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por Carla Hilário Quevedo, em 25.02.08
Rádio Blogue: Hillary Clinton

Sejamos francos: o problema de Hillary Clinton é ser mulher. E não se trata de ser um panzer como Angela Merkl, por exemplo. Estamos a falar de uma pessoa que perante o anúncio mundial da traição do marido, Bill Clinton, na altura Presidente dos Estados Unidos da América, tem uma reacção tipicamente feminina: perdoa o marido e afirma em alto e bom som que não o tenciona abandonar. Esta decisão implica custos elevados num mundo constituído não por famílias mas por indivíduos, e que depressa condena decisões conservadoras como esta. Numa época em que a mulher não tem nada que ser mulher de ninguém, a democrata Clinton optou publicamente por não deixar de o ser. Este pormenor decisivo não abona a seu favor, porque a apresenta ao eleitorado como um ser feminino convencional. Ser uma mulher com atitudes clássicas e ter ambição política parecem ser dois modos de vida muito dificilmente conciliáveis. Será um bocadinho como querer ter tudo, intolerável mesmo na terra da liberdade, da oportunidade e da busca da felicidade, em que de facto há a possibilidade de ter tudo. Mas não para Hillary Clinton. Porque é que uma mulher na liderança assusta? Terá uma mulher de abdicar da sua condição feminina para ser considerada capaz de ocupar um cargo de poder?

Publicado hoje no Meia-Hora. Deixe os seus comentários através do número 21 351 05 90. A sua voz vai para o ar na Rádio Europa à sexta-feira, às 10h45 e ao domingo, às 14h15. Pode também comentar por escrito no Jazza-me Muito.

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publicado às 19:30

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.02.08
Os motivos de interesse nos Óscares: o vestido da noite é o Jean Paul Gaultier da extraordinária Marion Cottilard, seguido de um Valentino belíssimo usado por Calista Flockhart, um John Galliano encarnado vestido por Heidi Klum e um Balenciaga na semi-deusa Nicole Kidman (que não anda: paira). Sempre fabulosa Penelope Cruz. Sempre giras Diane Lane e Laura Linney. Javier Bardem e Viggo Mortensen no que quiserem, francamente.

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publicado às 12:08

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por Carla Hilário Quevedo, em 25.02.08
Tivesse destruído ele

Antes de morrer, Vladimir Nabokov deixou um pedido à mulher que destruísse o seu último manuscrito. Não, não é pedido que se faça a ninguém e talvez por saber isto a mulher do escritor, Vera, fez aquilo que tipicamente se faz em casos bicudos como este: deixou o tempo passar. Quando a própria faleceu, a batata quente passou para o filho, Dmitri Nabokov, alegadamente a única pessoa neste planeta que leu The Original of Laura, título atribuído à obra. Ora, o filho, entretanto com 71 anos, também não sabe o que fazer com aquele legado: destruir conforme o desejo expresso ou não, eis a questão. Mas a questão é perversa e o único culpado da situação é o manipulador Vladimir Nabokov. A obra literária tem um autor, mas será ele o proprietário absoluto da sua criação? Como conjugar a arte com o direito à propriedade exclusiva, neste caso limitando o acesso ao texto e impedindo a sua interpretação? O tema foi amplamente debatido na imprensa, e Ron Rosenbaum, na Slate, chegou a pedir a intervenção dos leitores no sentido de impedir Dmitri de fazer algum disparate (ou seja, cumprir a vontade do pai). Agora que a publicidade está toda feita, publique-se e depressa.

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-02-08.

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publicado às 12:05