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por Carla Hilário Quevedo, em 01.09.07
Modo de vida: muitas vezes faço o que quero; outras, faço o que posso.

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publicado às 09:54

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por Carla Hilário Quevedo, em 01.09.07
Eu hoje acordei assim...


Anna Karina

... isto há coisas mesmo maravilhosamente estranhas. Então não é que há Bande À Part à venda na Fnac? Vi-o ontem e só posso recomendar. Que maravilha de aula de inglês, com uma professora que escreve no quadro "classique=moderne", bilhetinhos de sedução entre adultos, tensão amorosa com olhares cruzados, o nome Thomas Hardy, que interessa saber escrever correctamente segundo diz a mesma professora, Shakespeare e ditados, e um aluno que só apalpa, que delícia. E depois a cena com os dois homens - Arthur e Frantz - ao pé do riacho, a lerem as notícias escabrosas de mortes e suicídios por ciúmes e loucura, mesmo antes de fazerem o assalto mais tonto da história. Gostei também muito de um aparte do narrador logo no princípio: "Se o espectador acabou de chegar à sala, o resumo da história é o seguinte..." logo seguido de frases um tanto desgarradas umas das outras, como se fizessem parte de um telegrama. De certeza que já alguém disse deste filme que não é cinema mas literatura, e que essa pessoa terá sido julgada em praça pública como sendo a maior das pretensiosas. Isso às vezes acontece quando se acredita que as palavras são escritas com uma afectação qualquer e não são nada. Quando não se percebe que o outro está a dizer a verdade. Quando não se percebe que o cinema não é habitualmente literatura. Quando não se percebe que nos raros casos em que o é, isso tem de ser dito, escrito, debatido e celebrado. E a fase Godard ainda só agora começou...

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publicado às 09:12