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Rádio Blogue: Acordo ortográfico

por Carla Hilário Quevedo, em 14.04.08

Sou completamente contra este acordo ortográfico, não por ser contra a inevitável evolução da língua, mas porque esta é uma mudança artificial e inútil. Porque havemos de concentrar energias e recursos num acordo que obriga a alterar a grafia de certas palavras, levando a perdas de consoantes, hífenes e acentos? Se a questão principal é política ou económica, certamente não se resolverá modificando a grafia de umas quantas palavras. Para sermos entendidos no Brasil, vamos ter de pensar de outra maneira, utilizar outras palavras e outra sintaxe. Não basta arrancarmos à força consoantes mudas nem suprimirmos hífenes. Teremos de usar e abusar do gerúndio, por exemplo. Os defensores do acordo ortográfico clamam que substituir "acção" por "ação" beneficia os autores portugueses, porque assim aumenta a possibilidade de entrarem no mercado editorial brasileiro. Se escreverem "afeto" em vez de "afecto" pode ser que alguém os perceba, é isso? Julgo que ninguém quer corrigir a pronúncia de ninguém, mas se assim é, porquê uniformizar - corrigindo, precisamente - a grafia? Os defensores do acordo ortográfico garantem que as alterações são mínimas. Se assim é, para quê fazê-las? O que pensa sobre este acordo? É bom? É mau? Porquê tanta veemência na sua imposição?

 

Publicado hoje no Meia-Hora. Deixe a sua opinião através do número 21 351 05 90 ou no Jazza-me Muito. Os seus comentários vão para o ar na Rádio Europa à sexta-feira, às 10h45, e ao domingo, às 14h15.

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publicado às 18:14

Não parem com isso que não é preciso

por Carla Hilário Quevedo, em 14.04.08

Agora é um tal Ribau Esteves que vem dizer lá as coisas dele. Será a isto que chamam suicídio colectivo?

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publicado às 17:30

A vaidade dava um filme indiano

por Carla Hilário Quevedo, em 14.04.08

Narcissus, Caravaggio, 1594-1596

 

Não sei se haverá um país no mundo onde mais se fale de inveja do que em Portugal mas neste jardim de betão conversamos horas a fio sobre o assunto. De tanto explorarmos o tema, esquecemos o essencial: a inveja é um pecado capital e destrói a vida das pessoas. Perante a gravidade da questão, teremos um país de invejosos? Não creio. O ânimo para o mal levado às últimas consequências é uma característica menos comum nos seres humanos precisamente porque esse ímpeto para destruir o próximo requer esforço e dedicação. Nem que seja por falta de oportunidade os invejosos são felizmente menos do que pensávamos. Se assim é, com o que ficamos? Com um grupo vastíssimo de gente com mais ou menos descaramento. A indignação preferida dos mais descarados é: «Não vês que ele é director porque é sobrinho do patrão?». Não vale a pena explicar que o sobrinho do patrão se mata a trabalhar e tem todas as habilitações para o cargo que ocupa. Já os menos descarados sussurram entre dentes: «Está bem, mas eu fazia melhor», enquanto justificam que só não fazem porque não têm tempo e sobretudo porque não têm pachorra. Portugal não tem um problema de inveja: tem um grave problema de vaidade.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 12-04-08.

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publicado às 16:56