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por Carla Hilário Quevedo, em 25.05.07
O regime de Sócrates
de Vasco Pulido Valente, Público

Uma quinta-feira, à hora do almoço, o dr. Fernando Charrua entrou no gabinete de um colega, onde estava um grupo a conversar, e disse uma graçola sobre a licenciatura de Sócrates, que, em certas versões, é hoje promovida a "insulto". Um dos presentes resolveu diligentemente denunciar a graçola (ou o "insulto") à directora da DREN. Na segunda-feira seguinte, quando chegou ao trabalho, Fernando Charrua descobriu que tinha o computador "bloqueado", que lhe tinham lido o e-mail e que a directora, Margarida Moreira, lhe queria falar. Para quê? Para o suspender sine die, sem forma de inquérito, e para o prevenir (se "prevenir" é a palavra) de que seria sujeito a um processo disciplinar com a participação do Ministério Público. Fora o vexame e o dinheiro que já gastou com advogados, Fernando Charrua cumpre agora a "pena" num liceu do Porto. O "caso Charrua" não é um acidente. O que se passou não se passaria sem um conjunto de condições prévias. Primeiro, que a denúncia fosse considerada na DREN um acto meritório ou, pelo menos, recomendável. Segundo, que o denunciante contasse com a benevolência e a colaboração da dr.ª Margarida Moreira. E, terceiro, que a dr.ª Margarida Moreira julgasse agradar aos seus próprios superiores, perseguindo a dissidência política ou a sombra dela. Numa repartição normal os funcionários não se andam mutuamente a denunciar, nem os directores toleram a denúncia como método de "vigilância". Até porque a moral comum considera abjecta a figura do denunciante e a do polícia que age por denúncia. O que sucedeu na DREN é um sinal da profunda perversão do regime.

Perante isto, Sócrates, com imensa bondade, assegurou à Pátria a liberdade de expressão e o prof. Cavaco, do lugar etéreo onde subiu, espera que o "mal-entendido" (repito: o "mal-entendido") se esclareça. Não chega. Ninguém se lembraria, como ninguém de facto se lembrou, de acusar (ou de punir) alguém por uma graçola ou um "insulto" a outro primeiro-ministro. O crescente autoritarismo do poder e o extravagante culto da pessoa de Sócrates, que o Governo promove e alimenta, é que pouco a pouco criaram o clima em que se vive e que inspirou o "caso Charrua". Escrevi aqui há meses que bastava ouvir o dr. Augusto Santos Silva (com quem, aliás, Margarida Moreira colaborou) para temer o pior. A história da prepotência e do arbítrio não começou na DREN, não vai acabar na DREN e com certeza que não se limita à DREN.

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publicado às 08:20

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.05.07
Eu hoje acordei assim...


Kate Moss

... a ver se escrevo um longuíssimo texto sobre a ira. E preguiça não é mau (eu própria, assim de repente...), já a acédia é mortífera e, por acaso, um pecado também particularmente chato. E que belo sítio para o repasto jansenístico! Já que abandonámos a ideia do repasto virtual, passemos ao Bairro Alto, pois então. Mas nada de gula. Se bem que diz que já não é um pecado capital. Tenho de estudar isso bem, porque se em vez de gula tivermos uma perturbação alimentar (dá imenso jeito!), o grupo de jansenistas vai mesmo ter de experimentar todos os pratos do restaurante, sem excepção.

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publicado às 08:11