Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



...

por Carla Hilário Quevedo, em 09.12.06
Bom em todas as línguas

Image Hosting by PictureTrail.com
Morte de Sarpédon, Eufrónio, ca. 515 a.C.

O funeral de Sarpédon

Zeus tem grave pesar. Pátroclo
matou Sarpédon; e agora o filho de Menécio
e os Aqueus correm
para tomar e humilhar o corpo.

Mas Zeus nada disso consente.
O seu filho amado - que deixou, perdeu-se;
assim era a Lei -
ao menos honrará o morto.
Envia Febo abaixo à planície
instruído para que tome conta do corpo.

Febo levanta o cadáver do herói com respeito
e tristeza e leva-o para o rio.
Lava-o do pó e do sangue;
fecha as feridas, sem deixar
nenhum sinal à vista; os aromas
da ambrósia deita sobre ele; e veste-o
com vestes resplandecentes e olímpicas.
Branqueia a sua pele; e com um pente de pérolas
penteia os cabelos negros.
Endireita e deita os seus belos membros.

Agora parece um jovem rei condutor de carro -
com vinte e cinco, vinte e seis anos -
descansado depois de ter vencido,
com um carro todo em ouro e os cavalos velocíssimos,
o prémio numa competição célebre.

Assim, quando Febo terminou
a sua missão, chamou os seus dois irmãos,
Hipno e Tânato, ordenando-os
que levassem o corpo para a Lícia, um lugar rico.

E até esse lugar rico, a Lícia,
caminharam estes dois irmãos,
Hipno e Tânato, e quando chegaram
à porta da casa real,
entregaram o corpo glorioso
e voltaram aos seus trabalhos e afazeres.

E mal aí o receberam, em casa, começou
com cortejos, e honras, e lamentos
e com inúmeras libações de crateres sagrados
e com tudo o que é apropriado, a triste sepultura;
e depois operários experientes da cidade,
e ilustres trabalhadores da pedra
vieram e fizeram o túmulo e a estela.

Konstandinos Kavafis, 1908, tradução de Carla Hilário Quevedo (2004)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:17