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por Carla Hilário Quevedo, em 24.03.07
Eu hoje acordei assim...

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Audrey Hepburn

... julguei há tempos ter encontrado a melhor fotografia de sempre de Audrey Hepburn. Mas eis que no outro dia descobri esta que me parece sublime. Gosto de caubóis e de índios, de piratas e rainhas, de heróis e heroínas. Um certo elemento de heroicidade sempre foi importante na minha vida, não sei bem porquê. Mesmo no dia-a-dia, aprecio certos aspectos da personalidade que evocam este espírito. Um deles é a indiferença. A indiferença agrada-me porque é um sinal de despojamento, mas depressa se torna de imoralidade se ante as coisas importantes, como, por exemplo, o sofrimento dos outros, não sejamos capazes de sequer de nos indignarmos (este parece-me um bom exemplo dessa inevitabilidade de reagirmos à maldade, à tremenda injustiça). Na verdade, a palavra, embora seja a mesma, não tem o mesmo significado. Ser indiferente à estupidez é muito bom e aconselhável, ao contrário do que é ser indiferente à miséria e à maldade. Não padeço deste segundo tipo de indiferença. Agora uma coisa diferente: gostei tanto, tanto de reler a poesia de Alberto Caeiro. Que coisa extraordinária! Ah, as parvoíces que nos metem na cabeça no liceu... o poeta bucólico, o poeta da Natureza e toda uma quantidade de disparates que talvez até sejam necessários, porque os poemas são demasiado complexos para a idade das borbulhas. Não estou é a gostar nada do Livro do Desassossego (é uma pena, com um título tão bom), o que nem me surpreende, tendo em conta o meu interesse por textos cada vez mais frios, despojados, com uma aparência de simplicidade que muitos apelidam de infantil, tudo isto com uma única excepção chamada Nancy Mitford. Lemos mais o que somos, talvez.

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publicado às 09:55