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por Carla Hilário Quevedo, em 15.12.06
Eu hoje acordei assim...

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Hilary Swank (Calendário Pirelli 2007)

... lembro-me vagamente de o ex-estimado Jansenista falar de certo fato de amianto, coisa um bocado quente para usar no Verão, mas que agora com este frio talvez possa experimentar, só para ver como se sente... Pois li o artigo de Christopher Hitchens que sugeriu e... damn, he's good. Mas calma: há diferenças entre ter piada, ser alegre e ter sentido de humor e julgo que Hitchens se refere sobretudo ao primeiro ponto: as mulheres não têm piada porque 1) não precisam de ter para conseguir nada dos homens; 2) porque o humor é um sinal de inteligência e as mulheres sempre foram educadas a não desenvolvê-la excessivamente para não intimidar os homens (e aqui Hitchens passa um atestado de burrice ao sexo masculino); porque as mulheres têm a suprema tarefa da reprodução, "and that is no laughing matter" (aqui Hitchens marca pontos porque além de apontar uma questão seríssima - eu acho que ele nem percebe muito bem o que está a dizer ou pelo menos não desenvolve - tem imensa graça); 4) porque o humor (no sentido de comédia do termo) é sobretudo uma actividade agressiva e toda a gente sabe que com as mulheres a coisa é mais gatinhos e bordar e ZzZzz... coisas quidas, o que me leva ao ponto principal do artigo e que é 5) fazer piadas está relacionado com o poder e o poder é uma coisa masculina. Ah, Hitchens... é isso. Façamos o seguinte teste: uma mulher num grupo de homens faz uma piada a um deles em frente aos outros. Se a mulher ocupar um lugar de chefia, é abuso; se ocupar um lugar subalterno é falta de educação. Seja como for, minhas senhoras, arrisquem e força com as piadas, porque se o grupo de homens for inteligente (e, como tal, não se sentir ameaçado) podem acontecer coisas como a empatia, que leva a relações muito duradouras (de amizade, amorosas, profissionais). Hitchens não refere uma questão que me parece importante: o humor (a ironia, a comédia, enfim) está directamente associado à leitura e à formação superior e a educação das mulheres é algo relativamente recente (40 anos, 50?). Se bem que há excepções. Uma das mulheres que conheço com mais graça nunca leu um livro na sua vida. Inversamente, um dos homens que conheço com mais graça, é um génio, um sábio com toneladas de leituras. Quanto ao outro artigo que o não é nada ex-estimado Jansenista recomenda, fiquei com curiosidade para ler o livro de Laura Kipnis por causa desta frase de Emily Nussbaum: "Kipnis is especially smart on the ways in which the rhetoric of women's empowerment has turned into an airless culture of complaint, a syndrome one might call 'bad-dog feminism' - that defensive 'you go, girl!' posture that treats men as brainless puppies who need a good smack on the nose with a newspaper." É verdade que essa postura existe e, ainda por cima, teve graça na descrição.

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publicado às 11:33