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por Carla Hilário Quevedo, em 08.08.07
Ninho de cucos (94)

A cadela Bolota entra pacífica na casa do Varandas (onde por mero acaso moram duas outras criaturas). Penso logo que o gato não vai gostar nada da brincadeira. As horas passam e nem sinal do bichano, que ainda por cima é malcriado e não recebe as visitas. Durante esse tempo penso na questão dos cheiros. Mas então a cadela não percebe que se encontra em território inimigo? E o próprio Varandas estará ainda mais lento do que é hábito para não vir ver o que se passa? A Bolota aproveita o sossego para dormir uma sesta na varanda. Quando acorda, percebe que há comida e... devora uma tigela inteira com os biscoitos do gato! Em estado de choque, vejo que o bichano (mas onde é que o menino esteve durante estas horas todas?) se aproxima. Ai, ai, que o gato não está nada habituado a estas coisas... Temo pela vida da cadela porque o bicho é praticamente zen mas ainda lhe falta um bocadinho assim para levitar, e uma situação desta gravidade pode deitar tudo a perder. Ainda recordo sem saudade o dia em que o Varandas deu uma patada num dos primos e depois se enrolou todo a um canto - numa posição tipo galinha, não sei bem explicar - a roncar. Parecia o motor de um carro muito antigo. Nesse dia terrível, há uns bons anos, o bicho perdeu a cabeça. Desde então nunca mais, mas nunca se sabe. Quando o Varandas chega à varanda e dá de caras com o animal enorme a comer-lhe a comida a primeira reacção que tem é... sentar-se! Sentou-se bem sentadinho, bocejou e depois ficou com aquele ar entre o ensonado e o maçado, muito direito e quieto a olhar. Mal a Bolota acabou de comer, o gato dirigiu-se à tigela e comeu o que sobrava! E depois passaram o resto do tempo numa espécie de convívio indiferente, sem se aproximarem um do outro e sem fazerem nenhuma dessas coisas que eu achava serem habituais.

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publicado às 20:04

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por Carla Hilário Quevedo, em 08.08.07
Sparks - Perfume



Geneviève wears Dior
Margaret wears Trésor
Mary Jo wears Lauren
But you don't wear no perfume

Deborah wears Clinique
Marianne wears Mystique
Judith wears Shalimar
But you don't wear no perfume

That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you

Anna wears CK1
Jeanie wears Opium
Trisha wears No.5
But you don't wear no perfume

Susan wears St. Laurent
Janie wears L'Air du Temps
Kirstin wears Davidoff
But you don't wear no perfume

That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you

The olefactory sense is the sense
that most strongly evokes memories of the past
Well screw the past

That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you

That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you

Geneviève wears Hermès
Annabelle wears Arpège
Betty Lee wears Guérlain
But you don't wear no perfume

Katie wears Giorgio
Lily wears Moschino
Jenna wears Kenneth Cole
But you don't wear no perfume

That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you
That's why I want to spend my life with you

Carol wears Cacharel
Lana wears Tommy Girl
Cynthia wears J'Adore
But you don't wear no perfume

Jennifer wears Céline
Laura wears Armani
Deborah wears Polo Sport
But you don't wear no perfume

Gina wears Vera Wang
Sheila wears Helmut Lang
Dinah wears Oxygene
But you don't wear no perfume

Jody wears Gaultier
Peggy wears Jean Patou
Stella wears Lagerfeld
But you don't wear no perfume

That's why I want to spend my life with you

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publicado às 09:21

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por Carla Hilário Quevedo, em 08.08.07
Eu hoje acordei assim...


Rhona Mitra

... numa magnífica conversa com uma querida amiga, chegamos à conclusão de que o conteúdo está sobrevalorizado. Muito tempo seria poupado se prestássemos mais atenção à forma. A sobrevalorização do conteúdo com certeza surgiu numa época em que foi necessário pedir desculpas por alguma coisa. Deve ter sido numa altura em que o poder estava ocupado por pessoas feias e burras (que deviam ser esbofeteadas à tardinha em praça pública pelo menos uma vez por mês) que impuseram a forma como um aspecto menos importante. Preferir o conteúdo cheira sempre a esturro. As pessoas de bom gosto sabem que a excelente forma é em si o conteúdo perfeito. A conversa continuou por ali fora até que chegámos a outra conclusão: aqueles que mais se angustiam na vida, que carregam um peso desadequado nos ombros, apreciadores de dramas sem fim, que se indignam e esbracejam à mínima contrariedade, nunca experimentaram nada muito sério e grave na vida. Os sofredores profissionais, doentes com uma espécie de dramatismo que é sempre frívolo, são os grandes defensores do conteúdo. São os mesmos que insistem em separar o que não é separável. E, por fim, tudo se liga.

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publicado às 08:42