor

Cantaste a beleza proferiste a verdade
Encontraste não uma mas a razão de ser
Compreendeste a palavra felicidade

E numa extrema juventude e sob o peso
Precioso da simplicidade
Tudo disseste

Disseste o que devias dizer.

Uma lição de poesia, uma lição de moral, Alexandre O'Neill

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publicado às 19:43

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.11.06
Metabloggers do it better (34)

Tenho recebido algumas mensagens a propósito da rubrica Fim de missão, a que dei início numa noite de escavação mineira. Não vou a lado nenhum, obrigada pela preocupação e pelas reprimendas, não quis assustar ninguém, eu até acordei assim ou assado nos dias seguintes e repeti o título porque lhe achei graça. Fim de missão porque na televisão também há o fim da emissão e porque para mim um blogue é isso mesmo: uma espécie de programa de televisão. Há programas de culto, intermináveis telenovelas, serviços informativos, verdadeiros talk-shows, concursos, séries de ficção portuguesa e até estrangeira. O Fim de missão é o último post do dia e é também, por causa do seu conteúdo - um poema não da minha autoria (tenho uns muito giros guardados num cofre-forte no fundo do mar) -, uma rubrica inspirada no Early Morning Blogs, mas ao contrário. Após ter começado com poemas em inglês, decidi mudar e colocar nom blogue poemas de autores portugueses de que gosto muito. Finalmente, o problema: só gosto de um poeta português. Chama-se Alexandre O'Neill. É verdade que também gosto muito da Adília Lopes e que aproveitarei a oportunidade por mim criada para reler Pessoa e Camões e para ler o que desconheço. Mas, por enquanto, sou fiel a O'Neill.

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publicado às 19:29

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.11.06
Gostar de homens©

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publicado às 16:09

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por Carla Hilário Quevedo, em 24.11.06
Sapatomania: uma obsessão quase exclusivamente feminina? (2)

- Dizia, então, e fê-lo muitíssimo bem! Ah, Imelda, deusa dos três mil pares... Julgo que "sapatona" será o termo em calão brasileiro para mulher homossexual. Uma maratona de sapatos? E cito: "Que o Belo Sexo tem uma inclinação natural para a sapatomania é indiscutível. Revolvendo os sotãos da minha memória, uns vinte e tal anos atrás, de cada vez que eu elogiava a blusa, ou a saia, ou o casaco de alguma Rapariga das minhas relações, um modesto sorriso da ordem correspondia. Mas quando o piropo era dirigido ao calçado era ver a expresão iluminar-se, o sorriso rasgado de orelha a orelha e uma inequívoca sinalética de que a jornada ia correr bem." Palavra de Misantropo, que no post scriptum recomenda a leitura de The Sex Life of the Foot and Shoe, de William A. Rossi. Óptimo comentário literal ao ponto 4) deste post. Se bem que há aquele tema cantado por Brigitte Bardot, Je manque d'adjectifs, que ilustra na perfeição essa mudança repentina e aparentemente irracional, do entusiasmo ao esquecimento, sem que haja nenhuma relação com sapatos.
- Filipe Nunes Vicente elimina a minha dúvida: "se for obsessão compras sapatos, se for mania és um sapato." Nesse caso, talvez devessemos falar de sapatofilia, mais do que de sapatomania. Mas concordo que falta qualquer coisa nos dois pontos que referes. Arrisco: 1) uma mulher com um belo par de sapatos não desvia a atenção de nada, pelo contrário, uma vez que o tipo de sapato utilizado pode mudar completamente o corpo feminino. O sapato é o ínício com consequências que podem ser tão benéficas como desastrosas. Um par de sapatos mal escolhido destrói a silhueta e a silhueta é que importa. 2) Mas com o ponto anterior não nos precipitemos a concluir que um novo par de sapatos dê uma ilusão de maior beleza à mulher. Percebo, mas não é bem isso. Há qualquer coisa no acto de coleccionar pares sapatos, que é, no meu entender, bastante infantil. É como ter uma série de Barbies (ou, no meu tempo, Tuchas), com as respectivas roupas, a casinha das bonecas, com muitas parecidas, às vezes todas iguais. Ou seja, anseia-se por repetir aquilo de que mais se gosta.
- Outro aspecto do imaginário infantil relacionado com sapatos foi muito bem lembrado pela Ana.
- Teresa e Marta mencionam as suas preferências, algumas das quais partilho, nomeadamente o modelo com atilhos na perna, invariavelmente incómodo e absolutamente irresistível.
- Querida Sam, tens toda a razão do mundo: "sapato" assim sozinho é pouco, fica coxo (passo o trocadilho), parece que estamos a falar de um assunto de menor importância! A questão "usar o tamanho errado" é da maior gravidade. A menos que se justifique plenamente, como no caso de "fazer um recado à Baixa". E, não, não há explicação. Mas desde quando tudo tem de ter explicação?
- Por e-mail, o leitor Jorge conclui: "Pantufas ao poder!"

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publicado às 12:35