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por Carla Hilário Quevedo, em 09.10.07
Profanação

Doze túmulos no Cemitério Judaico de Lisboa foram vandalizados na passada semana. Nas pedras das lápides foram cravadas suásticas nazis. Os autores, dois «skinheads» de 16 e 24 anos apanhados em flagrante, foram detidos e arriscam uma pena de prisão até dois anos. A profanação de cadáveres e de lugares fúnebres é um crime bastante comum na história do mundo e é sobretudo um crime de ódio racial ou religioso. No entanto, não é conhecido em Portugal outro caso semelhante. Por este acto podemos perceber como o ódio e a cobardia se aproximam, unindo-se nos momentos mais infames. Um cemitério é um local sagrado, um local de reconciliação, de paz. O desprezo dos autores do crime pelos mortos e, neste caso, pela comunidade judaica deve dar que pensar. Embora seja muito complicado perceber as razões do ódio em geral, nomeadamente do anti-semitismo, parece-me claro que um ataque deste teor não se dirige aos mortos mas aos vivos, e que é por isso um parente muito próximo de um acto de terrorismo. O objectivo é o de denegrir os mortos – obviamente indefesos e vulneráveis – aterrorizando os vivos. Devemos estar muito atentos a estes sinais e não pensarmos que se trata de um acto de gente louca. A profanação de túmulos não é uma ofensa menor.

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-10-07.

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publicado às 08:16