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por Carla Hilário Quevedo, em 06.05.07
Nature, The Gentlest Mother
by Emily Dickinson

Nature the gentlest mother is,
Impatient of no child,
The feeblest of the waywardest.
Her admonition mild

In forest and the hill
By traveller be heard,
Restraining rampant squirrel
Or too impetuous bird.

How fair her conversation
A summer afternoon,
Her household her assembly;
And when the sun go down,

Her voice among the aisles
Incite the timid prayer
Of the minutest cricket,
The most unworthy flower.

When all the children sleep,
She turns as long away
As will suffice to light her lamps,
Then bending from the sky

With infinite affection
An infiniter care,
Her golden finger on her lip,
Wills silence everywhere.

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publicado às 11:16

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por Carla Hilário Quevedo, em 06.05.07
Já estava com saudades

Diz o estimadíssimo Jansenista que ontem acordei ambígua. Talvez. Desde que aprendi a viver com a ambiguidade, descansei e, ao descansar, explorei várias possibilidades de a vida ter ainda mais graça. (Além disso li no Freud que as pessoas que não toleram a ambiguidade são neuróticas, e antes a ambiguidade do que a neurose, que me perdoem os Antigos.) Mas basta de introduções que mais parecem interlúdios e vamos ao que interessa: os direitos dos animais. Uma coisa óbvia para começar: os seres humanos têm autoconsciência ou consciência de si, os animais não. Esta evidência tem servido como a desculpa perfeita para cometermos atrocidades como: 1) experiências em animais que implicam tortura e morte dos mesmos; 2) extinção de espécies; 3) impunidade relativamente ao modo cruel como são tratados os animais não humanos em geral. A espécie humana não é igual à espécie não humana, mas essa diferença não pode implicar o domínio de uma espécie sobre a outra. Penso que "diferença" é aqui (bem como noutros casos) a palavra crucial. Como é podemos pedir contas a um crocodilo? Se não tem autoconsciência, como pode ser responsabilizado por comer a perninha de alguém que o ataca ou mesmo de quem está sentado na margem de um riacho qualquer? A diferença tem também servido para desculpas do género "os animais não sofrem como nós". Como é que podemos ter a certeza disso? Se dou uma palmada ao gato Varandas porque fez um chichi em sítio indevido, ele encolhe-se todo. Isto o que é? Agora imaginemos coelhos e ratos torturados em laboratório. Como é possível que não sofram? O sofrimento será de facto necessário?

Quanto à comida - e tenho pensado no assunto - tenho pena de não conseguir ser vegetariana, mas gostava sinceramente de ser (e ainda hei-de conseguir). Mais uma vez, ao contrário dos animais não humanos, nós temos a capacidade de escolha entre comermos bichinhos ou não; os bichinhos não têm essa capacidade: por exemplo, os peixes alimentam-se de peixes, e no outro dia vi um documentário em que macacos comiam outros macacos seus rivais mas do mesmo grupo. O facto de não nos alimentarmos de carne humana só reforça a diferença entre os bichos e nós. isso significa que nós podemos não fazer o que eles não podem deixar de fazer.

Quando digo que sou 100% pró-bicho, embora a designação seja galhofeira, não estou a brincar. Quando digo que gosto das carteiras da Hermés, também não estou a brincar: sim, são bonitas, mas a parte séria e verdadeira e não popular é que não as quero nem me interessam sequer (só para efeitos de piada). Sou obviamente contra as touradas, não compreendo a caça à raposa por mais que ma queiram explicar, a caça à baleia é outra coisa para mim totalmente incompreensível, enfim. Não se entenda que estou a ser paternalista com os animais, não é isso. Julgo apenas que os animais têm direito a viver em paz.

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publicado às 10:16