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por Carla Hilário Quevedo, em 04.01.07
Conversas deliciosas

"Borges: (...) ¿Sabes quién, he descubierto, era pederasta? Marlowe. En Hero and Leander, cuando describe a la heroína, es moderado, pero al describir minuciosamente al héroe pierde la cabeza.
Bioy: Pues yo también hice un descubrimiento: que la novela es un género para maricones. Cuando uno se pone a describir minuciosamente al héroe se siente maricón."

Na página 298 deste livro extraordinário.

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publicado às 22:49

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por Carla Hilário Quevedo, em 04.01.07
Eu hoje acordei assim...

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Uma Thurman

... o teu post, darling Miss Pearls, era sobre a velhíssima questão do que é ser bom. (Acredito profundamente que nem todos estamos "à mercê de cairmos na sacanice como modo de estar".) Poderá parecer que esta fotografia de Uma Thurman não tem muito a ver com o tema, mas eu ali só vejo bondade (além de umas magníficas galochas, é certo). Terá sobretudo a ver com o que entendo por ser bom. Quem é bom pratica bons actos de uma maneira muito clara, mas sobretudo firme; e é essa firmeza - uma certa ideia de consistência, permanência, solidez, o que quiseres - que vejo naquele olhar doce e nos braços esticados. Ser bom não tem nada a ver com ser "queridinho", "coitadinho", "humildezinho" e todas essas coisas em -inho, uma espécie de xarope que nos obrigam a tomar em colheres de sopa diárias. Ser bom pode ser, por exemplo, não nos vingarmos de quem tentou prejudicar-nos, mesmo tendo todas as oportunidades do mundo para o fazer. Ser bom significa perdoar (tenho tantas dificuldades neste capítulo, mas estou um bocadinho melhor) mesmo aqueles que enganam deliberadamente o próximo (depende sempre do tipo de engano praticado: há enganos imperdoáveis). Há uma diferença muito grande entre enganar deliberadamente ou sem querer (é agora que escrevo com mágoa que não somos perfeitos e que, por vezes, enganamos involuntariamente). Confesso que não consigo deixar de sentir um certo desprezo por quem se deslumbra com a maldade dos outros ou por quem exalta feitos notoriamente maldosos (calculados ou de vingança mesquinha e rasteira) ou mesmo de pura sacanice, como citas. Fico sempre indisposta e chamo desprezo a essa indisposição física. Não é bom sentir isso, mas não o consigo evitar. Mas concluindo por agora, o nosso caminho é também constituído por desvios. As boas pessoas desviam-se, na grande maioria das vezes, para fazer o bem ao próximo, as outras para sacanear o outro, para o destruir ou simplesmente para o chatear. Ou ainda porque não suportam o outro, que caminha e se desvia ao seu lado, por causa da bondade que lhe reconhecem, mas que odeiam também por saberem que nunca a conseguirão ter. Como se uma boa pessoa fosse... imperdoável aos olhos daqueles que o não são (isto é difícil de explicar, Isabel).

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publicado às 10:27