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No Bangladesh é assim

por Carla Hilário Quevedo, em 21.04.08

  

No passado fim-de-semana houve manifestações violentas no Bangladesh por causa da decisão do Governo de alterar as leis que discriminam as mulheres, no sentido de lhes dar acesso à educação e a serviços médicos, e reformando os direitos à herança e à propriedade. Neste país, as mulheres recebem metade do que seria de direito seu em qualquer país civilizado. Todos estes direitos colidem com a «sharia». Os islamitas consideram que estas novas leis vão contra o Corão. Os distúrbios causaram mais de cem feridos. Fiquei muito surpreendida com a pouca relevância que a imprensa por todo o mundo – não apenas em Portugal – deu ao facto. Concluo que um distúrbio violento de uma turba de homens contra os direitos das mulheres não se compara a rebentamentos de bombas ou a historietas locais. Mas é um erro grave não dar atenção ao extremismo islâmico em todas as suas formas, nomeadamente esta: para os islamitas, o Ocidente desrespeita as leis corânicas. Têm toda a razão. Há já alguns séculos que lutamos de igual modo pelos direitos dos homens e das mulheres, e não é possível que regridamos. Observemos como os muçulmanos sensatos continuam sem condenar nem combater este islamismo reaccionário e injusto.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 19-04-08.

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publicado às 08:28