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por Carla Hilário Quevedo, em 11.12.07
Gotán
de Juan Gelman

Esa mujer se parecía a la palabra nunca,
desde la nuca le subía un encanto particular,
una especie de olvido donde guardar los ojos,
esa mujer se me instalaba en el costado izquierdo.

Atención atención yo gritaba atención
pero ella invadía como el amor, como la noche,
las últimas señales que hice para el otoño
se acostaron tranquilas bajo el oleaje de sus manos.

Dentro de mí estallaron ruidos secos,
caían a pedazos la furia, la tristeza,
la señora llovía dulcemente
sobre mis huesos parados en la soledad.

Cuando se fue yo tiritaba como un condenado,
con un cuchillo brusco me maté
voy a pasar toda la muerte tendido con su nombre,
él moverá mi boca por la última vez.

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publicado às 08:02

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por Carla Hilário Quevedo, em 11.12.07
Adenda: afinal há uma colectânea de poemas de Juan Gelman traduzidos para português, editada pelos Livros Quetzal em 1998. Depois de amanhã vou à Byblos ver se têm.

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publicado às 07:54

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por Carla Hilário Quevedo, em 11.12.07
Juan Gelman


de Página/12

O Prémio Cervantes é a distinção máxima atribuída anualmente a um escritor de língua castelhana. Este ano, o Ministério da Cultura espanhol decidiu premiar o poeta argentino Juan Gelman. De origem judaica, filho de emigrantes ucranianos, Juan Gelman nasce em Buenos Aires a 3 de Maio de 1930. Interessado desde criança pela música e pela poesia, estuda os clássicos russos e lê Victor Hugo. Estudante de Química na faculdade, abandona o curso para se dedicar exclusivamente à poesia e ao jornalismo. Militante do Partido Comunista desde os quinze anos, Juan Gelman vive de perto a tragédia dos desaparecidos durante a ditadura militar, quando, em 1976, os seus filhos e a nora grávida de sete meses são sequestrados e posteriormente assassinados. Exilado do país, o poeta dedica-se ao seu ofício: escrever. Numa breve pesquisa concluí que nenhuma das suas obras está traduzida para português. Alguns poemas dispersos por antologias não são suficientes para nos apercebermos da beleza e importância do seu trabalho. Deixo aqui o primeiro verso do poema Gotán na esperança de que essa falta seja suprimida: «Esa mujer se parecía a la palabra nunca».

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 8-12-07.

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publicado às 07:36