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por Carla Hilário Quevedo, em 10.10.07
Coisas que melhoram* algumas vidas (89)


* nunca se chega tarde ao que vale a pena. Uma maravilha!

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publicado às 21:19

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por Carla Hilário Quevedo, em 10.10.07
Eu hoje acordei assim...


Milla Jovovich

... olheirenta e despenteada e a sério que sonhei que levava comigo numa espécie de carrinho-de-mão as obras completas de Shakespeare, não num só volume mas em vários muito fininhos, e que quando chegava dizia que trazia aquilo tudo porque não sabia que textos íamos ler. Depois tive uma ideia sobre aquele texto com o título extraordinário Misreadings and Slips of the Pen. Muito resumidamente, segundo Freud, enganamo-nos a ler uma palavra porque estamos a pensar noutra que nos impressionou muito e porque a nossa cabeça funciona numa espécie de permanente associação de ideias (eu acho que nem todas, por acaso). Nada de muito novo, parece. Mas o que me interessou do texto foi a ligação que Freud não faz explicitamente entre memória e erro: o engano ou a troca acontece precisamente porque existe memória. Afinal de contas, é preciso haver material de vida suficiente para poder haver associações ou lembranças. Os exemplos apresentados são tão rebuscados que dou por mim a pensar que compreendo uma certa repugnância ao autor, nomeadamente de filósofos que respeito. Mas nada daquilo é mentira nem aldrabice. Freud estava a pensar, estava à procura de alguma coisa, estava a trabalhar. Talvez no que diz respeito a esse tema tão frágil e sensível que é a Psicanálise teorias rebuscadas para casos complexos sejam sempre mais credíveis ou pelo menos mais interessantes. É diferente analisar à lupa casos patológicos, como por exemplo o do homem que tem uma fobia de ratos, ou tentar explicar por que razão lemos Odysee quando está escrito Ostsee. O segundo caso é curioso mas não deixa de ser corriqueiro, menor; um pormenor engraçado. E pormenores engraçados não ligam bem com interpretações complexas, ou ligam? Depende dos pormenores engraçados. Se calhar depende das interpretações complexas, não sei. Porque afinal enganos ou trocas de palavras podem ser resultado de uma espécie de curto-circuíto de sinapses que acontece a toda a hora. Como se a informação não chegasse bem lá onde tem de chegar, só isso. Como se houvesse uma espécie de obstrução no canal informativo. Se assim for, a questão da memória não é relevante para um caso tão... pequenino. Lá está: grandes explicações para coisas de nada...

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publicado às 08:06